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Correio Braziliense

Vigilantes mantêm greve, e parques abrem hoje com reforço da PM

Por falta de segurança, agências bancárias permanecem fechadas, assim como diversos órgãos públicos


postado em 06/03/2018 06:00 / atualizado em 06/03/2018 10:25

"Podem ter a razão que for, mas a decisão deles afeta diretamente a população", diz David Souza, advogado (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Os trabalhadores vinculados ao Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância do Distrito Federal (Sindesv) entram no sexto dia de greve nesta terça-feira (6/3). Sem contraproposta do Sindicato de Empresas de Segurança do Distrito Federal (Sindesp-DF), os vigilantes decidiram, em assembleia na noite de ontem, manter a paralisação, que teve início na quinta-feira. No dia seguinte, o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT10) expediu liminar obrigando o encerramento da greve dos vigilantes até julgamento final da ação. Em caso de descumprimento, a categoria está sujeita à multa de R$ 100 mil. 

Sem acatar a ordem judicial, o Sindesv entrou com recurso contra a liminar e ao pagamento da multa. “Não tivemos resposta dos patrões e sem uma análise não tem como voltar ao trabalho. A categoria está mais do que decidida”, afirmou o diretor de comunicação do sindicato que representa a categoria, Gilmar Rodrigues.

Dessa forma, os bancos continuam fechados. Todos os órgãos públicos também sofrem prejuízos com falta de trabalhadores da área. Quanto aos parques, 71 locais de lazer e de preservação ecológica vinculados ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram) que necessitam de vigilantes patrimoniais mantiveram as portas fechadas. Apenas Olhos D’Água e Águas Claras abriram. Mas, com apoio da Polícia Militar, 12 parques (veja Programe-se) voltam, hoje, a funcionar. As áreas abrem às 7h e fecham às 18h. Apenas Ezechias Hering, no Guará, por questões de segurança e riscos de invasões, e Saburo Onoyama, em Taguatinga, que passará por limpeza e manutenção, não abrirão.

Reivindicação


Os vigilantes pedem reajuste salarial de 3,10% e aumento de 6,8% no auxílio-alimentação. Por conta da paralisação, serviços em agências do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) ficaram restritos apenas a clientes que fizeram agendamento prévio. Em instituições financeiras, como a Caixa e o Banco do Brasil, somente o uso dos caixas eletrônicos estava liberado.

O Sindicato dos Bancários de Brasília informou que nenhum banco deve funcionar sem o apoio de vigilantes, determinação expressa na Lei 7.102/83, de 20 de junho de 1983, que dispõe sobre segurança para estabelecimentos financeiros.

Para que a ordem judicial seja cumprida, os bancários notificaram as instituições e solicitaram que equipes da Polícia Federal fiscalizem o fechamento dos bancos. Em caso de descumprimento, o sindicato denunciará a agência. “O estabelecimento também corre risco de pagamento de multa. Se o sindicato localizar alguma agência aberta, o fechamento é feito na hora”, explicou o porta-voz da entidade, Rafael Zanon.

Longas filas


Durante o dia de ontem,  moradores de Brasília sentiram na pele a falta de segurança em órgãos públicos e parques. No posto do INSS da 502 Sul, beneficiários imploravam por atendimento. Era o caso da secretária Tamara Fernandes, 26 anos. A jovem desejava ingressar com recurso para fazer uma nova perícia. Ela, que sofre de depressão, foi liberada do serviço por 60 dias para se tratar. Sem estar agendada,  disse que saiu do Gama, a 30km do local “para tentar a sorte”. Ficou sem atendimento.

Em agências bancárias, os clientes enfrentaram longas filas diante dos caixas eletrônicos. O aposentado José Kleber Barreto, 71, por exemplo, demorou mais de 20 minutos para conseguir pagar o condomínio na Caixa Econômica da 504 Sul. Sem auxílio de servidores, ele reclamou dos atrasos que as greves provocam. “É uma interrupção de vida para todo mundo. Não consegui me informar direito. Quase segui para outro banco”, criticou.

A 12 quadras dali, correntistas que precisavam dos serviços do Banco do Brasil esperavam  em meio a muitas filas para sacar dinheiro e efetuar pagamentos. A dentista Myrian Machado, 40, desistiu de  usar o equipamento eletrônico. “A espera está enorme e uma funcionária me orientou a não depositar cheques após as 16h. Sem vigilância, quem confia?”, questionou.

Insegurança


Mesmo com a porta central do Parque Olhos d’Água aberta, as laterais continuaram fechadas. A advogada Ana Catarina Boni, 39, questionou a insegurança do local. Ela frequenta o parque há, pelo menos, oito anos. “Apoio a greve, é um direito, mas confesso que não vejo diferença aqui, o local é mal iluminado e depois das 18h fica bem escuro”, reclamou.

Para surpresa dos moradores do Sudoeste, o Parque do Bosque permaneceu com as portas lacradas. O advogado David Souza, 26, precisou mudar a rotina para se exercitar na região. Ele reclamou da falta de aviso e cuidado para com os frequentadores.  “Podem ter a razão que for, mas a decisão deles afeta diretamente a população”, reclamou.

O Sindesv convocou nova assembleia para hoje, às 17h, quando a categoria define os rumos do movimento.


Programe-se
Áreas verdes  que abrem  as portas

Horário: das 7h às 18h

» Águas Claras
» Olhos D’Água (Asa Norte)
» Bosque do Sudoeste
» Ecológico da Asa Sul (614/615)
» Dom Bosco (Lago Sul)
» Sucupira (Planaltina)
» Paranoá
» Jequitibás (Sobradinho)
» Areal
» Veredinha (Brazlândia)
» Vivencial do Gama
» Lago Norte
 
 

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