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Correio Braziliense

Encontro de lideranças discute o futuro da coalizão de centro-esquerda

Coalizão formada por PPS, PDT, PSD, PCdoB e PPL está ameaçada desde o lançamento da pré-candidatura de Valmir Campelo ao Palácio do Buriti. Mal-estar pode atrapalhar candidatura de Joe Valle


postado em 01/03/2018 06:00 / atualizado em 01/03/2018 07:46

A avaliação é de que a pré-candidatura de Valmir Campelo pelo PPS dificulta projeto da centro-esquerda(foto: Iano Andrade/Esp CB/DA Press)
A avaliação é de que a pré-candidatura de Valmir Campelo pelo PPS dificulta projeto da centro-esquerda (foto: Iano Andrade/Esp CB/DA Press)

 
O lançamento da pré-candidatura do ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Valmir Campelo (PPS) ao Palácio do Buriti tornou-se um fator complicador para a consolidação do grupo de centro-esquerda, formado também por PDT, PSD, PCdoB e PPL. Os aliados viram com hesitação a iniciativa do partido socialista de reivindicar um novo cargo majoritário, quando a sigla trabalha para viabilizar a reeleição do senador Cristovam Buarque (PPS). A decisão ainda é um entrave à candidatura do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), ao comando do GDF.

As legendas discutiram, ontem, a situação pela primeira vez após o anúncio. Apesar do descontentamento, na reunião de cerca de duas horas, que contou com os presidentes das Executivas regionais, como Augusto Madeira (PCdoB) e Chico Alencar (PPS), ficou marcado o tom diplomático. As lideranças levantaram questionamentos quanto à pré-candidatura de Campelo e decidiram levar as respostas aos correligionários para a definição dos próximos passos. Eles marcarão um novo encontro do grupo, com a presença dos pré-candidatos, para bater o martelo sobre o futuro da coalizão.

Nos bastidores, o entendimento é de que a frente ainda precisa ser ampliada para o fortalecimento da chapa. Contudo, a garantia de metade das vagas majoritárias ao PPS dificultaria a aproximação de novos aliados: haveria pouco a oferecer. “Acho muito difícil o mesmo partido ocupar duas posições. O lançamento das pré-candidaturas é legítimo, mas é improvável que elas se concretizem no fim. Ainda há muito diálogo pela frente”, apostou Augusto Madeira.

O fato de a possibilidade não ter sido colocada à mesa antes da decisão unilateral também incomodou. Ontem, Joe Valle disse estar surpreso. “Dificulta o entendimento”, resumiu. Até então, o pedetista era visto como o único nome viável à cabeça de chapa. O PDT, inclusive, pretende lançá-lo neste mês; falta o sinal verde do distrital.

Comandante do PPS-DF, Chico Alencar reconheceu a dificuldade da concretização do projeto, mas afirmou que o posicionamento está consolidado. “Sabemos que haverá resistência. É uma equação que teremos de resolver. Quando convidamos Valmir para o partido, tínhamos a intenção de construir caminhos. Vamos para o diálogo”, ponderou.

Para aliados, o perfil de Valmir Campelo é o mesmo do ex-secretário de Saúde Jofran Frejat: experiência e ficha-limpa. Apesar de estar longe das urnas há 24 anos, o ex-presidente do TCU ocupou cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado. Ele deixou o campo político após perder, em 1994, a eleição pelo GDF para o, hoje, correligionário Cristovam Buarque.

Efeito Frejat

A aproximação de Frejat com Joe e Cristovam é outro fator que mexe no jogo da centro-esquerda. Alguns integrantes teriam dificuldades em fechar a aliança por causa do partido ao qual Frejat é filiado: o PR, de José Roberto Arruda. O PCdoB é um exemplo. “Ele faz parte de um grupo mais conservador. Somos alinhados à esquerda”, disse o presidente do PCdoB no DF. O comandante regional do PSD, o deputado federal Rogério Rosso, amenizou a situação: “Queremos ampliar ao máximo as conversas e realizar uma união de frentes. Ninguém está à espera do milagre de juntar todos, mas o maior número possível”.

O estreitamento de laços do ex-secretário de Saúde com o grupo de centro-esquerda acontece enquanto as relações com a coalizão de origem, com raízes arrudistas e rorizistas (PSDB, PR, DEM, PTB, MDB, PP), se desgasta. Frejat cobra o cumprimento do acordo firmado, que garantia o apoio ao concorrente com mais chances de vitória. “O que nós estamos vendo é um certo descontentamento de alguns candidatos devido à ascensão de Frejat nas pesquisas. Ele não rompeu compromisso nenhum e está cumprindo o acordo fechado entre os partidos”, disse o deputado federal Laerte Bessa (PR).

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