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Correio Braziliense

Grupo de centro-direita se desarticula e pode não formar coalizão ao Buriti

Desentendimentos fazem com que grupo ligado a Arruda e Roriz descarte uma frente única para concorrer ao Executivo local. A tendência é de que o fim da coalização resulte em três pré-candidaturas


postado em 06/03/2018 06:00

Vista aéra do Palácio do Buriti, sede do GDF: rompimento da centro-direita movimenta os bastidores para definição de pré-candidaturas (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Vista aéra do Palácio do Buriti, sede do GDF: rompimento da centro-direita movimenta os bastidores para definição de pré-candidaturas (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)


O anúncio do lançamento da pré-candidatura do ex-presidente da Câmara Legislativa Alírio Neto (PTB) ao Palácio do Buriti, previsto para amanhã, e as recentes cobranças de apoio à campanha feitas pelo ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR) acarretaram o rompimento do grupo de centro-direita. Os integrantes da coalizão não enxergam mais a possibilidade de consolidação de uma frente única, com origem em alianças dos ex-governadores José Roberto Arruda e Joaquim Roriz e preveem que os atritos levem à formação de três candidaturas distintas (leia quadro).

Em meio à troca de faíscas, Alírio e o deputado federal Alberto Fraga (DEM) pretendem permanecer lado a lado na corrida eleitoral. Eles firmaram o entendimento em reunião, na última semana, com o ex-vice-governador Paulo Octávio (PP), que planeja entrar na disputa. A definição da cabeça de chapa depende das conversas dos próximos meses e do cumprimento de critérios como viabilidade jurídica e projeção eleitoral.

Para se apresentar como o melhor candidato, Alírio Neto apostará nos cofres cheios, garantidos pelo presidente nacional do partido, Roberto Jefferson. Líder da bancada da bala, Fraga pretende surfar no discurso de segurança pública, em defesa de bandeiras conservadoras, como a suavização do Estatuto do Desarmamento e o endurecimento de penas. Ele também espera receber o apoio do presidenciável Jair Bolsonaro. Além disso, a pré-candidatura de Rodrigo Maia (DEM) à Presidência da República, que será lançada nesta semana, pode impulsionar sua campanha.

A fim de viabilizar a união, contudo, Alírio terá de sentar à mesa com os colegas para explicar por que não os avisou sobre o lançamento da pré-candidatura ao GDF. Os dois foram pegos de surpresa com a novidade. “Vamos esperar uma posição dele. Eu, talvez, pague um preço alto por manter a minha palavra e o compromisso. Mas, à medida que a direita se divide, as chances do governador Rodrigo Rollemberg aumentam”, alertou Fraga.

Impulsionado pela coligação firmada com DEM e PTB em 2014, Frejat não deve contar com o mesmo apoio neste ano. Isso porque as cobranças do ex-secretário de Saúde foram vistas como uma imposição de candidatura por lideranças dos partidos. Devido ao mal-estar, o ex-deputado federal trabalhará na construção de uma segunda frente. Uma das opções é firmar aliança com o senador Cristovam Buarque (PPS) e o presidente do Legislativo local, Joe Valle (PDT), que será lançado pré-candidato ao Buriti nesta quinta-feira.

Após polêmicas declarações, Frejat preferiu ser cauteloso ao falar do afastamento do grupo de centro-direta. Ele classificou a pré-candidatura de Alírio como “legítima” e afirmou que está aberto ao diálogo. “Mantenho o que disse quando estabelecemos o acordo. Se alguém aparecer com mais condições de vitória, apoiarei”, disse. Mas, nos bastidores, o entendimento é de que a reaproximação é improvável.

Planos nacionais

No meio do fogo cruzado, está o deputado federal e pré-candidato ao Executivo local Izalci Lucas (PSDB) — o tucano tende a ser a terceira candidatura com origem no grupo rorizista e arrudista. Ele aguarda, porém, a decisão da Executiva Nacional sobre a campanha. O partido analisa a possibilidade de apoiar o projeto de reeleição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), em troca de uma dobradinha no comando do GDF e do palanque eleitoral para o presidenciável Geraldo Alckmin.

A decisão deve sair até o próximo dia 15, quando acaba o mandato provisório de Izalci na Presidência regional do PSDB. Caso o partido não o apoie, ele apostará em um plano B, como uma candidatura pelo PSL. O deputado federal, entretanto, está convicto de que receberá o aval nacional para entrar na disputa. “Se tivesse dúvidas, não estaria aqui. Serei candidato a governador pelo PSDB. Disse a Alckmin que teríamos candidatura própria para dar garantias a ele”, afirmou.

Apesar das articulações dos postulantes ao Buriti, fatores externos vão interferir na formação das chapas. Pré-candidato a deputado federal, o ex-vice-governador e presidente regional do MDB, Tadeu Filippelli, avalia de que lado ficará. O apoio do emedebista é um divisor de águas, dada a estrutura do partido e o tempo de propaganda eleitoral. Ele ainda controla o PP, do deputado federal Rôney Nemer. Em troca das benesses, Filippelli exigirá a indicação do vice-governador da chapa majoritária.

O ex-governador José Roberto Arruda também vai ditar as peças. Se ele sair, abertamente, em defesa de Frejat, a tendência é de que o correligionário consiga agregar mais alianças. Muitos apostam, contudo, que o ex-chefe do Buriti apenas o fará próximo à data-limite da definição das chapas, em agosto, porque ainda aguarda decisões judiciais que podem colocá-lo de volta no páreo.

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