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Correio Braziliense

Prata da Casa: nova geração de roqueiros brasilienses ganha espaço na cena

Quarteto nascido dos pilotis de Brasília chega às plataformas digitais e conquista cada vez mais nacionalmente


postado em 23/02/2018 19:50 / atualizado em 23/02/2018 19:55

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
 
Eles são jovens e usam as referências da adolescência, vivida entre os pilotis dos prédios de Brasília nos anos 1990, para fazer arte. PH, Chicão, Jesse James e Caio Zorzzi formam a LedBed, o quarteto que ao fazer música tem orgulho de colaborar com a cultura da cidade que carrega o título de capital do rock.
 
Inspiradas nos clássicos do rock nacional, as músicas autorais da 'boy band brasiliense' encantam os fãs. No final do ano passado, o grupo assinou contrato com a gravadora Midas Music, do produtor Rick Bonadio, que colocou o single da LedBed nas principais plataformas digitais. A levada de Eu quero ver agradou o produtor e promete contagiar nas próximas apresentações dessa galera, que já tem tem até data para aparecer na TV.
 
Em 2014, o quarteto gravou um CD demo e, de lá para cá, viveram uma evolução meteórica. O ponto alto, até então, foi um show na Esplanada dos Ministérios, no festival Poderes da Arte, que já recebeu diversos mitos da música brasileira. "Foi indescritível ouvir o nosso som reverberando na Asa Sul, bem ali na Praça dos Três Poderes", relembra Paulo.


História punk

 
A trajetória dos amigos, que já se conheciam de outros carnavais, começou profissionalmente em 2012. À época, eles já não eram mais os garotos do bloco e precisavam conciliar a carreira musical com os demais afazeres da vida adulta. "Eu, Paulo e uma placa de áudio éramos a primeira versão da banda", conta Jesse James, 40 anos, baixista da LeBed. Um curso de mixagem ajudou ele a ter noções iniciais de música, aperfeiçoadas em sua vida musical.
  
O grupo ganhou forma com a chegada de Chicão,  atual batera da galera. Francisco Gomes era de outra banda e entrou na LedBed ainda durante a sua formação. Conhecido como "velho de guerra", uma referência dos amigos aos 51 anos de vida, o músico chegou a tocar no mesmo palco que a Legião Urbana, quando a trupe de Renato Russo se apresentava com a banda Nave Espacial. O sonho de viver da arte perdurou até o momento em que ele decidiu: "A LedBed caminhando, quero caminhar junto". E caminhou.
 
Mesmo com a banda completa, eles tiveram dificuldades para fazer música ao melhor estilo roqueiro. "A gente recebeu muitos 'nãos'", conta Paulo Henrique, 40, o vocalista. Após escutar as canções do grupo, o produtor Rick Bonadio, famoso por ter lançado talentos como Mamonas Assassinas e Charlie Brown Jr., fechou contrato com a a LeBed no final do ano passado.


Frutos do bloco


Assim como a Legião, o Capital Inicial ou o Aborto Elétrico, Paulo, Jesse e Caio reuniam-se embaixo dos blocos da Asa Sul, para tocar violão e transformar devaneios juvenis em música. PH inspirava-se no concreto da cidade e já acumulava diversas composições, totalizando cerca de 50 músicas escritas até 2006. Um quase sósia de Dado Villa Lobos, ele se inspirava na atitude punk dos ídolos, que incluíam Renato e companhia. Em um episódio, PH quebrou o violão do pai, que hoje, vendo o caminho musical que o filho tomou, nem se lembra. "Era uma coisa de garoto. Nos conhecemos na adolescência e cultivamos o fanatismo pela música dos anos 80". 

As inspirações incluíam também o baiano Raul Seixas. "Eu ouvia Raul enquanto comíamos Corn Flakes, o cereal da época", relembra o baixista Jesse James. Mas o caminho do músico nem sempre foi no rock. Ele tocou por dez anos na banda da dupla sertaneja Pedro Paulo e Matheus.

Se os músicos brasileiros são marca forte na essência do grupo, as influências estrangeiras trazem múltiplas referências para o som da LedBed. The Kill, U2, Beatles, Nirvana e Coldplay estão na lista.
 
 
 
 
* Estagiária sob supervisão de Anderson Costolli

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