Publicidade

Correio Braziliense

Bloco de carnaval no SCS termina com relatos de assédio e homofobia

A produção do bloco carnavalesco Quem chupou vai chupar mais publicou uma nota se manifestando sobre de uma série de reclamações de foliões


postado em 04/02/2018 13:26 / atualizado em 08/02/2018 19:29

A produção do bloco carnavalesco Quem chupou vai chupar mais publicou uma nota oficial se manifestando sobre de uma série de reclamações de foliões. Pessoas que foram à festa, se queixaram de assédios, e ataques homofóbicos.

Leia as últimas notícias do Distrito Federal

No texto, a organização afirmou que planejou o evento com foco no público LGBTQ+, “seus simpatizantes e a todos que desejam propagar amor e alegria”, e se posicionou contra o que chamou de “qualquer propagação de preconceito e violência”.

“Sentimos muito por todas as situações ruins que aconteceram durante o bloco. No próximo dia útil, entraremos em contato com as pessoas responsáveis pelo fornecimento de serviços para relatar os acontecidos e ouvir, também, o que eles têm a dizer”, se desculparam na página oficial.

Por outro lado, ainda na nota, os produtores do evento se queixaram do apoio do Governo do Distrito Federal. “Por se tratar de um evento público e patrocinado pelo GDF, todas as demandas e estruturas foram solicitadas de acordo com o cronograma estabelecido pela Secretaria de Cultura. Infelizmente, não cabe a nós restringir o público e ditar a quantidade que será fornecida de cada item; fomos informados a respeito dos fornecedores pouco tempo antes do evento, mesmo insistindo perante às autoridades responsáveis.”

Nos comentários da postagem, diversos internautas denunciaram casos, principalmente, de violência. Pessoas falaram da ausência da Polícia Militar e, em um comentário, um rapaz contou ter sido espancado. “Me bateram muito! Meu nariz jorrava sangue, estou com vários hematomas. Se não fosse por uma amiga (...), poderia ter acontecido algo pior. Ouvia eles dizerem ‘derruba e mata’”, relatou. Ocorreram, ainda, casos de depredação no metrô, na saída da folia.

Um dos produtores, Matheus Ribeiro dos Santos, reclamou das condições fornecidas pelo governo para o bloco. Ele contou que a festa foi planejada com um ano de antecedência, mas que, somente em janeiro, a equipe soube que não poderia contar com patrocínio particular. Além disso, tiveram que mudar o local do evento e replanejar a estrutura a pedido da Secretaria de Cultura, dois dias antes do prazo final para registro do bloco.

“Recebemos os telefones dos fornecedores um dia antes. Estávamos no local às 8h, mas eles só começaram a chegar às 14h. Só conseguimos o alvará de funcionamento às 19h20. Planejamos um evento para 3 mil pessoas, até porque estávamos com uma festa voltada para o público LGBT e era a primeira vez que saíamos. A PM chegou no início, com um micro-ônibus, mas não pediu reforço de efetivo quando a quantidade de pessoas passou do esperado. Que poder temos para exigir que eles mandem mais policiais?”, lamentou.

Ainda de acordo com Matheus, após a festa, a PM informou a organização que o evento havia transcorrido com tranquilidade. “Parece contraditório. Quando chegamos após o evento, recebemos uma ligação dizendo que não tiveram ocorrências ou entrada no hospital , e pedindo o telefone da empresa de ambulância. Eles nos parabenizaram, disseram que cumprimos o combinado”, contou.

Estimativa de público

O subsecretário de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, coronel da Polícia Militar Leonardo Sant’Anna, confirmou os problemas relatados pelos foliões. Segundo ele, houve descontrole na área a partir das 20h, e foram catalogadas mais de 20 ocorrências, entre furtos, brigas e agressões. De acordo com o coronel, mais de 100 pessoas foram abordadas por policiais, mas nenhuma chegou a ser presa em flagrante ou encaminhada para delegacias da região.

Para o coronel, o maior problema foi a estimativa errônea dos organizadores do evento em relação ao número de foliões esperados. "Eles catalogaram um evento para cerca de três mil pessoas, mas tivemos o triplo de público nos momentos de pico. Por volta das 20h, eram quase 10 mil pessoas. Inicialmente, estávamos com 50 profissionais de segurança pública no local, número que seria suficiente para a quantidade de pessoas informada. Depois de detectarmos o aumento do público e as ocorrências, enviamos mais 60 aproximadamente", afirma.

A chuva também dificultou o trabalho da corporação. "Tivemos também uma aglomeração de pessoas embaixo das marquises após a chuva, o que facilitou os furtos. Mas não foi possível prender pessoas em flagrante porque os criminosos repassam o material que furtam para os seus comparsas. Precisamos fazer uso da força e de sprays de pimenta para separar brigas e na dispersão dos foliões", esclarece.

Por meio de nota, a Secretaria de Cultura do DF afirmou que “garantiu toda a estrutura requisitada pelos blocos para que a folia transcorresse de forma confortável para os foliões”. “Durante todo o ano de 2017, a Lei de Incentivo à Cultura (LIC) permaneceu aberta para receber propostas para patrocínio via isenção fiscal e qualquer bloco poderia contar com patrocínio direto desde que sem utilizar a estrutura de governo”, explicou a pasta.

Ainda de acordo com o texto, a pasta lançou um edital de patrocínio que foi considerado insuficiente e, para suprir a demanda dos blocos injetou mais R$ 5 milhões. “Ao todo, um investimento quase três vezes maior do que o realizado em 2017”, conclui a nota.

A reportagem procurou a Divisão de Comunicação da Polícia Civil, que informou que não hove registro na delegacia da área.

Confira o texto da nota na íntegra:

“Primeiramente, gostaríamos de ressaltar que todos os feedbacks foram lidos e, também, de deixar claro que não discordamos de nenhum deles. Vivemos em um mundo contemporâneo em que lutamos para que não haja violência e preconceito. Em que todos deveriam conviver em harmonia e paz.

“Pensamos e planejamos o evento com o foco no público LGBTQ , seus simpatizantes e a todos que desejam propagar amor e alegria, mas de acordo com os relatos do público, o nosso foco foi atingido e estendido à muitas pessoas mal-intencionadas.

“Por se tratar de um evento público e patrocinado pelo GDF, todas as demandas e estruturas foram solicitadas de acordo com o cronograma estabelecido pela Secretaria de Cultura. Infelizmente, não cabe a nós restringir o público e ditar a quantidade que será fornecida de cada item; fomos informados a respeito dos fornecedores há pouco tempo antes do evento, mesmo com tanta insistência perante às autoridades responsáveis.

“Para nós é inadmissível qualquer propagação de preconceito e violência. Nosso objetivo sempre será a segurança e diversão de nosso público. Nos esforçamos ao máximo para que todas as músicas fossem agradáveis e que pudessem atingir todos os públicos. Realmente, foi lindo ver as pessoas que foram se divertindo, mas nos entristece todas as situações que foram relatadas.

“Sentimos muito por todas as situações ruins que aconteceram durante o bloco. No próximo dia útil, entraremos em contato com as pessoas responsáveis pelo fornecimento de serviços para relatar os acontecidos e ouvir, também, o que eles têm a dizer.

“Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos!”

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade