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Correio Braziliense

Trecho do Eixão onde viaduto desabou ficará interditado até 19 de fevereiro

O trecho inicial da via receberá perícias técnicas e procedimento de limpeza da área onde o viaduto desmoronou


postado em 06/02/2018 17:57 / atualizado em 06/02/2018 20:02

(foto: Ana Viriato/CB/D.A Press)
(foto: Ana Viriato/CB/D.A Press)
 

 

Os órgãos de segurança do Distrito Federal decidiram interditar o trecho inicial do Eixo Rodoviário Sul — conhecido como Eixão Sul —, até, pelo menos, o próximo dia 19. A interdição acontece após parte do viaduto que fica sobre a Galeria dos Estados desabar, deixando carros e parte de um restaurante destruídos, na manhã desta terça-feira (6/2).


A medida foi anunciada durante uma coletiva de imprensa, no Palácio do Buriti, que contou com a presença do governador Rodrigo Rollemberg, do diretor-geral do Departamento de Trânsito (Detran), Silvain Fonseca, do diretor-presidente da Novacap, Julio Menegotto do secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Antônio Coimbra, da secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Lemos, do diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF), Henrique Ludovice, e do subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Sérgio José Bezerra.
 
 
Antes da coletiva, todos os presentes participaram de uma reunião com o chefe do executivo local, que durou cerca de três horas. De acordo com Rollemberg, a interdição tem como objetivo realizar todas as perícias técnicas e fazer a limpeza da área onde o viaduto desmoronou. A medição exata do perímetro interditado deve ser feita nesta quarta-feira (7/2).

Para minimizar os transtornos no trânsito por conta da interdição, o governador disse, também, que será criado um plano de mobilidade emergencial. Além disso, os órgãos de segurança devem ser reunidos em um grupo de trabalho para definir "a maneira mais rápida e adequada" de reconstruir a estrutura. "Vamos tomar as medidas para recuperar o viaduto e para que o transtorno seja o menor possível", disse Rollemberg.

O governador comentou, ainda, a situação de outros viadutos espalhados pelo Distrito Federal. Segundo ele, o GDF já havia feito reparos em oito estruturas da área central de Brasília, conforme sugeriu um relatório do Tribunal de Contas do DF (TCDF). Ao todo, segundo ele, foram gastos R$ 67,7 milhões nessas obras. "Priorizamos os da Rodoviária em razão do enorme movimento", destacou. "Sabíamos, pelo relatório do TCDF, que o viaduto precisava de reparos e manutenção, como os demais. As obras que recuperamos também eram urgentes", acrescentou.
 

Orçamento 2018 

 
Os recursos para a revitalização de áreas da cidade já estão previstos na Lei Orçamentária de 2018. Serão destinados R$ 19 milhões para a conservação de estruturas físicas, R$ 18 milhões para a reforma de prédios e blocos públicos, R$ 1 milhão para obras em pontes e viadutos, R$ 32 milhões para a reforma da Rodoviária do Plano Piloto e mais R$ 146 milhões para obras de urbanização. O dinheiro para a reconstrução do viaduto no Eixão Sul virá desse montante.
 
As causas do acidente no Eixão Sul ainda não foram esclarecidas. Apenas uma análise mais detalhada, prevista para ser feita nos próximos dias, será capaz de apontar com precisão o que motivou o desastre. "São construções antigas. O nível de exigência daquela época era menor. Possivelmente houve infiltrações, que podem ter corroído as ferragens ao longo do tempo", ponderou Rollemberg. 

Entidades da sociedade civil, como a Universidade de Brasília (UnB), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e o Clube de Engenharia serão convidados a ajudar na reconstrução do viaduto. Elas devem dizer, inclusive, se a melhor solução é reaproveitar parte do trecho que desmoronou ou implodir a estrutura. 
 

Falta manutenção

 
Em coletiva de impresa realizada esta tarde, a presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), Fátima Có, afirmou que o corpo técnico da entidade localizou o autor do projeto de construção do viaduto da Galeria dos Estados para realizar uma análise técnica da estrutura. 

"O viaduto do Eixo Sul tem seis vãos. Um já cedeu, então provavelmente os outros, que passam pelas mesma falta de manutenção, irão ceder. Ele [o viaduto] já estava pontuado como um problema crítico, que demandava certa urgência", analisa Fátima.  

A presidente do Crea afirmou que há vários relatórios produzidos pela entidade em 2009 e enviados ao governador à época. Todos, segundo ela, previam  possíveis acidentes pela falta de manutenção. "Há mais preocupação em fazer novas obras que cuidar das existentes", disse a presidente. 
 
O Crea participará da comissão técnica que pontuará as soluções para o viaduto do Eixão Sul. Segundo a presidente da entidade, não se pode simplesmente fazer um escoramento dos seis blocos que compõem o viaduto. Segundo Fátima, é preciso demolir as estruturas comprometidas e realizar um estudo para atestar se o vão principal pode permanecer de pé. 

Projeto de vistorias
 

Sobre o projeto de lei do deputado distrital Cristiano Araújo (PSD), que previa a realização de perícias técnicas anuais nos viadutos de Brasília e foi vetado pelo executivo, o governador disse que a proposta tinha "vício de iniciativa". "Já temos o diagnóstico dos viadutos e estávamos trabalhando. Infelizmente, a condição financeira do GDF não permitiu que fizéssemos em todos", disse. Agora, o governador afirma que o governo fará remanejamentos para garantir os repasses necessários a essas obras. 
 

Barragem

Em relação ao alerta feito pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF (Sinduscon-DF), Luiz Carlos Botelho, no programa CB.Poder dessa segunda-feira (5/2), de que a barragem do Lago Paranoá corria risco de desabar, Rollemberg disse que um relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (AneeL) feito no ano passado, "garante a segurança da barragem nos termos que está". 
 
* Estagiárias sob supervisão de Anderson Costolli 

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