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Correio Braziliense

UnB adia votação sobre aumento do preço no Restaurante Universitário

Adiamento ocorreu depois de sindicato encaminhar parecer jurídico sobre o fim do subsídio das refeições. Ainda não há data para a nova votação


postado em 01/02/2018 11:50 / atualizado em 01/02/2018 15:14

Reunião durou toda a manhã em um dos auditórios da Unb (foto: Sarah Peres/Esp. CB/D.A Press)
Reunião durou toda a manhã em um dos auditórios da Unb (foto: Sarah Peres/Esp. CB/D.A Press)

 

A Universidade de Brasília (UnB) adiou a votação do aumento do valor das refeições no Restaurante Universitário. O motivo foi um parecer jurídico encaminhado na noite de quarta-feira pelo Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub).

 

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O decano de Ações Comunitárias da Universidade de Brasília, André Reis, explicou, durante reunião sobre o tema na manhã desta quinta-feira (1/2), que a motivação para adiar a votação é a necessidade de um diálogo justo.

 

“O Sintfub apresentou um documento jurídico que mostra uma interpretação diferente do decreto 3887/2001, que legisla sobre os auxílios. A lei é clara em determinar o pagamento direto de alimentação aos servidores, mas estabelece que não pode haver acúmulo de subsídios”, informa André Reis. "Com a apresentação do documento jurídico do Sintfub, tivemos um desdobramento novo. Como queremos pautar as discussões de forma responsável, temos que esgotar os debates, de modo honesto e justo. Claro que não irá agradar a todos, mas queremos ser responsáveis quanto à decisão, para que não tenhamos que voltar atrás", afirmou. 

 

 

O integrante da Central Sindical e Popular e terceirizado demitido da UnB Francisco Targino, delimita que “é necessário um debate amplo, com a comunidade universitária como um todo. Os valores estipulados, especialmente aos terceirizados, é um absurdo. Impor ao trabalhador um preço alto, é uma forma de excluí-los do Restaurante Universitário, porque os salários são muito baixos. A discussão em época de pouco movimento na instituição mostra o quão antidemocrático é a mudança. Mas essa atitude é recorrente. O mesmo foi realizado na demissão de massa, votada em junho". 

 

De acordo com André Reis, não há uma previsão para uma nova votação. O documento apresentado passará pela assessoria jurídica da UnB, para avaliação. Só então a data será marcada pela administração. 

 

Reivindicações 

 

A estudante de letras espanhol Rayanne Fontenele, 22, e moradora de Sobradinho 2, comemorou o adiamento. “É inadmissível puxar a discussão nas férias, com a possibilidade alta de aprovação. Então, a gente conseguir adiar a votação, mesmo que em alguns dias, nos dá a chance de uma maior mobilização dos estudantes e terceirizados”, pondera. 

 

Para o coordenador geral do DCE da UnB e estudante do curso de Teoria, História e Crítica da Arte Hélio Barreto, 22 anos, a suspensão da votação foi importante para o debate. “É importante ressaltar que o trabalho do SINTFUB nos preparou para aprofundar a discussão, em conjunto com a mobilização dos estudantes. Toda a ação foi importante para que a reitoria tirasse o pé do acelerador em relação aos aumentos”, afirma. 

 

A estudante de direito Ingrid Martins, 23, enxerga que poderia existir outras possibilidades para o alívio orçamentário da UnB. “O nosso restaurante (universitário) já é um dos mais caros do país, e com esse aumento absurdo, é querer inviabilizar a permanência dos estudantes que conseguiram entrar na universidade. Além disso, em nenhum momento pensamos em medidas paliativas que não joguem para o bolso dos mais frágeis. Não vemos como uma das possibilidades, por exemplo, diminuir o lucro da empresa prestadora dos serviços ao restaurante”, pondera a moradora da Asa Norte. 

 

A militante do Rede Emancipa e estudante de sociologia Ayla Viçosa, 23, diz que o período escolhido para a votação não proporciona a possibilidade de conversa entre as partes. “A discussão em período de férias, em um local afastado e de difícil acesso (a UnB), dá uma tônica de dificultar o acesso da comunidade universitária ao debate sobre o que realmente significa esse aumento no restaurante”, opina. “O aumento prejudica a permanência do estudante e as condições dos trabalhadores da universidade, especialmente quando pensamos no contexto brasileiro de crise econômica, com ajuste fiscal, cortes e sobretudo, o desemprego da própria juventude brasileira”, finaliza. 

 

Entenda o aumento

A comissão de análise do Restaurante Universitário (RU) da Universidade de Brasília foi criada após a Câmara de Administração e Planejamento (Cplad) apontar a necessidade de ajustar os contratos da instituição. No ano passado, o restaurante passou por um corte de 40%. O valor (almoço e jantar) de R$2,50 para estudantes, servidores e trabalhadores terceirizados mantém sem alterações desde 1994. Visitantes pagam R$ 7.

A proposta atual, elaborada pelo Conselho de Administração (CAD), é de um aumento para R$ 6,50 aos estudantes. O segundo grupo, incluindo os visitantes, pagariam R$ 13. O acréscimo representam 160% em relação à tabela vigente. 

 

 

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