Jornal Correio Braziliense

Cidades

Viaduto da Galeria dos Estados desaba e abre cratera no Eixão Sul

Não há informações sobre feridos. Governador admite que viaduto atingido não recebeu manutenção. Trânsito no Eixão Sul foi interrompido

[FOTO1100006]
Parte do viaduto da Galeria dos Estados, que possibilita o trânsito sob o Eixão Sul, no centro de Brasília, cedeu no fim da manhã desta terça-feira (6/2). O acidente abriu uma cratera que ocupa duas pistas do Eixão Sul, e um imenso bloco de concreto caiu sobre carros que estavam estacionados sob o viaduto, que facilita o acesso aos Eixinhos, ao Setor Comercial Sul e ao Setor Bancário Sul.
As equipes do Corpo de Bombeiros que foram deslocadas até o local vasculharam os destroços com a ajuda de cães farejadores e dois guindastes e não encontraram nenhuma vítima. Até a última atualização desta matéria, as informações eram de que os danos eram apenas materiais. Ao menos quatro carros foram esmagados. Um restaurante também foi danificado e não há relatos de clientes feridos. Diversos vídeos postados na internet mostram o estrago.
Após avaliar a situação, a Defesa Civil afirmou que há possibilidade de outra parte do viaduto ceder. Por isso, o primeiro trabalho da equipe do órgão é escorar a estrutura para evitar novo desabamento.
Ao visitar o local, . Ao deixar o local, após falar com a imprensa, o governador foi vaiado por populares. O GDF anunciou um plano emergencial para recuperar o viaduto.
. Um relatório do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) feito em 2011, e publicado em 2012, já apontava que o viaduto da Galeria dos Estados precisava de manutenção urgente.
Com o incidente, o Eixão Sul teve o trânsito interrompido nos dois sentidos. O Departamento de Estradas e Rodagens (DER) desviou o tráfego para os eixinhos leste e oeste. O trânsito continuará interditado por tempo indeterminado até que seja feito o conserto da via. . Já o Metrô está funcionando, inclusive na estação que fica na Galeria dos Estados, e teve o horário de funcionamento estendido.


"Tremeu tudo"

Os comerciantes da Galeria dos Estados relataram o susto. Whendre Alves, funcionário de uma loja de armas, disse que, no momento do desabamento, o chão vibrou como em um terremoto. ;Tremeu tudo. Aí, em seguida, o barulho dos alarmes disparou.;

Mesmo com o susto, Whendre não viu pânico. ;As pessoas ficaram muito assustadas, mas não houve desespero. A maior preocupação era saber se havia gente nos carros;, descreveu. Whendre, agora, espera o Corpo de Bombeiros decidir se ele deverá esperar no local. O lojista, até as 12h19, aguardava ordens de dentro da loja.
Dono de um comércio na Galeria dos Estados há mais de 20 anos, Arthur de Almeida, 47 anos, se assustou com o barulho ocasionado pela queda de parte do viaduto. "Estava atendendo um cliente quando ouvimos um grande estrondo. Corremos e vimos a situação. Acredito que tem ao menos quatro carros lá", relatou. O comerciante acredita que isso se deve à falta de manutenção. "Já de tempos que havia infiltrações por ali. Isso foi falta de cuidado", reclama.
O veículo do bancário Igor Lindemberg, 50 anos, foi esmagado nos escombros. O veículo tinha sido adquirido em 2013. "Estava almoçando em um dos restaurantes quando ouvimos o barulho e saímos correndo. Agora é acionar o seguro. O veículo foi achatado pela estrutura inteira", disse.
[VIDEO1]


Prédios em risco

O acidente aconteceu dois dias depois de a laje de uma garagem de prédio residencial na SQN 210 Norte ceder e destruir 25 veículos. O subsecretário de Defesa Civil, Sérgio Bezerra, realizava uma vistoria no Bloco C da superquadra quando recebeu ligação informando sobre o acidente no centro da cidade. Em seguida, ele recebeu outro telefonema, do governador Rollemberg, pedindo atenção imediata ao viaduto.

Desde o problema no edifício da Asa Norte, diferentes especialistas começaram a alertar para a falta de inspeções periódicas nos prédios da cidade. O arquiteto Carlos Magalhães, genro de Oscar Niemeyer, alertou, em entrevista ao Correio que a Rodoviária do Plano Piloto e a Catedral merecem atenção especial. Sobre o desatstre desta terça-feira (6/2), a presidente do Crea-DF, Fátima Có, explicou que constatou grau algo de infiltração e ferrugens no viaduto.
"Vamos buscar uma audiência pública com Defesa Civil e bombeiros para pedir as devidas providências. Como tudo fica na promessa, (com todos) achando que não vai acontecer nada, ocorre isso. Está claro que Brasília precisa de uma manutenção e esse era um dos pontos críticos que precisavam de recuperação. Se isso á estrutura tivesse sido recuperada não haveria esse risco de colapso", disse Có, que vê riscos de desabamento em mais prédios da capital.