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Correio Braziliense

Agenda apreendida revela lista de desejos políticos e pessoais de Faraj

Uma agenda apreendida na casa de Sandra Faraj e que consta de processo em tramitação na Justiça lista ambições da parlamentar, como cargos no governo, aproximação com Rollemberg, casas, um avião e uma lancha de 32 pés


postado em 03/03/2018 08:00 / atualizado em 03/03/2018 08:52

Além de anseios materiais, Sandra escreveu na agenda que gostaria de fazer indicações em diversos órgãos (foto: Daniel Alves/CB/D.A Press )
Além de anseios materiais, Sandra escreveu na agenda que gostaria de fazer indicações em diversos órgãos (foto: Daniel Alves/CB/D.A Press )

 

Integra os autos da denúncia por estelionato contra a deputada Sandra Faraj (Sem partido), que tramita no Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), uma agenda apreendida na casa da parlamentar durante as buscas e apreensões da Operação Hemera. Nas páginas, constam pedidos registrados pela distrital. Um ano antes de ser investigada, ela incluiu na lista de desejos “livramento” de toda ação do Ministério Público, do Tribunal de Contas do DF e das polícias Civil e Federal.

A descrição dos desejos ocorreu no fim de 2015. No diário, Faraj revela o anseio pela influência no meio político e aponta o interesse em indicações em diversos órgãos do GDF: “Que o governador nos dê a Sedest (Secretaria de Trabalho), a Administração de Taguatinga, Subsecretarias da Cultura, Conselhos, a diretoria da Terracap, acessos na SES (Secretaria de Saúde), no BRB, na CEB, na Sehab (Secretaria de Habitação), na Caesb, publicidade, e outras estruturas, com mais de 600 cargos diretos”.

O estreitamento de laços com o chefe do Palácio do Buriti também era uma aspiração. “Que possamos (eu, Fadi — irmão — e minha família) ser bem próximos do governador Rollemberg, tenhamos acesso irrestrito e ele nos ouça”, registrou. Faraj externa os sonhos sobre os próximos passos no meio político. Na lista, estão a Presidência da Câmara Legislativa, sucesso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da qual é vice-presidente, influência na Comissão de Assuntos Fundiários (CAF), o Senado e, até mesmo, a chefia do Palácio do Buriti: “Ser governadora; a melhor que o DF já teve”, idealiza. A parlamentar também projeta em seu caderno o futuro do irmão Fadi Faraj, suplente do senador José Antônio Reguffe (Sem partido). O anseio é que ele assuma a cadeira.

À época da produção do caderno dos sonhos, Faraj mantinha um bom relacionamento com o então chefe de gabinete, Manoel Carneiro, que, depois, se tornou um inimigo e principal testemunha da denúncia de desvios de recursos da verba indenizatória da Câmara Legislativa. “Guarda o Manoel Carneiro no nosso meio e liberte a vida dele de todo o mal”, pede. No ano passado, Carneiro afirmou que a deputada não realizou o pagamento integral de R$ 174 mil à Agência Netpub, entre 2015 e 2016, pela prestação de serviços de publicidade e tecnologia, ressarcidos com a verba indenizatória. A distrital nega a acusação e sustenta ser vítima de uma articulação política conduzida por Carneiro para destruí-la politicamente.

No Solidariedade

Um dos sonhos de Sandra Faraj acabou frustrado no último dia 21. Em 2015, a parlamentar mirava a Presidência do partido, o Solidariedade. “Com cadeira na Executiva e bom tempo de televisão”, complementa o texto do diário. Em fevereiro, porém, por comunicado assinado pelo presidente nacional da sigla, Paulinho da Força, ela foi convidada a decidir seu “destino político em outra legenda”. A deputada também fez torcida para o fim do governo “de opressão do PT”. Neste caso, ela deu um “ok” para o pedido atendido.

Além dos desejos políticos, Faraj descreveu anseios materiais: uma lancha de 32 pés, uma mansão na QL 6 do Lago Sul, um avião para mais de sete pessoas e uma casa em Miami, nos Estados Unidos. Indicou até o endereço: o Condomínio Modern Doral. Lá, as unidades residenciais são avaliadas em cerca de US$ 900 mil, valor equivalente a R$ 3 milhões. Sonho alto para uma deputada distrital com salário de R$ 25 mil. O Correio entrou em contato com a assessoria da deputada ontem à tarde e informou que a reportagem seria publicada, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Integra os autos da denúncia por estelionato contra a deputada Sandra Faraj (Sem partido), que tramita no Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), uma agenda apreendida na casa da parlamentar durante as buscas e apreensões da Operação Hemera. Nas páginas, constam pedidos registrados pela distrital. Um ano antes de ser investigada, ela incluiu na lista de desejos “livramento” de toda ação do Ministério Público, do Tribunal de Contas do DF e das polícias Civil e Federal.

A descrição dos desejos ocorreu no fim de 2015. No diário, Faraj revela o anseio pela influência no meio político e aponta o interesse em indicações em diversos órgãos do GDF: “Que o governador nos dê a Sedest (Secretaria de Trabalho), a Administração de Taguatinga, Subsecretarias da Cultura, Conselhos, a diretoria da Terracap, acessos na SES (Secretaria de Saúde), no BRB, na CEB, na Sehab (Secretaria de Habitação), na Caesb, publicidade, e outras estruturas, com mais de 600 cargos diretos”.

O estreitamento de laços com o chefe do Palácio do Buriti também era uma aspiração. “Que possamos (eu, Fadi — irmão — e minha família) ser bem próximos do governador Rollemberg, tenhamos acesso irrestrito e ele nos ouça”, registrou. Faraj externa os sonhos sobre os próximos passos no meio político. Na lista, estão a Presidência da Câmara Legislativa, sucesso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da qual é vice-presidente, influência na Comissão de Assuntos Fundiários (CAF), o Senado e, até mesmo, a chefia do Palácio do Buriti: “Ser governadora; a melhor que o DF já teve”, idealiza. A parlamentar também projeta em seu caderno o futuro do irmão Fadi Faraj, suplente do senador José Antônio Reguffe (Sem partido). O anseio é que ele assuma a cadeira.

À época da produção do caderno dos sonhos, Faraj mantinha um bom relacionamento com o então chefe de gabinete, Manoel Carneiro, que, depois, se tornou um inimigo e principal testemunha da denúncia de desvios de recursos da verba indenizatória da Câmara Legislativa. “Guarda o Manoel Carneiro no nosso meio e liberte a vida dele de todo o mal”, pede. No ano passado, Carneiro afirmou que a deputada não realizou o pagamento integral de R$ 174 mil à Agência Netpub, entre 2015 e 2016, pela prestação de serviços de publicidade e tecnologia, ressarcidos com a verba indenizatória. A distrital nega a acusação e sustenta ser vítima de uma articulação política conduzida por Carneiro para destruí-la politicamente.


No Solidariedade

Um dos sonhos de Sandra Faraj acabou frustrado no último dia 21. Em 2015, a parlamentar mirava a Presidência do partido, o Solidariedade. “Com cadeira na Executiva e bom tempo de televisão”, complementa o texto do diário. Em fevereiro, porém, por comunicado assinado pelo presidente nacional da sigla, Paulinho da Força, ela foi convidada a decidir seu “destino político em outra legenda”. A deputada também fez torcida para o fim do governo “de opressão do PT”. Neste caso, ela deu um “ok” para o pedido atendido.

Além dos desejos políticos, Faraj descreveu anseios materiais: uma lancha de 32 pés, uma mansão na QL 6 do Lago Sul, um avião para mais de sete pessoas e uma casa em Miami, nos Estados Unidos. Indicou até o endereço: o Condomínio Modern Doral. Lá, as unidades residenciais são avaliadas em cerca de US$ 900 mil, valor equivalente a R$ 3 milhões. Sonho alto para uma deputada distrital com salário de R$ 25 mil. O Correio entrou em contato com a assessoria da deputada ontem à tarde e informou que a reportagem seria publicada, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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