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Correio Braziliense

Após desabamento, aumentam pedidos por vistoria em prédios do Plano Piloto

Em apenas 48 horas após o acidente no Bloco C da 210 Norte, o número de solicitações no Distrito Federal chegou a 40, segundo a Associação Brasileira de Síndicos e Síndicos Profissionais (Abrassp)


postado em 07/02/2018 06:00 / atualizado em 07/02/2018 13:30

"Foi algo terrível que aconteceu conosco. As pessoas têm que considerar nosso lado", diz Marilisa Beber, moradora do Bloco C da 210 Norte (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


Os pedidos de vistoria em prédios residenciais aumentaram após o desabamento da garagem do Bloco C da quadra 210 Norte, segundo a Associação Brasileira de Síndicos e Síndicos Profissionais (Abrassp). A média, que era de dois pedidos de assistência técnica por semana, chegou a 40 apenas nas 48 horas após o acidente.

Na manhã de ontem, o Corpo de Bombeiros Militares do Distrito Federal atendeu uma ocorrência de risco de desabamento em um prédio residencial da 308 Norte. Na vistoria foram identificadas rachaduras externas nos revestimentos da parede, mas sem risco de queda.

O condomínio acionou a seguradora para avaliar os prejuízos com o desabamento(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O condomínio acionou a seguradora para avaliar os prejuízos com o desabamento (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


Em razão da grande procura, a Abrassp está planejando, para o próximo dia 24, uma ação direcionada a síndicos do Distrito Federal. “O síndico deve entender que, assim como temos atenção com a saúde humana, com a realização de exames, é importante ter o cuidado com as edificações. Por isso é importante fazer vistorias para manter a qualidade da construção. Nossa orientação é que as instalações sejam checadas a cada dois anos”, ressaltou Paulo Melo.

Matheus Leoni, professor do curso de engenharia civil do Iesb, conta que as questões técnicas e revisões de notas referentes a vistorias estão sendo bastante debatidas entre engenheiros. “Agora, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) cobra que, ao realizar uma reforma, o condomínio tenha um histórico de laudos emitidos por engenheiros, para criar um cadastro de intervenções e saber quando ocorreram as inspeções”, conta.

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Não existe uma lei federal ou distrital que obrigue vistorias prediais regularmente, mas o especialista destaca que existem cidades muito mais antigas do que Brasília, com prédios mais velhos, que com manutenções regulares, não enfrentam problemas assim. “Nos últimos anos, os estados têm adotado legislações com inspeções obrigatórias. Mesmo assim, é importante que a população também crie consciência sobre a importância da prevenção”, adverte.

Reconstrução

Logo de manhã, as máquinas retomaram o trabalho de retirada do entulho causado pelo desabamento da parte superior da garagem localizada no Bloco C da 210 Norte. A área foi fechada por tapumes por questão de segurança. Os moradores do prédio ainda não sabem quando a rotina voltará ao normal. Os elevadores voltaram a funcionar, mas o edifício permanece sem abastecimento de água e esgoto — e deve continuar por pelo menos três dias.

Ver galeria . 37 Fotos Desabamento de garagem no bloco C da 210 norte destrói carros de moradoresCorpo de Bombeiros/Divulgação
Desabamento de garagem no bloco C da 210 norte destrói carros de moradores (foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação )


Muitos moradores foram para casa de parentes enquanto as obras de reconstrução da área prosseguem. A aposentada Marilisa Beber, 55 anos, preferiu continuar no prédio durante o período de reformas e pediu compreensão da vizinhança com relação ao barulho causado pelas máquinas. “Foi algo terrível que aconteceu conosco. As pessoas têm que considerar nosso lado”, disse.

Ontem, operários acabaram de concluir o isolamento da área afetada. Por determinação da Subsecretaria de Defesa Civil, a terra que soterrou os carros começou a ser retirada. Com relação aos seguros, apenas ficou decidido que cada morador acionará o seu pacote veicular. Inicialmente, cada empresa analisará como serão as coberturas. O condomínio acionou o plano de cobertura para realizar as obras, mas vistorias ainda precisam ser feitas pela seguradora predial.

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