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Correio Braziliense

"A gente investe bastante", diz presidente do BRB em entrevista ao Correio

Na esteira do maior lucro da história do Banco de Brasília - R$ 260 milhões - , o presidente da instituição reforça o caminho cercado de otimismo. Entre as novidades estão a expansão da carteira de crédito, a melhoria dos serviços e o investimento em tecnologia


postado em 07/03/2018 06:00 / atualizado em 06/03/2018 23:37

"O nosso investimento em tecnologia nos últimos três anos foi perto de R$ 200 milhões, seja em melhoria de processos internos, seja na estabilidade de rede" (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

O Banco de Brasília (BRB) registrou o maior lucro da história da instituição: R$ 260 milhões. Os números foram publicados ontem e apresentados na segunda-feira pelo presidente do banco, Vasco Cunha Gonçalves, para uma plateia formada por funcionários, acionistas e integrantes do Executivo local, como o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg. O evento ocorreu no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), no Setor de Clubes Sul. Antes de começar a apresentação, o valor de R$ 260 milhões foi projetado para o público, que gritou e aplaudiu o resultado.

O índice positivo traz impactos econômicos e políticos. O bom desempenho deve ajudar o banco estatal a subir a classificação em agências internacionais, como a Standard&Poor’s e a Fitch Ratings. A nota dessas agências melhora a visão da instituição em relação ao mercado financeiro. As duas agências chegaram a rebaixá-la em 2014 e 2016. “Na semana passada, elas tinham colocado o BRB em perspectiva positiva. Então, quando a gente publicar o resultado, entendemos que eles podem fazer uma melhoria do rating”, avalia Vasco.

Do ponto de vista político, o resultado deve amenizar o discurso da oposição de que a troca do dinheiro do fundo do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) por papéis do BRB era um negócio ruim para o funcionalismo. Esse é o primeiro balanço divulgado tendo o Iprev como o segundo maior acionista do banco. O instituto detém 16,52% das ações e, a partir deste ano, terá direito a uma cadeira no Conselho de Administração do BRB. O colegiado tem oito cadeiras. O GDF continua como o principal acionista, com 80,33% das participações.

Em entrevista ao Correio, Vasco analisa a situação. Comemora a alta de 42% do resultado operacional do banco, ou seja, no negócio. Comenta ainda a queda da inadimplência e diz que, mesmo com o decréscimo de 7,8% na carteira de crédito, a instituição está mais sólida. Diz também que o BRB continuará investindo na micro e pequena empresa e no crédito imobiliário. Quanto à crítica da aquisição de ações do BRB pelo Iprev, é categórico: “Foi político-ideológica”.

A que o BRB atribui os bons resultados apresentados pelo balanço 2017? Vocês creditam a reestruturações internas ou à tímida recuperação da economia nacional?
O resultado não é só o trabalho de 2017. É um trabalho que a gente vem traçando desde 2015. Eu atribuo o resultado ao controle de despesas, tanto operacionais quanto administrativas. Ainda não saímos da crise. Efetivamente, a gente vê um movimento de melhoria na economia a partir do terceiro trimestre de 2017, que vem ajudar também. Mas o resultado do BRB foi um processo mais longo.

Que ações foram feitas nesse processo? 
A gente vem focado em controle nas despesas. Outro ponto importante foi o saneamento da carteira de crédito. Nós focamos em crédito de boa qualidade. Tanto é que, se você olhar o número de 2016 para 2017, a nossa carteira de crédito (em volume) diminuiu. A gente preferiu não trabalhar com um risco maior.

O que seria essa carteira de melhor qualidade? Quem paga?
Isso. O cliente pagador. Tecnicamente, a gente tem alguns conceitos, notas de clientes. Então, a nossa carteira está muito concentrada nas operações do rating (nota) bom.

O banco passou a ser mais criterioso?
Exatamente. Mais seletivo nas operações com os seus clientes.

Essa seletividade tem dado resultado?
O resultado permitiu que a nossa inadimplência, que chegou a 4,3% no ano de 2016, caísse para 2,8%. Nós estávamos com índices de inadimplência acima do nível do mercado, hoje, nós somos um dos melhores. Com a inadimplência menor, quer dizer que você está recebendo melhor.

Neste ano, o Iprev tornou-se o segundo maior acionista do BRB. Muda alguma coisa na gestão? 
Eu acho isso bom. Hoje, ainda ficam concentradas 80% das ações em poder do GDF e, mais ou menos, 16% na mão do Iprev. Em governança, o Iprev vai ter uma cadeira no conselho. Na próxima assembleia, será possível eles terem um assento no Conselho de Administração do banco. Como o maior minoritário, ele pode requerer esse assento. Isso é participar da gestão, conhecer os assuntos mais importantes e defender a instituição — acionista tem de defender a instituição, porque os dividendos vão para ele.

Há perspectiva de que mais ações do BRB sejam vendidas para o Iprev ou para o mercado?
Se o GDF tiver a disponibilidade de vender mais ações, não precisa ser necessariamente para o Iprev. Nós temos 3% de ações que estão no mercado, na bolsa, que a gente chama de free float. É pouco, o ideal é que tivesse mais. Tem outros bancos, a exemplo do Banrisul, que têm muito mais ações em poder das pessoas. Em termo de governança, a gente amplia a transparência da gestão.

Houve uma certa resistência dos sindicatos e da oposição em trocar o dinheiro do Iprev por papéis do BRB…
Foi mais por uma questão político-ideológica. Para nós, eu vejo como positivo.

