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Correio Braziliense

Alianças nacionais interferem em planos de pré-candidatos ao GDF

Os nomes dos concorrentes passam pela definição das legendas no cenário nacional, mas eles têm só até o 7 de abril para mudar de partido, de olho nos cargos que pretendem disputar


postado em 14/03/2018 06:00 / atualizado em 14/03/2018 09:31

(foto: Breno Fortes/CB/Da Press)
(foto: Breno Fortes/CB/Da Press)

 
Os pré-candidatos ao Palácio do Buriti têm 25 dias para se certificarem de que seus projetos pessoais se enquadram nos planos nacionais dos respectivos partidos. Após o fim do prazo de filiação, em 7 de abril, eles ficarão impedidos de trocar de sigla e terão de seguir as estratégias ditadas para a construção de palanques eleitorais aos postulantes à Presidência da República na capital. Entre os que precisam afinar os discursos, estão os deputados federais Izalci Lucas (PSDB) e Alberto Fraga (DEM), além do presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Joe Valle (PDT).

Acaba amanhã a vigência do mandato provisório de Izalci à frente da presidência regional do PSDB. A tendência é que o comandante da legenda e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin, renove o prazo da intervenção, sem, contudo, garantir o apoio à campanha do parlamentar ao Executivo local. Isso porque as alianças a nível nacional estão indefinidas e a sigla estuda firmar acordo com o PSB. Para viabilizar o acerto, Alckmin teria de garantir o apoio da agremiação ao projeto de reeleição do governador Rodrigo Rollemberg.

O alinhamento enfrenta entraves, como a disputa pelo comando do governador de São Paulo. O vice-governador do estado, Márcio França (PSB), e o prefeito da capital, João Doria (PSDB), pretendem concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, o qual está nas mãos dos tucanos desde 1995. Há rachas, ainda, em outros estados, a exemplo do Espírito Santo e de Pernambuco. Além disso, socialistas aprovaram, em convenção, uma moção que recomenda alianças do partido com forças de esquerda, o que excluiria Alckmin. A despeito dos obstáculos, lideranças do PSB e do PSDB ainda acreditam na consolidação da aliança ao longo dos próximos meses.

A seu favor, Izalci tem o apoio da bancada de deputados federais ao seu projeto, confirmada em um documento com 46 assinaturas. Mas, outro fator a ser considerado é que, antes das convenções para a definição das candidaturas, previstas para o período de 20 de julho a 5 de agosto, o PSDB terá de realizar eleições para a escolha da nova Executiva local, conforme prevê o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A disputa interna tende a ser negativa para o parlamentar, que enfrenta resistência da maioria das correntes da sigla.

Com todos os pesos na balança, Izalci Lucas terá de decidir se aposta numa futura decisão favorável da sigla e permanece no tucanato ou aceita o convite de agremiações com estrutura menor, como PSL e Podemos, e garante desde já o protagonismo na disputa pelo Buriti.

Fator Bolsonaro


O lançamento, na semana passada, da pré-candidatura do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao Palácio do Planalto pode atrapalhar o discurso planejado por Alberto Fraga nos últimos meses. O deputado federal se coloca como postulante ao Buriti, mas aliados apostam que o demista concorrerá ao Senado.

O parlamentar pretendia receber o apoio do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ), garantindo ao segundo colocado em pesquisas pelo Planalto um palanque eleitoral na capital — os dois apresentam posicionamentos similares relativos à segurança pública, como a defesa da flexibilização do Estatuto do Desarmamento e do endurecimento de penas. Em vez disso, com a entrada de Maia no páreo presidencial, o parlamentar será pressionado a defender o legado de um político que aparece com 1% de intenção de votos. O apoio de Bolsonaro, portanto, deve ser direcionado ao general de Brigada Paulo Chagas.

Recentemente, Fraga recebeu convites de filiação de outros partidos, como o MDB. A investida aconteceu depois da derrota do parlamentar na disputa pela liderança do DEM na Câmara dos Deputados, quando, apesar de deter a garantia preliminar de 18 dos 31 votos possíveis, acabou vencido por Rodrigo Garcia após a interferência no pleito de Geraldo Alckmin e do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Interlocutores, entretanto, descartam a possibilidade de o demista trocar de partido.


Palanque pedetista


Enquanto alguns postulantes ao Buriti lutam para alavancar as pré-candidaturas junto ao próprio partido, o distrital Joe Valle recebeu a bênção do presidenciável Ciro Gomes para entrar na disputa. A sigla deu carta branca para as negociações no DF, exigindo apenas que o comandante da Câmara Legislativa apresente “um bom plano à população”.

Apesar do lançamento da pré-candidatura na última semana, Valle adota um posicionamento cauteloso e também estuda sair como vice-governador ou senador. “Volto a dizer que, na política, existe uma fila. Queremos construir uma Brasília melhor. Não necessariamente preciso ser governador”, afirmou o pedetista ao falar sobre uma possível composição ao lado de Jofran Frejat (PR). O parlamentar negocia, ainda, com o PPS, do senador Cristovam Buarque, PPL e PCdoB. Ele ainda classifica como “improvável” a possibilidade de uma chapa com Rollemberg — o PDT deixou a base aliada em outubro.

A nível nacional, todavia, há grandes chances de uma coligação entre PSB e PDT. Ciro Gomes chegou a integrar o partido socialista e tem um bom relacionamento com o governador Rollemberg, ao qual evita fazer críticas públicas, e demais lideranças. A aliança, portanto, respingaria na capital. Sobre o tema, o presidenciável alegou que quaisquer decisões passariam pelo crivo de Valle.

Além de negociar com o PDT, o PSB dialoga com a Rede, da pré-candidata ao Planalto Marina Silva. A aproximação a nível nacional faria com que a sigla do postulante ao Senado Chico Leite voltasse à base governista no DF e espantaria uma possibilidade de acerto entre socialistas e tucanos.

A legenda de Rollemberg também tenta reestruturar, pelo alto escalão nacional, os laços com o PPS. Na semana passada, este último deu liberdade aos correligionários para negociações na capital. A história recente do partido, entretanto, assombra possíveis aliados. Em 2014, uma decisão de cima vetou a candidatura de Eliana Pedrosa como vice de José Roberto Arruda. 

Calendário  eleitoral


» 7 de abril
Data-limite para a desincompatibilização de cargos e filiação partidária

» 20 de julho a 5 de agosto de 2018 
Período em que os partidos estão autorizados a promover convenções para a definição dos candidatos

» 15 de agosto de 2018
Fim do prazo para partidos políticos e coligações registrarem candidaturas 

» 16 de agosto de 2018 
Início da propaganda eleitoral

» 26 de agosto de 2018
Começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão

» 29 de setembro de 2018 
Fim da propaganda eleitoral gratuita veiculada no rádio e na televisão

» 30 de setembro de 2018
Termina o período de exibição de propaganda eleitoral paga

» 7 de outubro de 2018
Primeiro turno das eleições
 
 

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