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Correio Braziliense

Polícia Civil prende grupo que traficava drogas sintéticas via Correios

Os produtos eram vendidos pela internet e chegavam aos compradores via Sedex. Clientes efetuavam o pagamento e os traficantes enviavam as drogas pelos Correios


postado em 15/03/2018 10:26 / atualizado em 15/03/2018 21:16

No total, são oito alvos na capital e 17 em outros estados: São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Tocantins, Rondônia, Bahia, Paraná e Minas Gerais(foto: PCDF/Divulgação)
No total, são oito alvos na capital e 17 em outros estados: São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Tocantins, Rondônia, Bahia, Paraná e Minas Gerais (foto: PCDF/Divulgação)
 
A Polícia Civil cumpriu 25 mandados de busca e apreensão, 19 de prisão temporária e efetuou duas prisões em flagrante para desarticular uma associação criminosa acusada de tráfico de drogas sintéticas, como LSD e ecstasy, via Correios. Intitulada de 'Operação Caça às Bruxas', a ação teve início na manhã desta quinta-feira (15/3), sob responsabilidade da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá).  
 
A quadrilha atuava no DF e em outras oito unidades federativas (São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Tocantins, Rondônia, Bahia, Paraná e Minas Gerais). Os 25 suspeitos responderão pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico de droga. Quatro pessoas – duas do Distrito Federal, uma do Rio Grande do Norte e uma do Paraná – seguem foragidas. 
 
Segundo a polícia, os criminosos atuavam pela internet comum e pela Deep Web (rede paralela não acessada por navegadores convencionais, na qual o monitoramento policial é mais difícil). Os suspeitos disponibilizavam o produto na internet, os clientes entravam em contato e, em seguida, um grupo em uma rede social era criado para a comunicação entre os envolvidos. Após o pagamento, o consumidor recebia o produto em casa, que era enviado via Sedex. Os criminosos atuavam principalmente em São Paulo e Goiânia. 

O delegado responsável pelo caso, Érico Vinícius Mendes, explica que a captação dos clientes ocorria pelo Facebook, por meio de perfis falsos. Após uma primeira conversa pelo chat da rede social, os envolvidos se comunicavam por grupos no WhatsApp.

"Eles se sentiam mais seguros em usar esse aplicativo. Por isso, todo o restante do esquema era realizado lá. A pessoa depositava o dinheiro da droga e recebia o produto em casa. Após a transação, ela era excluída do grupo, restrito a mais ou menos 20 pessoas. Mesmo assim, ela ainda mantinha contato com esses traficantes e a negociação ocorria em conversas privadas", detalha.

As investigações começaram em outubro do ano passado, após a prisão de um advogado que traficava no Paraná. "A gente começou a investigar os contatos dele e chegamos a essa rede nacional", diz.  O delegado ressalta que, como as drogas sintéticas são comprimidos, cartelas ou líquidas, a identificação durante o transporte era mais difícil.

A polícia não informou há quanto tempo o grupo agia, mas o delegado acredita que, em face do nível de organização, a quadrilha pode ser antiga. "No Distrito Federal, todos os presos forneciam as drogas. Apesar de não termos encontrado nenhum laboratório, havia quem produzisse os entorpecentes. Eles eram chamados de 'bruxos', daí o nome da investigação. Em Brasília, não descartamos a possibilidade de também ter havido produção", afirma.

Traficantes internacionais


Érico Vinícius explica, ainda, que o esquema nacional pode contar com colaboração de traficantes internacionais. A hipótese foi levantada com o aparecimento de Rafael Rubio de Oliveira, 35 anos, preso em 2009, no Aeroporto de Bruxelas, por tráfico internacional de drogas.

"Ele passou três anos preso quando foi pego tentando trazer ecstasy para o Brasil. Por isso, acreditamos que ele tenha contato com traficantes internacionais, que poderiam fornecer os comprimidos de ecstasy para a venda no Brasil", comenta o delegado. 

Um mandado foi expedido em nome do suspeito, que atualmente mora em Natal, mas Rafael não foi encontrado. Em uma caixa postal dos Correios alugada por ele foram encontrados 200 comprimidos de ecstasy. Além de Rafael, outros cinco investigados tinham passagem pelo mesmo crime, e um agente socioeducativo, também suspeito de integrar o grupo, já havia sido preso por roubo.

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