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Correio Braziliense

Início de obras no viaduto do Eixão Sul muda a paisagem de Brasília

Dezenas de operários e máquinas tomam a área central da cidade a fim de construir pontos de desvios de trânsito, além de inciar o escoramento para recuperar o viaduto da Galeria dos Estados. Primeiras intervenções devem ser concluídas até o fim do feriado


postado em 10/02/2018 08:22

O governador Rollemberg visitou o local ontem pela manhã:
O governador Rollemberg visitou o local ontem pela manhã: "Vamos trabalhar todos os dias do carnaval" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 
Cinquenta e oito anos após a inauguração de Brasília, o centro da cidade voltou a ser um canteiro de obras. São 60 operários e engenheiros, além de tratores, guinchos e andaimes, espalhados por toda a área onde parte do Eixão Sul caiu sobre a Galeria dos Estados na terça-feira. Caminhões carregados com madeira, brita e cimento chegam ao local a todo momento. Tapumes também foram instalados para evitar que pessoas transitem pelo local. Algumas árvores foram derrubadas, e postes da Companhia Energética de Brasília (CEB), retirados — serão recolocados após o fim das obras.

Ontem, a empresa contratada pelo Executivo local começou a instalar as 72 vigas que apoiarão parte da estrutura que resistiu ao desmoronamento. O reforço será dividido em duas etapas. Na primeira, chamada de escoramento primário, os trabalhadores fixarão torres para evitar que aconteçam novos desabamentos. Essa fase deve terminar hoje. Depois, é a vez do suporte permanente, com 16 perfis de metal confeccionados na oficina da Novacap. As vigas têm cerca de 300 milímetros de dimensão e são formadas por chapas de metal de uma polegada. São as mesmas usadas na construção do Estádio Nacional Mané Garrincha — agora, precisam ser cerradas para caberem na altura do viaduto, de 3,5m. A segunda etapa deve ser concluída até o fim do carnaval. Com os amparos, a passarela da Galeria dos Estados poderá ser liberada.

O governador Rodrigo Rolemberg (PSB) visitou o canteiro de obras pela manhã. Acompanhado pelo diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Márcio Buzar, e pelo presidente da Novacap, Júlio Menegotto, Rollemberg inspecionou as obras por cerca de 30 minutos, conversou com os engenheiros e ouviu explicações sobre o projeto. “Nós vamos trabalhar todos os dias do carnaval para tentar entregar o Eixão funcionando no fim do feriado, além da passarela, com segurança aos pedestres que passam pela região”, afirmou.

De acordo com Rollemberg, será possível determinar um prazo para o fim das obras de recuperação do trecho desmoronado somente após a conclusão dos estudos realizados pela Universidade de Brasília (UnB). A partir desses laudos, haverá a possibilidade de verificar se há necessidade de uma demolição total ou se o trecho poderá ser reformado. “A entrega da obra do viaduto, nós só vamos saber depois que os engenheiros puderem entregar e analisar o material nos laboratórios da UnB. Com essas informações, nós vamos contratar emergencialmente uma empresa para começar as obras”, detalhou.

Licitação

Os responsáveis pelas intervenções também pretendem entregar até a próxima quarta-feira as vias de acesso que devem desafogar o trânsito da região (veja mapa). Para isso, depende de boas condições do tempo. “Precisamos de atenção com a segurança. Se tiver qualquer movimentação da estrutura, teremos de parar”, contou Márcio Buzar. Durante os trabalhos, um engenheiro ficará posicionado, a alguns metros da obra, com um apito na boca. A qualquer sinal de tremor, ele avisará os operários para que deixem imediatamente o local.

O diretor do DER mostrou preocupação com os possíveis contratos que devem ser firmados nos próximos meses para a execução da obra definitiva. Argumentou que é preciso cautela para que sejam respeitados os trâmites legais. “A gente tem de seguir os procedimentos corretos. É preciso respeitar a Lei nº 8.666 (Lei de Licitações), mesmo em situação de emergência”, explicou.

MP dá prazo para fiscalização

O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) requisitou que a Defesa Civil fiscalize todas as pontes e viadutos do Plano Piloto listados no relatório do Tribunal de Contas do DF (TCDF) no prazo de cinco dias, a contar de ontem. Deverá ser encaminhado documento técnico sobre o estado de conservação e adotadas as providências cabíveis, em caso de constatação de riscos de desmoronamento. Com base em relatório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea/DF), que apontou a necessidade de reparos urgentes em obras públicas nas áreas tombadas do Plano Piloto, a Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) instaurou procedimento, em 2016, a fim de acompanhar o que foi feito pelo governo local para garantir a manutenção e os reparos necessários. Em 2017, novo documento foi enviado à Novacap sobre condições estruturais das pontes no Plano Piloto, mas o MPDFT não obteve resposta. O promotor de Justiça Fábio Nascimento, da Ordem Urbanística, esclarece que os gestores podem ser responsabilizados pelo crime de exposição a perigo. “Criminalmente, respondem as pessoas físicas, ou seja, os gestores que deram causa ao desabamento, seja eventualmente pelo resultado morte ou lesão, se tivesse ocorrido, seja pelo crime de desabamento”, explica.

(foto: Arte/CB/DA Press)
(foto: Arte/CB/DA Press)

Com serão as obras do viaduto da Galeria dos Estados


1 - Instalação do escoramento primário, formado por 72 vigas menores.

2 - Colocação dos suportes permanentes, formado por 16 perfis de metal que foram utilizados no Estádio Nacional Mané Garrincha

3 - Liberação da passarela da Galeria dos Estados

4 - Liberação das duas vias de acesso aos Eixinhos W e L

5 - Coleta de material para ser analisado em laboratórios da UnB

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