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Correio Braziliense

Malária infectou 31 moradores do DF que viajaram em 2017

Secretaria de Saúde registrou 147 casos suspeitos e confirmou a doença em 31 moradores do DF, que adoeceram, principalmente, na região Amazônica


postado em 06/03/2018 06:00 / atualizado em 05/03/2018 22:52

(foto: PATRICK KOVARIK/AFP)
(foto: PATRICK KOVARIK/AFP)
A escalada no número de casos de malária no Norte e Nordeste brasileiro exige dos viajantes atenção redobrada. Após registrar o menor número de infecções em 37 anos, o mal cresceu 50% entre 2016 e 2017, segundo dados do Ministério da Saúde. Na capital federal, a Secretaria de Saúde registrou 147 casos suspeitos e confirmou a doença e 31 pessoas que moram no DF no ano passado. O brasiliense que for para áreas onde ocorre a transmissão, como a região Amazônica, deve procurar um médico, alerta o Ministério da Saúde.

Quatro países e no Norte de Brasil concentram os locais de infecção. Segundo a Secretaria de Saúde, 21 pessoas adoeceram na região Amazônica — 68% dos casos. Na lista internacional, África do Sul e Guiana com quatro casos cada e Costa do Marfim e Camarões com um caso cada. Não há vacina contra o mal, que se não for tratado rapidamente leva a morte. Em 2016, 29 pessoas adoeceram. 

Pedro Luiz Tauil especialista em medicina tropical e controle de doenças da Universidade de Brasília (UnB), recomenda cuidados individuais como, calças e camisas de mangas compridas e o uso de repelente. “Qualquer febre pós viagem tem que fazer a suspeita de malária. O diagnóstico rápido com o tratamento adequado reduz as chances de morte. Os viajantes devem estar em alerta”, conclui. 

O Ministério da Saúde reforça o alerta. “Recomenda-se que os viajantes recebam uma avaliação e orientação criteriosa realizada por profissionais especializados em saúde antes da viagem”, destaca. Os riscos variam a depender das características do indivíduo, da viagem e do local de destino, segundo o órgão. Para a Secretaria de Saúde, o fato de Brasília sediar muitas embaixadas também é um fator de atenção. 

Os primeiros sintomas da malária são muito parecidos com os de uma gripe e a demora para iniciar o tratamento pode matar. Ela é causada por protozoários, transmitidos pela fêmea do mosquito Anopheles. A maioria dos casos se concentra no Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
 

193,8 mil pessoas contaminadas no país 

 
No ano passado, 193,8 mil pessoas tiveram malária. O índice é  50% maior em relação a 2016, quando ocorreram 129 mil infecções — a menor taxa registrada nos últimos 37 anos. A alta da doença continua em 2018. Pelo menos 17 mil contágios, segundo dados preliminares de janeiro. 

Pedro explica que a população do mosquito transmissor no DF é pequena. “A altitude elevada associada a secura faz com que os mosquitos não sobrevivam em densidade que permite a transmissão da doença”, destaca. Anopheles prefere climas tropicais e subtropicais, com altos índices de umidade e temperaturas variando entre 20ºC a 30ºC.

O controle vetorial é a principal estratégia para reduzir a transmissão da malária. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uso mosquiteiros com inseticida e borrifação de veneno intradomiciliar. Para Pedro, as autoridades sanitárias baixaram a guarda para a doença e, por isso, ela voltou a crescer. “Foi retirada a prioridade política da malária, com isso se reduz pessoal da vigilância, financiamento e estratégias”, pondera. 

Segundo o Ministério da Saúde, foram investidos R$ 11,9 milhões em 2017 em nove estados localizados na região Amazônica (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), área que concentra os casos de malária. 

A esse valor, segundo o governo federal, são acrescidos repasses mensais. “Além dos recursos específicos, temos garantido orçamento crescente para as ações de Vigilância em Saúde. Em 2017, o orçamento de vigilância em saúde aos estados chegou a R$ 1,93 bilhão”, afirma o ministério. Os recursos para Vigilância em Saúde cresceram 83% nos últimos anos, passando de R$ 924,1 milhões, em 2010, para R$ 1,7 bilhão, em 2016.

Dicas para evitar o contágio

Veja dicas se você for viajar para áreas onde ocorre a transmissão de malária:

- Usar roupas claras e longas, como camisas de manga comprida e calças, cobrindo áreas do corpo em que o mosquito possa picar; 
 
- Usar repelentes nas áreas de pele expostas, seguindo as orientações do fabricante do produto quanto à faixa etária e frequência de aplicação; 
 
- Evitar locais próximos a criadouros naturais dos mosquitos vetores (beira de rios e lagos, áreas alagadas ou coleções hídricas, região de mata nativa), principalmente nos horários da manhã e ao entardecer, por ser neste horário a maior atividade dos mosquitos vetores da malária; 
 
- É recomendado o uso de ar condicionado ou ventiladores em ambientes fechados. 
 
- É preciso buscar o diagnóstico e tratamento imediatamente após o início dos sintomas, uma vez que o atraso no tratamento está associado ao um maior risco de gravidade e óbito, principalmente em viajantes.
 
Fonte: Ministério da Saúde

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