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Correio Braziliense

Jogo sério: truco tem campeonato e até federação no DF

Entre blefes e provocações, o jogo se destaca como um dos mais populares e provocativos, mas rende boa diversão entre familiares e amigos


postado em 24/02/2018 08:00

Para competidores, cada partida é emocionante e acompanhada de muitos blefes e gargalhadas(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Para competidores, cada partida é emocionante e acompanhada de muitos blefes e gargalhadas (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Quatro amigos sentam-se ao redor de uma mesa e têm como companhia um baralho. Cada um recebe três cartas. Com as mãos ou expressões faciais, indicam para o parceiro se estão com um jogo bom ou ruim. Em pouco tempo, a partida ganha emoção, assim que os jogadores começam a se comunicar e a intimidar os oponentes. Apesar das provocações, o ambiente em uma mesa de truco é de respeito. A gritaria faz parte do jogo, assim como as risadas que acompanham toda a disputa.

“O truco é bom porque sempre proporciona a reunião entre amigos ou família. Não é só o jogo. Criamos muitas amizades, fazemos piadas e brincadeiras com aqueles que perdem ou pegamos no pé de alguém que faz uma jogada errada”, conta o jogador da Associação Recreativa e Esportiva Grapete (Areg), Wilson Pereira, 45 anos.

Como todo jogo, a disputa é inevitável no truco. Mas a partida tem muito mais a oferecer do que o embate. “Depois de uma semana intensa de trabalho, por meio do truco, eu consigo espairecer e me tranquilizar. É um momento de distração. Uma diversão gostosa, em que nós conseguimos relaxar junto com os amigos”, ressalta o também jogador da Areg, Humberto Silva, 54.

Para quem gosta do carteado, o diferencial do truco é poder enganar o adversário. “O blefe é o lado interessante do jogo. Às vezes, o seu oponente tem cartas superiores às suas, mas, dependendo da maneira que você ‘truca’, ele pode ficar receoso em continuar a partida. Você precisa fazer com que o outro jogador caia na sua fala. Isso faz com que o passatempo seja contagiante”, explica Wilson, que é empresário.

No primeiro contato com o truco, é comum as pessoas estranharem os gritos e intimidações. Entretanto, Humberto destaca que o ambiente em uma partida é de total harmonia. “As pessoas que não conhecem acham que é um jogo sujo. Na mesa, você precisa ser malandro para conseguir os pontos. Mas, em nenhum momento, queremos desrespeitar ninguém. O intuito da diversão não é esse. O ponto principal é a interação que temos com os amigos”, destaca.

Além de ser uma distração, os adeptos do jogo o classificam como uma forma de socialização. “Presenciei muitos casos de pessoas que conseguiram superar um problema por causa desse entretenimento. Nós nos sensibilizamos muito e, quando encontramos alguém com dificuldade, usamos o truco para ajudá-lo a superar a adversidade”, comenta o presidente e jogador do Arsenal Sport Clube, Carlos Russi, 34.

Filho de mineiros, Carlos Russi cresceu jogando truco. Para ele, as lembranças das partidas com a família são as mais marcantes da sua vida. “Diversas gerações se reúnem para jogar, inclusive a minha avó, que tem quase 80 anos. Lembro de uma vez em que nós dois formamos uma dupla e ela estava com as cartas mais altas. Depois que pediu truco, ela subiu na cadeira para mostrar a carta e comemorar a vitória. O truco não pode faltar em nenhum momento. Para mim, é diversão”, resume o mineiro.

Campeonato

A Federação Brasiliense de Truco, criada em 1983 e com 250 filiados, organiza o Campeonato Brasiliense da modalidade, que acontece entre março e dezembro. Para atrair mais jogadores, são promovidos outros torneios no decorrer do ano. “Se em cada uma dessas competições eu conseguir com que uma dupla ingresse na federação, vou ficar satisfeito. Contribui para o crescimento desse jogo como esporte. É uma competição que desperta a atenção. São poucos que conhecem o nosso campeonato. Quem tiver a curiosidade, com certeza, não vai se arrepender”, assegura Carlos Russi.

Regras

Geralmente, uma partida de truco é composta por quatro jogadores, divididos em duas duplas. Os dois competidores que completarem 12 pontos ganham. Existem variações do jogo, mas no Brasil as mais comuns são as formas de jogar mineira e paulista. Na primeira, as quatro cartas mais valiosas (manilhas) não mudam: quatro de paus, sete de copas, ás de espadas e sete de ouros. Já na outra variação, as manilhas não são predeterminadas. Após a distribuição, outra carta do baralho é virada para indicar quais são as cartas mais valiosas da rodada. Se for um 2, por exemplo, as manilhas serão os 3, que seguem a sequência de naipes: paus, copas, espadas e ouros.

Participe

Torneio de Truco dos Amigos
Local: EQNL 17/19, Bloco C, Loja 2, Taguatinga Norte — Sede da Areg
Data: hoje, 24 de fevereiro
Horário: sorteio das duplas às 14h e início das partidas às 14h45
Valor da inscrição: R$ 20
Mais informações: 98406-1842, com Carlos Russi

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