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Correio Braziliense

Familiares e amigos se despedem de policial do DF morto em emboscada em MS

O policial civil Wescley Vasconcelos foi executado em emboscada em Ponta Porã (MS). De origem simples, o brasiliense que sempre quis sere policial deixa mulher e filho


postado em 08/03/2018 13:12 / atualizado em 08/03/2018 17:40

Pessoas reunidas em velório: Wescley foi morto com tiros de fuzil em Ponta Porã(foto: Antonio Cunha/CB/DA Press)
Pessoas reunidas em velório: Wescley foi morto com tiros de fuzil em Ponta Porã (foto: Antonio Cunha/CB/DA Press)

 

Wescley Vasconcelos, 37 anos, morreu antes de completar o sonho de ser delegado, lamentaram familiares no velório do policial civil, nesta quinta-feira (8/3), no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Com tristeza e revolta, amigos relembraram a infância sofrida e as vitórias ao longo da vida do brasiliense, brutalmente executado na terça-feira (6/3) em Ponta Porã (MS), onde vivia e trabalhava, a 300km de Campo Grande.

 

A família do rapaz estava muito abalada e inconsolável. A dor é ainda maior para a mãe, que, há cinco meses, lidou com a morte do filho do meio, Leandro, falecido devido a problemas neurológicos. Wescley, segundo a família, era muito apegado ao jovem. A irmã, mais nova, acompanhava o velório chorando bastante, desolada. A esposa, Renata Martinez, vestia o casaco do policial e usava seu distintivo. Muito abalada, ela não quis se manifestar.

 

As homenagens vieram em forma de depoimentos dos amigos e oração. Na hora do sepultamento, um helicóptero da Polícia Civil sobrevoou o local e lançou pétalas de flores, momento bastante aplaudido pelos presentes. A cena se repetiu três vezes.

 

 

 

Muito esforço para se tornar policial 

 

Muitos preferiram não comentar o crime, por medo. Um cunhado de Wescley, que não quis se identificar, contou que o policial brasiliense era muito conhecido dentro da corporação em todo o país. "A gente está muito abalado, apesar de saber do risco que a profissão dele traz", afirmou. Colegas da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF), Patamo e Polícia Civil do DF também participaram da despedida.

 

Tia do jovem, Ana Paula de Vasconcelos contou que os dois praticamente cresceram juntos, já que a diferença de idade entre eles era pequena. Ela elogiou a família humilde do rapaz e contou sobre o esforço dele em melhorar de vida. Antes de ser policial, Wescley trabalhava como carregador e descarregador de cargas. Segundo Ana Paula, ele trabalhava, na época, até as 2h e, depois, se dedicava aos estudos para passar em concurso público, pois tinha o sonho de se tornar policial.

 

O jovem foi, primeiramente, policial militar na Bahia e depois conseguiu passar para a Polícia Civil, sendo lotado no Mato Grosso do Sul. "O sonho dele era fazer direito, para ser delegado. Morreu antes de completar o sonho", lamentou. Ela disse ainda que Wescley estava construindo a casa dele "com muito orgulho e suor". "A vida dele foi muito sofrida. Ele é um caso de superação e um orgulho para toda a família. Às vezes, durante a noite, mandava pra gente as fotos dele rebocando as paredes da própria casa, com muito zelo e amor", afirmou a familiar, emocionada.

 

Dedicado à profissão e à família

 

Jarley Inácio, colega de trabalho em Mato Grosso, afirmou que Wescley foi "o melhor policial que ele viu em toda vida". "Nunca conheci alguém tão dedicado à profissão", garantiu, ressaltando que não se tratava de um elogio feito apenas devido ao momento. Segundo o colega, Wescley "colocava o trabalho no mesmo patamar da família", a quem também era muito dedicado. Explicou que a equipe recebia muitas ameaças, mas que o policial não demonstrava medo, pois "queria fazer a diferença".

 

Wescley, de blusa azul: trabalho para a comunidade(foto: Arquivo Pessoal)
Wescley, de blusa azul: trabalho para a comunidade (foto: Arquivo Pessoal)

Tia da mulher de Wescley, Kátia Abreu afirmou que, antes de tudo, o jovem era humano e que, além de exercer uma profissão na área de segurança, ele também era voltado ao trabalho social na comunidade em que vivia. "Tinha muita generosidade no emprego e na vida", elogiou. No domingo (4/3), lembrou, ele reuniu amigos e, em um caminhão, passaram, várias horas pelas ruas de Ponta Porã reunindo doações para uma família que teve a casa incendiada. 

 

Colegas afirmaram que ele chegou a ser convidado por um delegado-geral da Polícia Civil para escolher em qual delegacia gostaria de atuar, mas que optou pelo trabalho em Ponta Porã para continuar ajudando a comunidade da região. Outros dois colegas de Brasília, que também não quiseram se identificar, falaram sobre a cooperação entre as corporações do DF e de Mato Grosso do Sul para avançar em investigações, contando com o apoio, entre outros, de Wescley. "Poucos saberão o que ele fez pelo Brasil. Era um trabalho interno, que só quem trabalha na polícia podia possivelmente saber. Ele ajudava com investigação em todo o país", afirmou um deles.

 

Morto com tiros de fuzil 

 

Policiais civis acreditam que a forma com que Wescley foi assassinado, com tiros de fuzil, reforça uma possível retaliação ao trabalho que o investigador executava. Ele era da Seção de Investigação da Delegacia de Mato Grosso do Sul. Segundo o delegado Rodrigo Bonachi, que atuou durante quatro anos e três meses como chefe da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) do Distrito Federal, o policial sempre auxiliou em operações na cidade coordenadas pela Polícia Civil do DF. "Era um excelente profissional, uma pessoa muito experiente. Minha equipe já esteve várias vezes na região de Ponta Porã realizando diligências e ele sempre se mostrou proativo e solícito a todas as demandas", reforçou.

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