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Correio Braziliense

O adeus a Larri Costa, o "professor" de cinema da capital

Ontem, a geração de críticos de cinema por trás do balcão deu adeus ao %u201CProfessor%u201D


postado em 10/03/2018 08:00 / atualizado em 09/03/2018 23:09

(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )


Na época de ouro das locadoras, os atendentes bem informados sobre a arte cinematográfica, de forma geral, influenciavam os clientes na escolha das películas. Na capital federal, Larri da Rocha Costa cumpriu esse papel. Ontem, a geração de críticos de cinema por trás do balcão deu adeus ao “Professor”, como era chamado pelos locatários e amigos, mesmo sem a formação acadêmica que lhe concedesse o título. As causas da morte não foram divulgadas.

Muito mais do que o balconista da Loc Vídeo, na comercial da 104 Sul, Larri era considerado um crítico de filmes. Indicava como ninguém. Se o cliente queria um passatempo, apenas para relaxar no fim de semana, ou produções para servir como referência na criação de novos roteiros, o Larri sabia. Sabia tanto, que era difícil sair de lá só pagando pela promoção do ‘leve quatro e pague três’. Convencia o cliente a ponto de o locatário não conseguir carregar nas mãos tudo o que decidia levar para casa. “Da próxima vez, eu vou levar só a promoção, Larri. Eu juro!”, repetiam os compradores na porta da locadora. Promessa que antes mesmo de ser externada, estava fadada ao fracasso.

Foi conquistando amigos, que fazia questão de chamar pelos nomes, que o balconista manteve a clientela por longos anos, desafiando o declínio das locadoras. Nos tempos de VHS, passando pelo DVD e até a chegada do Blu-Ray, a Loc Vídeo tinha espaço de destaque em Brasília. Porém, nem mesmo Larri foi capaz de segurar a tradição, substituída pela invasão dos DVDs piratas e pelo rápido avanço tecnológico, com o surgimento dos serviços de exibição em streaming oferecidos pelas TVs a cabo. Depois de 22 anos, sendo que durante15 anos com Larri atrás do balcão, a locadora fechou as portas, em 30 de outubro de 2015. Ficou a filial de Águas Claras, que funciona até hoje.

O fim do negócio. O desemprego. O desperdício de um crítico de cinema em pleno vigor. Se desde 2015 as conversas e conselhos de Larri faziam falta,  o sentimento de perda agora dói mais para a produtora cultural Tâmara Habka, 33. Ela frequentava a loja desde os 20, sempre com os dois filhos, hoje com 13 e 12 anos, “ele era incrível, fez meu filho gostar de Chaplin”, contou.

O diretor de cinema André Miranda destacou que  Larri gostava de conhecer as pessoas. “Sempre sorridente e o cara das referências. Foi ele quem me indicou os títulos quando comecei a filmar. Vejo a influência dele na minha carreira”, homenageou.

Aos 60 anos, Larri deixa familiares, amigos e uma série de artistas, cineastas e diretores influenciados pelo estilo diversificado, diferente e cult que cultivava. O velório será realizado hoje, das 9h30 às 9h50, no Cemitério e Crematório Jardim Metropolitano, em Valparaíso de Goiás.

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