Tendo uma cadeira no conselho, o representante do Iprev tem algum tipo de poder de veto?
Ele tem um voto. O Conselho tem oito cadeiras e, entre essas cadeiras, o maior minoritário tem direito a um assento. Não necessariamente ele veta alguma coisa, mas se posiciona, registra e coloca a sua posição. Isso é registrado em ata. Ao longo do tempo, as pessoas entenderão que isso é bom. O fundo precisa ter uma cesta maior de investimentos. Para eles, é positivo. A gente vai mostrar que o banco tem um resultado importante e que esse resultado será convertido para os acionistas.

Os investidores internacionais devem subir as notas do BRB?
Isso. Na semana passada, a Standard&Poor’s — que não conhece o resultado consolidado, apenas o trimestral — tinha colocado o BRB em perspectiva positiva. Com o resultado, entendemos que eles podem fazer uma melhoria do rating. Se eles colocaram em perspectiva positiva, é porque vêm acompanhando os números.

Um dos novos focos do BRB seria o crédito imobiliário. Como isso se desenvolveu? Com a retração a Caixa, foi possível crescer nesse segmento?
O crédito imobiliário vem crescendo bem. Em momentos em que a Caixa, que é o maior banco do país em crédito imobiliário, restringe um pouco mais, a gente tem demanda maior. Como funding para o crédito imobiliário é poupança e a nossa carteira de poupança veio crescendo mesmo na crise, temos crédito a oferecer. A gente continuou com as mesmas condições, não mudamos as regras. Então, a carteira de crédito imobiliário vem crescendo sistematicamente. Não tem boom nem retração.

O BRB também atua no empréstimo para a construção de habitação?
O que a gente está vendo a partir de 2017 é que as empresas estão colocando os projetos em prática. Quem financia para fazer a obra. Muitos tinham recuado. A construção civil estava com muito estoque, agora, baixaram. O setor começou a demandar mais crédito, e a gente acha que essa carteira crescerá significativamente agora em 2018. Nós temos recursos e disponibilidade para esse segmento. Esse segmento é bom porque na cadeia é o primeiro que emprega.

A queda na taxa de juros também contribuiu para essa procura por crédito?
Sim. Quando os juros caem, o investidor começa a olhar outras formas de ganhar dinheiro. Ele deixa de aplicar na taxa de mercado, que estava alta, de 14% ao ano. O investidor vai começar a tomar crédito e ir para a linha de negócio. Esse segmento da construção civil vai crescer.

Vocês estão querendo diversificar a clientela? Não ficarão tão focados no funcionalismo público.
Isso. Todos os produtos e serviços do banco são para um banco de varejo, de rede. Para atender todos os segmentos e clientela vasta. A gente está diversificando a carteira e indo para o cliente espontâneo, que é o geral, que não necessariamente está no governo, ele não é o funcionário público. A gente vem há algum tempo ampliando isso.

Essa busca pelo cliente espontâneo também está ligada à crise que o setor público — tanto distrital quanto federal — vem passando?
Nos últimos anos, o setor público não cresceu como em anos anteriores. Empregava mais, dava aumentos. Naturalmente, o BRB pegava esse boom junto. Como o governo parou de contratar, de dar aumento, estacionou, isso fez também com que nós nos movimentássemos mais em outros segmentos. O que é bom para médio e longo prazo. A gente investe bastante.

Como?
Investindo em tecnologia. Até 2015, a gente não tinha o mobile. Em 2016, começamos e, em 2017, está em 95% do que os outros bancos têm.

Essa reclamação da tecnologia do BRB era uma constante entre os clientes...
Sim. O nosso investimento em tecnologia nos últimos três anos foi perto de R$ 200 milhões, seja em melhoria de processos internos, seja na estabilidade de rede. Nós tivemos problemas sérios no passado. A gente teve episódio de o banco ficar uma semana fora do ar, isso é ruim. Ficar fora do ar tem de ser em casos pontuais, por minutos, aí, acontece em qualquer banco. Nós trocamos também todo o parque de autoatendimento. São máquinas mais modernas, com maior segurança para o cliente.

E para o próprio banco… No ano passado o BRB foi vítima de estelionatários e de explosão de caixas eletrônicos.
Segurança é o maior gasto em todo o sistema financeiro. A gente tem cooperação com todas as polícias. Todos os bancos têm. Nesse ponto, os bancos não concorrem, todos se ajudam. Nós tivemos fraudes em boletos, mas as explosões em caixas eletrônicos diminuíram por causa das novas máquinas. Nas novas, os caras não sabem onde colocar o explosivo. Houve uma tentativa no ano passado, aí eles recuaram. Aí, eles vão para sistemas mais frágeis, até eles identificarem novas formas. É uma briga de gato e rato.

Quantas máquinas novas?
Mais ou menos 750 máquinas foram trocadas, o parque todo.

E para 2018? O que o BRB espera?
A gente quer expandir a carteira de crédito, prestar serviços — muitas empresas precisam de serviços de cobrança bancária, nós estamos aí. Nós temos a nossa máquina, que é parceria com a Global Payments, que é aquela máquina que paga com o cartão. Estamos divulgando BRB Pay, estamos lançando agora. Nós temos a nossa área de seguros, que está crescendo. A gente quer atender todas as especialidades, que hoje é um banco de rede, de varejo, que tem todos os produtos, que o cliente possa necessitar.

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