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Correio Braziliense

Observatório de Gênero reúne estatísticas sobre a situação da mulher no DF

O banco de dados foi lançado nesta quinta-feira e é uma parceria do GDF e da UnB. Governo também apresentou programa de empregos para mulheres e campanha contra assédio nos transportes públicos


postado em 08/03/2018 17:20 / atualizado em 08/03/2018 17:34

Solenidade aconteceu no Palácio do Buriti(foto: Mayara Subtil/Esp. CB/D.A Press)
Solenidade aconteceu no Palácio do Buriti (foto: Mayara Subtil/Esp. CB/D.A Press)

Para marcar o Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta quinta-feira (8/3), o Governo do Distrito Federal anunciou medidas para combater a violência e a desigualdade de gênero. Em solenidade no Palácio do Buriti, o executivo local anunciou a criação do Observatório de Gênero, que funcionará como um banco de dados de estatísticas, pesquisas e estudos sobre situação das mulheres.
 
A plataforma foi criada em parceria pela Secretaria Adjunta de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh) e a Universidade de Brasília (UnB). O observatório está disponível no site da Sedestmidh
 

Ofertas de emprego 

 
Além disso, a sercretaria lançou um banco de empregos voltados às mulheres em situação de vulnerabilidade acompanhadas pela pasta. De acordo com a secretária-adjunta Raissa Rossiter, a medida, que conta com a parceria do Senado Federal e da Câmara Legislativa, busca, principalmente, incluir mulheres vítimas de violência a retornar ao mercado de trabalho.
 
"Ao todo, 2% das vagas de terceirização em órgãos públicos devem ser destinadas às mulheres acompanhadas por nós. Hoje, o Ministério Público adotou a ação e vamos indicar essas mulheres, que precisam de ajuda”, explicou Rossiter. Na cerimônia, o protocolo foi assinado entre o executivo e o ministério.
 
Presente no lançamento, Ana Carla Rodrigues, 50 anos, ressaltou a importância da medida para mulheres como ela, acompanhada pela secretaria há oito anos. "Fui usuária de drogas, me prostituí e vivi nas ruas. Já não conto mais nos dedos as vezes que fui estuprada. Nesse tempo em que a Sedestmidh tem me acompanhado, não uso qualquer tipo de droga. Tem que ter orgulho do que fui e continuar a viver", afirmou a moradora do Gama.

Também na luta pela recolocação no mercado, a filha de pioneiros Vera Lúcia dos Santos, 53 anos, busca retomar a vida depois de sofrer com depressão. "O mercado é cruel. Se não fosse meu pai e meus filhos, que acreditam em mim, talvez eu nem estivesse aqui", contou, emocionada. "Eu sentia vergonha pela minha idade. Mas não tenho timidez em lutar", completou Vera, que também vive no Gama. 
 
Em discurso, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), afirmou que as ações ajudam o empoderamento feminino. "Esse é um momento de reflexão pelas melhorias e superação de violência contra a mulher. Sabemos que é preciso melhorar em muitos aspectos ainda", disse. 


Mobilidade


Em paralelo aos projetos anunciados pela Sedestmidh, a Secretaria de Mobilidade (Semob) anunciou uma campanha contra a violência de gênero e abuso nos transportes públicos. Segundo o sresponsável pela pasta, Fábio Ney  Damasceno, cerca de 3 mil motoristas e cobradores de ônibus passarão por um curso de capacitação com o objetivo de auxiliar mulheres vítimas de abuso dentro dos coletivos. "São 1,2 milhão de viagens, 600 mil pessoas, sendo mais de 300 mil mulheres. Ou seja, é preciso cuidado e preparo”, citou. 
 
A ação será feita em conjunto com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que vai expandir a campanha nos ônibus pelo país. O curso para os trabalhadores ainda está em fase de preparo e deve começar em junho deste ano. "É uma campanha de prevenção, principalmente, mas haverá possibilidade de denúncia também. O transporte público precisa ser visto como um espaço democrático e de respeito”, explicou o presidente executivo, Otávio Cunha. 

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