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Correio Braziliense

Festas agendadas na Galeria dos Estados precisam ser reinventadas

Organizadores de festas e blocos de carnaval lamentam o acidente e afirmam desconhecer os riscos ao público


postado em 08/02/2018 06:00 / atualizado em 08/02/2018 07:23

(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)

 
Após o desabamento do viaduto na Galeria dos Estados, os eventos programados para o espaço vão precisar se reinventar. Organizadores de festas e blocos de carnaval lamentam o acidente e afirmam desconhecer os riscos ao público. No entanto, alguns ressaltam que o colapso serviu de alerta aos produtores brasilienses para se atentarem a questões técnicas de estrutura.

A festa Makossa acontecia na Galeria dos Estados há 15 anos. O evento reunia o público jovem, em geral, e os bailes tinham temas inspirados na cultura afro. Após a queda do viaduto, um dos organizadores do evento, o produtor Chicco Aquino, 41 anos, vai procurar outro lugar para o encontro. “A gente fica triste por perder o nosso espaço. Mas, felizmente, não houve vítimas”, ressalta.

De acordo com Chicco, a festa funcionava com alvará e a organização. “A gente observava alguns pontos vulneráveis, como infiltrações e goteiras. Tomamos algumas medidas pontuais, instalando calhas e fazendo alguns reparos. Mas nunca pensamos que poderia acontecer aquilo (o desabamento)”, lamenta. Na festa, o som ficava no chão e não era se pendurava nada nos tetos, então não havia aumento no peso do viaduto, garante Chicco.

Ele se diz aliviado por não haver vítima no desabamento de terça-feira. “Quando soube, só pensei que poderia ser um livramento de Deus, por não ser no momento de uma festa”, comenta. O produtor não descarta a possibilidade de um dia voltar à Galeria dos Estados. “Estamos de cabeça erguida. Vamos fechar esse ciclo de 15 anos, achar um novo espaço e manter a nossa identidade”, destaca.

Carnaval
O bloco Baratona desfila há 27 anos na capital. Ele faz o percurso pelo Eixo L e por isso, a Secretaria de Segurança Pública e Paz Social se reuniu com os organizadores, na tarde de ontem. No entanto, de acordo com o presidente da agremiação, Sérgio Brasiel, ainda não foi definido se vai haver mudanças na programação da folia. “Geralmente, o Eixão permanece fechado no dia da festa. Porém, estamos discutindo o que fazer para apresentar o melhor para nosso público”, pondera.

Um dos mais tradicionais blocos do DF, o Raparigueiros, criado em 1992, costuma desfilar no Eixão Sul, inclusive sobre o viaduto que caiu. Mas, em 2018, ele irá para o Eixo Monumental, conforme já havia sido acertado com a Secretaria de Cultura. “Decidimos, em dezembro, que não passaríamos pelo Eixão. Porém, nunca imaginamos que a Galeria dos Estados poderia provocar algum risco ao nosso público”, relata o presidente do Raparigueiros, Wellington Santana.

Com o acidente, o Raparigueiros não pretende voltar ao Eixão Sul. “Mudar de local foi a melhor coisa que a gente fez. Sabíamos que ali próximo tinha um risco de as pessoas caírem, por ser alto. Ainda bem que isso nunca aconteceu em um dia de folia”, frisa.



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