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Correio Braziliense

CSI brasiliense: perícia do desabamento no Eixão usará tecnologia de ponta

Equipe formada por professores, engenheiros, técnicos e peritos da Polícia Civil tem à disposição tecnologia para traçar diagnósticos precisos de viadutos e pontes do DF. Especialistas determinarão se o viaduto da Galeria dos Estados será reformado ou reconstruído


postado em 10/02/2018 08:00

Escâner fará mapeamento tridimensional da estrutura que desabou no Eixão Sul na terça-feira (foto: Ed Alves/CB/D.A Press )
Escâner fará mapeamento tridimensional da estrutura que desabou no Eixão Sul na terça-feira (foto: Ed Alves/CB/D.A Press )
 
As investigações que determinarão a causa do desabamento do viaduto do Eixão Sul dependem de estudos que envolvem cálculo e reconstrução do cenário do acidente, a Galeria dos Estados. A tecnologia será um fator essencial para os testes que serão feitos por professores, engenheiros, técnicos do governo e peritos da Polícia Civil. Como em exames minuciosos, o resultado dos laudos depende de análises do concreto e do aço, assim como avaliações do peso da estrutura. São usados drones e equipamentos para mapeamento tridimensional.

Para especialistas, não restam dúvidas de que faltou manutenção, mas é necessário identificar outros fatores externos que contribuíram para o desmoronamento. Além do tempo que a estrutura ficou sem reparos, a principal hipótese é de que o concreto ruiu em razão da infiltração e da corrosão do aço. Com a água da chuva, que entra nas trincas e fissuras, o peso aumentou, colocando em risco o viaduto.

O engenheiro civil e especialista em patologia de edificações Dickran Berberian explica que, em casos semelhantes, geralmente, se extrai um cilindro do concreto e o leva para uma prensa, que pesa cerca de 100 toneladas, para analisar quanto o material suportaria. “Esse seria um ensaio pontual, mas não conclusivo. Determinaria quantas toneladas o concreto resistiria para romper”, detalha.

Um segundo exame, de acordo com o professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), é analisar barras de aço de sustentação da estrutura, assim como o concreto. Mas, na visão de Dickran, o viaduto de 57 anos — idade de Brasília — prova que os materiais eram de qualidade. “A análise do concreto apontará que ele era bom. Poderia estar deteriorado por causa da corrosão, do oxigênio e do gás carbônico dos automóveis que decompõe o material, mas o caso é simples: falta de manutenção. A proposta é fazer testes eletrônicos para se analisar o estado das outras estruturas que ficaram de pé”, esclarece.

O professor sugere que deveria estar no projeto um programa do teste de carga da edificação, assim como ele fez na Rodoviária do Plano Piloto. Ele ainda aponta que, no dia do desabamento, na terça-feira, vazava água pelas trincas que se romperam. “Não é nenhum erro do projeto. Ele é muito bom e foi devidamente construído, mas é uma obra sacrificada pelo tempo, porque trincou, passou água no seu bojo e ainda teve o oxigênio, que é um grande devorador do aço, porque faz ele corroer”, ressalta. “Então, de um lado, teve o oxigênio por cima, na junta, e, por baixo, o gás carbônico dos carros. A estrutura não aguentou. A água, por si só, aumenta o peso do concreto”, conclui.

Drones têm a missão de fotografar a edificação para garantir a segurança dos trabalhos no local(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
Drones têm a missão de fotografar a edificação para garantir a segurança dos trabalhos no local (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )


Laudo


Os trabalhos reúnem uma comissão do governo formada por técnicos e equipes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF), assim como por integrantes do Clube de Engenharia, professores da Universidade de Brasília (UnB) e pelo engenheiro calculista Bruno Contarini, responsável pelo projeto, além da Polícia Civil.

O diretor de Perícias Externas do Instituto de Criminalística, Raul Pithon, explicou que de cinco a 10 peritos estão envolvidos no caso, entre engenheiros civis, eletricistas, biólogos e agrônomos. “Temos um prazo de 30 dias desde a ocorrência do fato para finalizar o laudo, mas a investigação está a cargo da 5ª DP (Área Central). De toda forma, o motivo da queda parece que está claro. Pelo que os próprios especialistas falaram, ao que tudo indica, houve infiltração e corrosão da armadura que é protendida (tensionada dentro da estrutura de concreto)”, afirma.

(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )
(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )

Vistoria no Bragueto

As obras de reparos na Ponte do Bragueto, no Lago Norte, devem começar em uma semana. O projeto está dentro do pacote do Trevo de Triagem Norte, avaliado em R$ 207 milhões. No entanto, agora, será tratado como prioridade pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) no DF. O diretor-geral do órgão, Márcio Buzar (foto), promete ainda a construção de duas pontes laterais naquele ponto até o fim deste ano. Com as novas estruturas, o DER avaliará se a ponte será reformada ou demolida. “Recuperaremos os blocos de concreto e aumentaremos os pontos de medição. Também colocaremos uma barreira física para que os caminhões não danifiquem a estrutura, além da construção das duas pontes”, explicou. Buzar visitou a estrutura às 18h30. A edificação aparece em lista de 2011 do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que mostra pontos com necessidade de reparo urgente. Hoje, o DER fará uma nova vistoria no lugar. (Walder Galvão, estagiário sob supervisão de Guilherme Goulart)

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