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Correio Braziliense

Projeto leva ensino gratuito de música à Casa do Cantador, em Ceilândia

O objetivo do projeto Arte Jovem é promover cidadania e inclusão social para mais de 200 crianças e adolescentes da Ceilândia


postado em 15/03/2018 06:00 / atualizado em 15/03/2018 12:43

O projeto Arte Jovem atende a 200 crianças e adolescentes de Ceilândia na Casa do Cantador(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
O projeto Arte Jovem atende a 200 crianças e adolescentes de Ceilândia na Casa do Cantador (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)


Ensinar música como forma de incentivar o exercício da cidadania, o resgate de valores e a inclusão social é o principal objetivo do projeto Arte Jovem, que beneficia 200 crianças e adolescentes de Ceilândia. As aulas gratuitas de musicalização e de instrumentos de sopro ou de percussão ocorrem na Casa do Cantador e atraem cada vez mais pessoas interessadas. Veja o vídeo:



Os cursos são direcionados para alunos de 2 a 17 anos. As aulas são oferecidas às segundas, quartas e sábados. Cada aluno estuda dois dias na semana.

Segundo o diretor artístico do projeto, o regente e professor Edmilson Júnior, 31 anos, há 80 pessoas na fila de espera. As vagas são para instrumentos como trompete, trombone, tuba, saxofone, flauta transversal, caixa, bumbo e prato. “A música ajuda a gente a abrir a cabeça, a pensar coisas boas, a ter valores, disciplina, respeito, primeiro com a banda e depois com a sociedade. O nosso objetivo é formar o cidadão”, destaca Edmilson.

O programa teve início em 2016, quando o músico se juntou ao pai, Edmilson Campos, dois irmãos e um amigo com o intuito de ensinar música para quem não tem condição de bancar um curso.

Atualmente, são 10 professores voluntários. O projeto conta também com uma equipe de apoio formada por pais de alunos. Eles se responsabilizam por tarefas como limpeza das salas de aula, manutenção do espaço e dos instrumentos, uniformes, preparo de lanches e trabalhos na secretaria.

Quem se destaca pode ter a oportunidade de participar da banda do Arte Jovem. Cerca de 80 estudantes tocam no grupo, que se apresenta em eventos em shoppings, escolas e desfiles cívicos. No fim de cada ano, eles fazem um concerto para convidados na Casa do Cantador.

Mais do que arte


A dona de casa Patrícia Assis Moraes Nunes de Araújo, 42, tem um filho de 15 anos matriculado no programa. Ela também lembra que o Arte Jovem mostra que Ceilândia tem muito talento a oferecer. “O projeto é divisor de águas nas vidas dos jovens, pois ensina não somente musicalização, mas também disciplina, convivência com outros jovens e crianças”, afirma Patrícia. “Assim tira os jovens das ruas, e evita que nossa próxima geração seja mais uma nas estatísticas de violência.”

O filho dela é João Victor Moraes de Araújo, que conta que a música o ajuda em diversos segmentos da vida. Ele também diz que um dos seus sonhos é fazer parte da banda da Polícia Militar do DF.

“Lá (no projeto) eu aprendo a ser uma pessoa disciplinada, estou perdendo a minha timidez. Acima de tudo, a música me proporciona felicidade. Tocar em uma banda é muito diferente do que apenas escutar. Você vive a música, isso proporciona arrepios e uma boa paz”, conta o garoto.

“O Arte Jovem me revigora, e ainda está tirando pessoas das ruas, das drogas e da criminalidade, dando a elas um instrumento. A música me possibilitou um desenvolvimento mais crítico e humano do mundo, me tirando de lugares que não são próprios para adolescentes e menores”, afirma a estudante de tuba Vitória Nara.

Embora tenha 21 anos, ela participa do projeto por ter iniciado seus estudos em outro programa, sob supervisão de Edmilson Júnior, há nove anos. Hoje, Vitória estuda filosofia na UnB e diz avaliar as possibilidades que a música pode proporcionar à vida dela.


Círculo virtuoso


Edmilson Júnior revela que alguns alunos se tornam professores do próprio Arte Jovem, o que acaba favorecendo a continuidade programa. Como Paulo Joaquim Chaves Amaral, 20 anos. “Fui evoluindo aos poucos, auxiliando os colegas e ajudando os professores, até ter a oportunidade de começar a ministrar aulas. Sempre quis ser professor, e exerço minha função no Arte Jovem com todo o esmero, como forma de gratidão a tudo que me ensinaram.”
A nova ocupação ajuda na profissão que Paulo escolheu. Cursando a faculdade de história, o músico diz querer lecionar também na área. “Dar aula no projeto me ajuda a aprender com o contato direto com os alunos.”

Compromisso

A música tem poder de transformar, desempenha papel fundamental na educação cultural. A afirmação é do psicólogo Daniel Röhe. Segundo ele, a música é essencial para o jovem encontrar as tradições culturais que lhe pertencem. “Esse saber é muito importante para a vida social e para o cotidiano de cada um. As narrativas musicais tiram as pessoas do isolamento porque mostram enredos com os quais nos identificamos, e assim saímos da solidão.” Daniel explica que tocar em grupo exige um compromisso de todos os envolvidos e que essa noção de trabalho em equipe “se alinha muito com a questão da responsabilidade”.
 
 

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