Publicidade

Correio Braziliense

De olho no Buriti, partidos costuram alianças para eleições de outubro

Nas escolha de candidatos, legendas com mais verba e tempo para apresentar programas nos 45 dias de campanha saem na frente


postado em 04/03/2018 08:00

Para ampliar participação no horário eleitoral e estrutura de campanha, Rollemberg busca aliança com o PSDB(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 25/10/17)
Para ampliar participação no horário eleitoral e estrutura de campanha, Rollemberg busca aliança com o PSDB (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 25/10/17)
 
Nas negociações para formação de chapas, os partidos mais ricos e estruturados saem na frente, mesmo em tempos de rejeição à política tradicional. O MDB, do presidente Michel Temer, é um dos que se colocam como um parceiro a se conquistar. Mesmo sem candidato a governador no DF, a legenda é considerada uma aliada importante. O partido tem o maior tempo de televisão para a campanha e ficou na terceira posição entre os que mais receberam recursos do Fundo Partidário no ano passado. PT e PSDB também são cortejados, uma vez que figuram como primeiro e segundo colocados no ranking.

Justamente por esse motivo, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) trabalha para conseguir fechar uma aliança no DF com o PSDB. Nessa estratégia, ele levou para seu governo a tucana Maria de Lourdes Abadia, como secretária especial de Projetos Estratégicos. Também mantém uma boa relação com o presidenciável do partido, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Se a coligação ocorrer, o PSDB poderá indicar um candidato a vice na chapa de Rollemberg ou um nome para o Senado. 

O presidente licenciado do MDB/DF, Tadeu Filippelli, não abre mão de trocar o poderio do partido por um lugar ao sol, um cargo de vice, que ele deverá indicar. Para Filippelli, mesmo com a popularidade das redes sociais, as aparições no rádio e na televisão durante a campanha ainda representam uma ferramenta importante na hora de conquistar o voto dos indecisos. “Sem dúvida nenhuma, é muito importante para todos os partidos. Talvez para quem já é conhecido, que tem um grau de popularidade, não seja decisivo. Mas, para outros candidatos, que estão começando é fundamental. Principalmente em relação aos cargos proporcionais”, avalia.
 
O PR busca coligação com MDB, DEM e PP para tentar eleger Jofran Frejat(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 26/10/14)
O PR busca coligação com MDB, DEM e PP para tentar eleger Jofran Frejat (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 26/10/14)
 

Filippelli tem uma outra cartada: comanda o PP no DF e tem o aval do presidente nacional, Ciro Nogueira, para fechar as alianças que considerar mais vantajosas. Na presidência regional, o emedebista emplacou uma pessoa de sua confiança, o deputado Rôney Nemer, apontado, inclusive, como o nome de sua preferência para ocupar a segunda posição na chapa. Problema apenas é que Nemer está inelegível, enquadrado na Lei da Ficha Limpa, por conta de uma condenação por improbidade administrativa na Operação Caixa de Pandora. 
 
Com tempo de televisão e recursos do MDB, Filippelli quer indicar vice. Um dos cotados é Ibaneis Rocha(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 8/11/17)
Com tempo de televisão e recursos do MDB, Filippelli quer indicar vice. Um dos cotados é Ibaneis Rocha (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 8/11/17)
 

Um dos nomes cotados é o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) Ibaneis Rocha, que chegou a ser lançado pré-candidato ao Palácio do Buriti, mas desistiu. Ele continua no partido e no jogo político.

O PT ainda não tem candidato escolhido. Mas deve lançar um nome na disputa. Alguém que, com tempo de televisão e recursos, faça a defesa do legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do legado de Agnelo Queiroz e seja um palanque para a eleição de deputados federais e distritais.

45 dias de campanha


Ainda com um cenário incerto diante da possibilidade de alianças e acordos, os partidos políticos no DF se articulam para formar coligações e unir forças para a disputa de outubro. Até 15 de agosto — data limite para a definição de candidatos — as siglas precisam bater o martelo em relação aos nomes que disputarão os cargos de deputados distritais e federais, senador, e governador e vice. Com apenas 45 dias para convencer o eleitor da importância de suas propostas, o tempo de exibição durante o horário eleitoral gratuito de cada coligação e os recursos disponíveis para a campanha podem ser fundamentais na reta final do pleito.

