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Correio Braziliense

BR-020 onde ocorreu acidente é a estrada federal mais perigosa que corta DF

As BRs-040 e 060 vêm em seguida, segundo a Polícia Rodoviária Federal


postado em 18/02/2018 08:00

Pedestre à beira da BR-020, a mais perigosa: 66 mortes em 2017 e 24 no começo de 2018 (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )
Pedestre à beira da BR-020, a mais perigosa: 66 mortes em 2017 e 24 no começo de 2018 (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )
 
O acidente que deixou nove mortos e 30 feridos, quinta-feira, acendeu o alerta para os riscos em estradas. A BR-020, onde aconteceu a tragédia, e a BR-040 são as rodovias mais perigosas que cortam o Distrito Federal e o Entorno. Elas levam, respectivamente, ao Nordeste e à região Sudeste do país. Em terceiro lugar está a BR-060, que liga Brasília a Goiânia.

A batida frontal entre um ônibus e uma carreta ocorreu no município de Formosa (GO), em um trecho de pista única e ultrapassagem proibida. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou outras 16 colisões na BR-020, de 1º de janeiro a 15 de fevereiro. Elas deixaram 15 mortos e 12 feridos. Contando com o caso de quinta-feira, que ainda não consta na estatística, são 24 mortos e 42 feridos. Na BR-040 houve 14 acidentes e quatro mortes. A BR-060 teve 5 ocorrências com três óbitos.

Em 2017, as três rodovias aparecem novamente nas primeiras posições no ranking das catástrofes no trânsito, mas com uma diferença: a BR-040 liderou o número de acidentes graves (166). A BR-020, por sua vez, registrou mais mortes (66).

O chefe do Núcleo de Acidentes da Superintendência da PRF em Brasília, Rafael Guedes, aponta três fatores para os casos fatais: excesso de velocidade, ultrapassagem indevida e embriaguez ao volante. “Na BR-020, há um trecho muito longo de pista simples que leva ao Nordeste e, por isso, ocorrem muitos acidentes em razão da ultrapassagem indevida, sono e ingestão de álcool. Já nas BRs-040 e 060, como há um grande perímetro urbano, há diversas ocorrências em razão da ingestão de álcool e do excesso de velocidade”, comenta.

Duplicação


O pedreiro Jackson Rosa Sudré, 36 anos, capotou o carro no Km 18 da BR-020, em novembro de 2015. Era Dia de Finados e ele voltava com os dois filhos e a ex-mulher para casa quando um carro fechou o veículo em que a família estava. Para não bater no outro automóvel e em um caminhão,  Jackson jogou o Corsa para o lado e perdeu o controle da direção. “Meu caçula tinha 2 meses e o outro, 9 anos. Por um milagre, não aconteceu uma tragédia. Aqui é uma rodovia que tem alto índice de acidentes. Principalmente nas descidas, os motoristas aceleram. Em feriado e fim de semana, piora”, conta ele, que dirige na BR diariamente.

Morador de Planaltina de Goiás, Ednaldo Rocha de Souza, 35, também transita todos os dias na BR-020 para ir e voltar ao trabalho. Apesar de considerar o trecho bem sinalizado, o cozinheiro diz que os motoristas são imprudentes. “Ninguém respeita a sinalização. Os acidentes acontecem por causa da imprudência. Muitos dirigem em alta velocidade. Se duplicassem as pistas até Goiás, os acidentes poderiam ser reduzidos”, opina.

Na BR-040, os pedidos são de alargamento de pistas e construção de passarelas. O gestor de recursos humanos Fabiano Lisboa Malheiros, 38, acredita que essas duas medidas poderiam reduzir os índices de acidentes na região. “Os acidentes ocorreram por uma série de fatores, mas existe a imprudência do motorista e do pedestre, que desrespeita a travessia. Se tivessem mais pistas e fossem construídas mais passarelas, isso poderia ser diferente”, ressalta.

Mais risco


Segundo o professor de engenharia de tráfego da Universidade de Brasília (UnB) Paulo César Marques, quanto maior o movimento, mais risco de acidentes. Ele diz ser mais comum batidas em pistas duplicadas e em trechos lineares do que em estradas de pista simples e com curvas. “Apesar de serem mais seguras, nas rodovias de pistas duplas as pessoas se expõe mais ao risco e o comportamento do motorista acaba sendo mais relapso”, avalia.

No entanto, ele pondera que, em estradas de mão única, o tipo de colisão mais comum é a frontal. Na opinião do especialista, só melhorar a infraestrutura das rodovias não é suficiente. “É necessário também atuar no comportamento dos condutores, com fiscalização e investimento em educação. Não é só a falta de infraestrutura que contribui para os acidentes. O fator comportamental das pessoas é muito forte para evitar as colisões.”


As mais perigosas


Veja a quantidade de acidentes graves (com feridos e mortos) e o número de vítimas nas estradas do DF e Goiás

 2018 (até 15/2)
Rodovia Acidentes Feridos  Mortos
BR-020 16          12 15*
BR-040 14          11 4
BR-060 5          4 3
BR-080 3          3 -
BR-070 4          1 3
BR-050 2          1 1
Total: 44       Total: 32 Total: 26

 2017
Rodovia Acidentes Feridos  Mortos
BR-020 119          86 66
BR-040 166          138 47
BR-060 54           41 13
BR-080 40           31 15
BR-070 65           48 21
BR-050 17           17 5
Total: 478        Total: 361 Total: 167

Fonte: Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Brasília
* Não inclui o acidente de quinta-feira 

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