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Correio Braziliense

Além do viaduto no Eixão Sul, outras 12 estruturas estão comprometidas

Entre as edificações que correm risco estão a Ponte do Bragueto, os viadutos do Eixo L e o estacionamento em frente ao Conjunto Nacional


postado em 07/02/2018 06:00 / atualizado em 07/02/2018 18:30

A auditoria do TCDF mostrou que as edificações públicas estavam em precário estado de conservação (foto: B?rbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
A auditoria do TCDF mostrou que as edificações públicas estavam em precário estado de conservação (foto: B?rbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

 

desabamento do viaduto na DF-002 sobre a Galeria dos Estados era uma possibilidade conhecida pelo poder público. Em 2012, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) alertou sobre a necessidade urgente de reparos e manutenção. O documento orientou que a obra fosse feita não só em cima da Galeria dos Estados, como também no viaduto sobre a avenida S2, no outro lado do local do acidente ocorrido ontem. Seis anos depois, a situação apontada pelo relatório persistiu nas edificações do Distrito Federal e, na análise de especialistas, ficou mais grave por causa do aumento do uso das vias devido ao maior fluxo de pessoas e carros.

A auditoria do TCDF mostrou que as edificações públicas estavam em precário estado de conservação e que não era possível saber de fato quanto o governo gastou em manutenção. Além disso, denunciou a falta de cuidado estatal com as construções públicas. “A atividade de manutenção das edificações públicas do DF é realizada de maneira improvisada e casual e não garante a integridade das edificações públicas”, analisa o documento.


Sete exigem reparos urgentes 


Seis anos depois da auditoria, os dois governos que comandaram o Distrito Federal nesse período — os de Rodrigo Rollemberg e Agnelo Queiroz — mantiveram a prática de não conservar os espaços públicos. Das 13 edificações apontadas pelo relatório como as mais críticas, em sete, os técnicos pediam reparos urgentes. Além do viaduto do acidente, estão na lista de urgência a Ponte do Bragueto, no Lago Norte; os viadutos do Eixo L entre as entrequadras 203/204 Sul e 215/216 Sul, o viaduto sobre a N2, ao lado do Conjunto Nacional e o estacionamento em frente ao mesmo shopping.

 

Na análise do especialista em infraestrutura e manutenção predial e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) Li Chong Lee Bacelar,  da lista das 13 edificações vistoriadas pelo TCDF, nenhuma passou por conservação adequada ou reforma substancial. A convite do Correio, o especialista percorreu as construções que aparecem no relatório. “Muita coisa não mudou desde a auditoria em termos de ação. Em contrapartida, o tráfego aumentou em volume, isso agrava a situação porque são carregamentos não supostos no cálculo original”, concluiu.


De acordo com Bacelar, todas as estruturas precisam de um plano de manutenção para a vida útil, que vai das vistorias às intervenções mecânicas mais complexas. Só com esse planejamento é possível se manter estrutura segura, utilizável e próxima ao que era originalmente. “Não ter recursos não justifica não ter sequer um plano de manutenção”, afirmou. Segundo ele, a prova de que as ações estatais não foram feitas é que, mesmo nas estruturas em que foi feito algum reparo, já são necessárias novas vistorias pois há problemas aparentes.

Procurado pelo Correio, o GDF não soube precisar quais manutenções foram feitas nos equipamentos públicos desde a publicação do relatório do TCDF. O governador Rodrigo Rollemberg comentou que sabia da situação do viaduto do acidente e de outros espalhados pela capital. Segundo ele, o GDF já havia feito reparos em oito estruturas da área central de Brasília, conforme o sugerido pelo TCDF. Ao todo, foram gastos R$ 67,7 milhões nessas obras. “Priorizamos os da Rodoviária (do Plano Piloto), em razão do enorme movimento”, destacou. “Sabíamos, pelo relatório do TCDF, que o viaduto precisava de reparos e manutenção, como os demais. As obras que recuperamos também eram urgentes”, acrescentou.

 

Radiografia

 

Confira como estão as outras 12 edificações apontadas como preocupantes pelo TCDF em relatório de 2011. O Correio foi a todas com o especialista Li Chong Lee Bacelar.

 

Ver galeria . 12 Fotos Ponte Honestino Guimarães: O especialista Li Chong Lee Bacelar aponta alguns problemas na estrutura. Destaca a deterioração e a falta de reparos. É preciso, segundo ele, fazer análise profunda e acompanhar mais frequentemente o local.Bárbara Cabral/Esp.CB/D.A Press
Ponte Honestino Guimarães: O especialista Li Chong Lee Bacelar aponta alguns problemas na estrutura. Destaca a deterioração e a falta de reparos. É preciso, segundo ele, fazer análise profunda e acompanhar mais frequentemente o local. (foto: Bárbara Cabral/Esp.CB/D.A Press )
 

 

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