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Correio Braziliense

Água ameaça construções em Águas Claras e Vicente Pires

Os prédios de Águas Claras e Vicente Pires têm agravantes distintos, mas um elemento compromete a vida útil dos prédios das duas localidades: a água


postado em 11/02/2018 08:00 / atualizado em 11/02/2018 15:00

Alagamento em Vicente Pires, onde não há sistema de águas pluviais(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 26/11/17)
Alagamento em Vicente Pires, onde não há sistema de águas pluviais (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 26/11/17)

Especialistas alertam que dois endereços do Distrito Federal merecem atenção redobrada para evitar desabamento de construção. Águas Claras e Vicente Pires têm agravantes distintos, mas um elemento compromete a vida útil dos prédios das duas localidades: a água. Como não existe legislação que obrigue vistorias prediais regularmente, os malefícios são multiplicados.

Conhecida como a cidade vertical do Distrito Federal, Águas Claras foi construída sobre um lençol freático. Projetada para ter prédios de até seis andares, os arranha-céus tomaram conta do espaço. Alguns superam os 30 pavimentos. O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF) alerta que essas características são perigosas, mas que transtornos podem ser evitados com manutenção frequente.

Há dois anos, o solo cedeu e alagou a garagem de um condomínio na quadra 203 de Águas Claras. Moradores contam que a estrutura apresentava problemas de infiltração por erros na construção. Para piorar, as escavações de um prédio vizinho infiltraram a garagem. “Certo dia, veio uma chuva muito forte e alagou toda a garagem”, conta Cesar Eugênio, 47 anos, morador do edifício.
Em Vicente Pires, a ocupação começou com chácaras, conforme o planejado. Mas logo vieram os parcelamentos irregulares, com muitos lotes. Nos anos 2000, proliferam os edifícios ilegais. E eles são cada vez mais altos.

A cidade que cresce de forma desordenada não tem sistema de coleta de águas pluviais. O personal trainer Daniel Oliveira, 24, sabe a falta que a estrutura faz. Desde 2001, ele coleciona histórias de transtornos. “O trânsito para e ficamos ilhados”, comenta.


Características


Vice-presidente administrativo-financeiro do Sinduscon-DF, Dionysio Klavdianos explica que a água é a maior inimiga das construções. Infiltrações e vazamentos quando não corrigidos ampliam as chances de desabamentos, por exemplo. Mas, segundo ele, é possível fazer construções seguras sobre terrenos úmidos, desde que haja um bom projeto focado nas características da região.  “Sabendo que tem um lençol freático ali, o engenheiro saberá que tipo de solução dará para a fundação e para a estrutura a fim de que a ação da água não cause danos ao prédio”, pondera.

Professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), Dickran Berberian ressalta que devem ser avaliadas as condições do solo. “O solo vermelho que temos no cerrado é resistente quando está seco. Mas, quando molha, ele pesa e se desfaz. É como aqueles biscoitos mineiros que são duros, mas, quando você coloca na boca, ele derrete”, compara.

* Estagiária sob supervisão de Renato Alves

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