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Correio Braziliense

Sequência de crimes em 36 horas assusta moradores de regiões do DF

Assassinato, latrocínio, roubos e estupro em seis cidades da região marcam as 36 horas entre a noite de terça e a tarde de quarta


postado em 23/02/2018 06:00

Fernando Souza está preso por matar a mãe, Isabel: violência doméstica(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Fernando Souza está preso por matar a mãe, Isabel: violência doméstica (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

Em 36 horas, uma série de crimes graves assustaram o Distrito Federal. Entre a noite de terça-feira e a tarde de ontem, duas pessoas morreram — uma delas vítima de latrocínio (roubo com morte) —, duas ficaram feridas e uma sofreu um estupro na saída da faculdade. Os episódios foram registrados no Plano Piloto, em Taguatinga, no Gama, Riacho Fundo 2 e Recanto das Emas. 

Um dos casos mais violentos chamou a atenção pelas circunstâncias. Fernando Lino de Souza, 33 anos, foi preso ao matar a mãe, Isabel Lino de Souza, 61, a golpes do guidão de uma bicicleta. O assassinato aconteceu na sala da casa da família, na QS 6 do Riacho Fundo 2. Após o ataque, Fernando saiu para a rua e gritou o que havia feito. Uma das vizinhas entrou no local para ajudar a vítima e a viu caída, ensanguentada, com as mãos amarradas e uma fita na boca. Do portão, enxergavam-se marcas de sangue no chão.

A mãe morava com o filho havia dois anos no Riacho Fundo 2. “Eu tentava ajudar sempre que podia, trazendo comida e prestando apoio. Mas era tudo muito difícil, inclusive a relação com ele. Tentamos até interná-lo por conta das drogas”, disse uma irmã de Isabel.

Segundo o delegado-chefe da 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), Pablo Aguiar, Fernando responderá por feminicídio qualificado (motivo fútil). “Claramente, ele não é uma pessoa normal, sobretudo por conta da brutalidade do crime. Mas ele tem noção do certo e do errado, sendo capaz de responder por seus atos”, explica. As constantes brigas entre mãe e filho, além da situação financeira precária, são apontadas como motivação.

Latrocínio

Em Taguatinga, um empresário de 72 anos morreu ao levar um tiro no peito. Paulo Afonso Silva tinha ido de carro à padaria e voltava para o apartamento da mãe, na Avenida Comercial Norte, quando dois assaltantes em uma motocicleta o abordaram. O que estava na garupa desceu armado e entrou no Jetta da vítima. Assustado, Paulo gritou por socorro e acabou baleado. Os acusados fugiram com o veículo.

A irmã de Paulo, a professora Simone Aparecida, 61, estava no imóvel da família. “Eu dei um grito e fiquei apavorada. Não falei para a minha mãe, porque ela está com idade avançada e precisa de remédios. Tive de inventar uma desculpa”, contou. Maria Morais tem 93 anos. “É ainda mais doloroso, porque ele havia feito aniversário na segunda-feira. O Paulo era fantástico. Era um dos líderes para todos nós. A casa da nossa mãe era um ponto de encontro para a nossa família, pois os meus sete irmãos e eu fazíamos revezamento para cuidá-la. Todos sentimos essa dor”, disse.

No ano passado, 36 pessoas foram vítimas de latrocínio no DF, segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social. Apesar o policiamento ostensivo ser de responsabilidade da Polícia Militar, os casos ocorreram em meio à paralisação de policiais civis e ao funcionamento precário das delegacias.
 
(foto: CB/D.A Press)
(foto: CB/D.A Press)
 

Greve de três dias

Policiais civis estão de braços cruzados desde quarta-feira, quando decidiram fazer uma paralisação de três dias. A categoria pede aumento salarial e contratação de servidores. Durante a greve, as delegacias só registram flagrantes e ocorrências de crimes graves, como homicídio, latrocínio e estupro.

Memória

25 de janeiro 
Um homem foi assassinado na Quadra 301 de Águas Claras na noite de 25 de janeiro. Laiano Pereira Lemos, 36 anos, estava dentro de um carro, estacionado próximo à praça da região, quando Marcelo Wanderley da Silva, 33 anos, chegou atirando. Moradores ouviram, pelo menos, cinco disparos. Um deles acertou a cabeça da vítima. O suspeito foi preso. Os dois se conheciam e tiveram diversas discussões antes do crime.

12 de janeiro
Uma loja de celulares do Conjunto Nacional foi alvo de bandidos na tarde de 12 de janeiro. Quatro adolescentes armados invadiram o comércio, brigaram com funcionários e fugiram. Os suspeitos recolheram diversos aparelhos, mas fugiram sem nada. Eles apontaram uma arma para os seguranças do shopping durante a fuga.

8 de janeiro
Uma mulher de 44 anos levou um tiro no peito na 408 Sul. O crime aconteceu às 21h23 de 8 de janeiro, quando Ieda Maria Neiva Rizzo saía da casa de um amigo. Um homem abordou a vítima entre os blocos A e B, e ela reagiu. Segundo depoimento da vítima, ela teria sofrido ameaça de estupro, mas a polícia acredita em uma tentativa de latrocínio. Ieda foi socorrida e sobreviveu.

6 de janeiro
Uma idosa de 65 anos foi estuprada por um homem de 36. O crime ocorreu na Estrutural. O acusado conheceu a vítima ao trabalhar como auxiliar de pedreiro na residência dela. Sob a justificativa de que consertaria uma porta, o estuprador ficou mais tempo na casa e aproveitou o momento para atacar a vítima. Ele foi preso em 25 de janeiro.

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