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Correio Braziliense

Arte em movimento: projeto leva público para conhecer processo de criação

Projeto leva o público a percorrer ateliês e galerias pelo DF para acompanhar o processo de criação dos artistas. Programação vai até hoje e a visitação é gratuita


postado em 04/03/2018 08:00

Participante do circuito de artes visuais aprecia obra no local em que é produzida (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Participante do circuito de artes visuais aprecia obra no local em que é produzida (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 
Apreciadores das artes visuais vivem uma experiência especial desde ontem. Eles participam do BSB Plano das Artes, percorrendo um circuito de artes visuais produzidas em Brasília, visitando espaços, conversando com nomes da cena e vendo de perto a transformação das obras. O evento ocorre até hoje (4/3) em 20 ambientes selecionados.

O público adorou a ideia de acompanhar o processo criativo de cada artista. São seis rotas disponíveis — representando as diversas formas de lidar com as artes visuais. Dez vans fazem o circuito, que tem visitação gratuita.

“Achei incrível, gostei de ver os espaços. A gente tem noção, mas nunca imagina como são de verdade, os materiais ali no ateliê, o ambiente propício para a criação”, afirma a estudante Fernanda Freitas, 22 anos.

Estimular a percepção sobre o universo da criação artística é um dos objetivos do projeto. O programa busca estabelecer um verdadeiro diálogo entre as partes, educando e formando público, dando visibilidade ao cenário da capital.

Para a idealizadora e curadora do projeto, Cinara Barbosa, o projeto foi bem recebido. “Sinto, pelas próprias pessoas que visitam, que a experiência é ótima, dão os parabéns, dizendo que a ideia é bacana.”

“Você vê como o artista cria a obra, tem as particularidades dos espaços. Todo artista deixa um pouco de sua história durante a criação. O passeio cria uma vontade de pensar o mundo de forma diferente, a gente se reconhece na nossa época, na história”, diz a assistente administrativa Amanda Henning, 26.

Como Amanda, os participantes destacaram que o circuito aproximou o público de artista. “Eu não tinha noção do que era, e achei bem legal participar, ver como são os espaços”, declara a internacionalista Beatriz Menck, 24.

Irmã de Beatriz, a estudante Alexandra Menck, 16, achou que o BSB Plano das Artes é capaz de mostrar um universo das artes que vai além do que se vê nas galerias. “Em um museu, você não pensa que aquela obra representa tanta coisa. Aqui, você aprecia mais. A coisa parece simples, mas você vê que tem toda uma pesquisa, tem testes, a arte vai acontecendo, você vê um pouco de como é o dia a dia do criador da obra”,  disse Alexandra.

Para o estudante de engenharia mecânica André Luís Osório, 22, o evento reforça a cena brasiliense. “É bom para conhecer mais dos artistas. Eu não conhecia os ateliês, então, achei legal ver materiais que uso no curso e que eles também utilizam”, comentou.

Outra leitura


Se o público aprova, os artistas veem uma oportunidade para divulgar o trabalho, estreitar o canal com as pessoas e entender a leitura do espectador sobre suas obras.

“Eu escuto coisas sobre o meu trabalho que eu nunca vejo. É uma oportunidade de trocar ideias, e você nunca sabe quem vem, se são apreciadores de arte, se só querem conhecer”, ponderou a artista plástica e professora Cecilia Mori.
 
Cecilia Mori reconhece a iniciativa como oportunidade para trocar ideias(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Cecilia Mori reconhece a iniciativa como oportunidade para trocar ideias (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 

“É interessante para eles ver como o trabalho vai daqui pra lá (museu, galeria), como se dá o processo, ver as coisas tomando forma, os testes fracassados, a última etapa antes de finalizar e deixar pronta para exposição”, considerou Cecilia.

O artista Christus Nóbrega identifica, na iniciativa do projeto, uma forma de o brasiliense se reconhecer. “É o processo da coisa em construção, e tem Brasília se descobrindo, a comunidade entendendo seu espaço cultural. O evento aproxima, desmitifica, estabelece vínculo”, resume.

As artistas Raquel Nava e Cecília Bona concordam com Christus. “É interessante que o público tenha essa outra leitura, eles podem relacionar o seu trabalho com a pesquisa, entender o processo de criação”, diz Raquel.

“Para mim, é inédita essa coisa de o trabalho aparecer ‘por trás’, quer dizer, como ele se desdobra, os testes. Ainda estou processando a experiência, mas está sendo muito boa”, se diverte Cecília.


Próximos passos


A ideia do BSB Plano das Artes surgiu em 2014, quando a pesquisadora Cinara Barbosa notou que havia uma cena artística importante na cidade e a necessidade de visibilidade do trabalho deles.  “Eu percebi os fenômenos, os acontecimentos na arte, enxerguei que havia outros espaços, que não tem só as galerias comerciais. A partir daí, comecei a desenhar esse projeto”, conta a pesquisadora.

Segundo ela, a interação com o público deve balizar as próximas edições. A curadora espera novos artistas em eventos futuros. Celina aponta que a perspectiva de novos passos do projeto se dá porque as pessoas se interessaram, se programaram para o evento e se mostraram dispostas a interagir com os artistas e a esclarecer dúvidas sobre o processo criativo.

No primeiro dia, foram 150 visitantes, entre eles alguns assinantes do Correio sorteados com o passeio. Até domingo, cerca de 400 pessoas devem passar pelos espaços.  Para participar do evento, basta ir aos locais onde estão acontecendo as visitações, nos horários estabelecidos nos roteiros. A programação pode ser conferida no site www.bsbplanodasartes.com.br.


BSB Plano das Artes

» Hoje, das 10h às 20h
» Visitas saindo do Museu Nacional, do Cine Brasília e do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (IDA/UnB)

Mais informações: www.bsbplanodasartes.com.br
 

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