Mesmo não sendo prioridade das executivas nacionais, os diretórios dos partidos no DF devem receber uma boa fatia do bolo. Na prática, as legendas com maior estrutura são as que ocupam maior número de cadeiras na Câmara dos Deputados. Isso acontece porque a legislação eleitoral destina maior verba do fundo partidário e do recém-criado fundo eleitoral para as siglas que conseguiram eleger maior número de deputados federais. Com a suspensão das doações bilionárias feitas por empresas em eleições anteriores, os partidos contarão com R$ 888 milhões do Fundo Partidário e mais R$ 1,7 bilhão do Fundo Eleitoral para este ano.

As executivas nacionais recebem a quantia e repartem entre os diretórios regionais. No caso do DF, os partidos que deverão ganhar mais dinheiro dos dois fundos serão os que terão candidatos ao Executivo local. Alguns presidentes nacionais já confirmaram que turbinarão os cofres das campanhas no DF, como o presidenciável Ciro Gomes (PDT), que lançará o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), ao GDF no próximo dia 8 e Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, que deu carta branca a Alírio Neto para entrar no páreo. O PR também deve investir pesado na campanha de Jofran Frejat, além do PSB, que aposta as fichas na reeleição de Rollemberg. Os quatro partidos estão entre os 10 maiores recebedores de recursos do fundo partidário (veja tabela).
 
Com apoio do PTB nacional, Alírio espera receber R$ 5 milhões para gastos (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 18/11/ 14 )
Com apoio do PTB nacional, Alírio espera receber R$ 5 milhões para gastos (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 18/11/ 14 )
 
 
De acordo com o presidente regional do PR, Salvador Bispo, a questão financeira não é um fator definitivo no momento de formar as coligações, mas pode dar mais fôlego aos candidatos durante a campanha. “Naturalmente, um partido que tenha mais recursos disponíveis tem condições de fazer uma campanha melhor”, afirma.


R$ 5 milhões

O PTB deve descarregar dinheiro na candidatura do dirigente regional do partido Alírio Neto. O presidente nacional, Roberto Jefferson, já declarou que economizou parte do fundo partidário recebido no ano passado para investir na campanha. “No nosso caso, como eu serei o único candidato do PTB no Brasil todo a disputar um governo, com certeza, devemos bater no teto de R$ 5,6 milhões”, calculou Alírio.

Pré-candidato ao GDF e filiado a um dos partidos mais endinheirados do país, o deputado federal Izalci Lucas (PSDB) avalia que a mudança na legislação beneficia quem tem mandatos ou já é conhecido no meio político. “Antigamente o poder econômico tinha uma influência muito grande. Muita gente se elegia em função do dinheiro que botava na campanha. Desta vez, vai se sair melhor quem tem propostas, quem tem projeto para apresentar”, opina. 

Mas Izalci dificilmente conseguirá permanecer no PSDB e tem convite para ingressar em duas legendas menores, o PSL — que lançará à Presidência o deputado Jair Bolsonaro (RJ) — e o Podemos, partido que também tem pré-candidato, o senador Álvaro Dias (PR). Uma candidatura nacional de sucesso pode alavancar os aliados nos estados.


Propaganda


A divisão do tempo de televisão também segue as mesmas regras da repartição da verba dos fundos partidário e eleitoral. Os partidos com maior bancada na Câmara dos Deputados desfrutam de mais tempo na propaganda eleitoral gratuita. O MDB será o partido com maior tempo de exibiçãoe negocia a formação de uma frente de centro-direita com DEM, PP e PR. O PSDB também está nessa  costura, caso não feche com o PSB. O principal nome do grupo para o GDF é o deputado Jofran Frejat (PR). Se a união se confirmar, a coligação será uma das mais ricas e com maior inserção nas propagandas eleitorais.

Em caminho inverso, o herdeiro do grupo Giraffas Alexandre Guerra (Novo), estreante na política, é pré-candidato do Executivo local com pouco tempo de televisão e contrário ao recebimento de recursos públicos, Guerra aposta no boca a boca para se tornar conhecido e aumentar suas chances na corrida eleitoral. “Nós somos contra essa legislação que favorece a manutenção de que está no poder. Estamos apostando na conversa direta com o eleitor, em gastar a sola do sapato, mostrar propostas. Isso é o mais importante”, defende. 


Ranking
Veja os partidos que mais receberam dinheiro do Fundo Partidário em 2017:

PT
R$ 83,7 milhões

PSDB 
R$ 70,7 milhões

MDB
R$ 68,6 milhões

PP
R$ 41,4 milhões

PSB
R$ 40,4 milhões

PR
R$ 36,4 milhões

DEM
R$ 26,6 milhões

PTB
R$ 24,3 milhões

PDT
R$ 21,9 milhões

PPS
R$ 10,8 milhões

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade