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Correio Braziliense

Metrô apura causas de acidente; funcionários denunciam falha de freios

Comissão investiga o motivo de dois vagões estarem com os freios isolados. Direção de operação contesta tese: "Se isso tivesse ocorrido, ele teria dificuldade de parar nas estações", diz diretor de operação


postado em 01/03/2018 20:20 / atualizado em 02/03/2018 06:27

Ver galeria . 11 Fotos Ed Alves/CB/DA Press
(foto: Ed Alves/CB/DA Press )

 
Uma comissão formado por integrantes das diretorias de manutenção e técnica da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) investiga o motivo de dois vagões da composição que descarrilou, quarta-feira, estarem com os freios isolados. O diretor de Operação e Manutenção do Metrô-DF, Carlos Alexandre da Cunha, contou que, ao chegar à Estação Águas Claras, o piloto retirou os passageiros do veículo por identificar o problema.

O piloto pode isolar os freios de um vagão ao perceber que eles apresentam alguma falha, mas não é indicado que os veículos rodem com mais de um freio isolado. Funcionários contam que o vagão que descarrilou circulou durante a manhã de quarta-feira com ao menos dois freios isolados enquanto transportava mais de mil passageiros. O trem esteve na manutenção no dia anterior ao acidente, por problemas na tração. Durante o serviço, os freios teriam sido isolados e a ação não foi revertida antes de o transporte voltar a atender o público.

O carro estava na primeira viagem do dia, quando saiu dos trilhos, segundo a companhia. Ele deixou Ceilândia e seguiu até Estação Águas Claras. Durante o trajeto, a velocidade do veículo variava de 60 a 80 km/h. Ao se isolar o freio de dois vagões, é indicado que o trem não passe dos 20 km/h e não transporte passageiros. “Não acredito que o trem teria feito todo o trajeto com os freios isolados, porque se isso houvesse ocorrido, ele teria dificuldade de parar nas estações”, contou o diretor de operação.  O resultado da investigação sai em até 30 dias.

Transportar passageiros com os freios isolados é uma ocorrência grave, segundo o especialista em planejamento e impacto de transportes urbanos, Dimas Alberto Gazolla Palhares, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Caso as pessoas ainda estivessem no trem, o acidente certamente seria mais grave. Havia risco de tombamento e até morte por esmagamento”, comentou. O especialista diz que o freio é isolado automaticamente se o trem atingir uma velocidade maior do que a permitida pelo trecho, como uma medida de segurança.

Sufoco na manhã

O sistema metroviário do DF só voltou a funcionar normalmente às 11h desta quinta-feira. Os três vagões da composição que descarrilou foram retirados só as 6h30, liberando só uma via na região de Arniqueiras, o que permitia a operação no sentido Estação Central.

A estudante de fisioterapia Monielly Viana, 26 anos, foi um dos passageiros que sofreu com a consequência de ter um único lado dos trilhos em operação. Ela saiu de Samambaia com destino à Estação Furnas às 7h30. Monielly relatou que a única sala de embarque estava completamente tomada de pessoas. “Por sorte, o trem chegou no momento que eu precisava. Mas não dava para passar pela multidão facilmente. Foi uma luta para entrar em um vagão. Ouvi muita gente reclamando que os trens demoravam até quase uma hora para chegar”, contou a estudante.“Semana passada, estava desse jeito por um problema em Ceilândia”, completou a estudante.

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