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Correio Braziliense

Morre o padre Armando Brédice, mais velho sacerdote católico do DF

Brédice celebrou sua última missa em 1º de março, mas foi internado no dia seguinte, com pneumonia e sinusite. Ele sofreu uma falência múltipla dos órgãos às 17h23


postado em 15/03/2018 19:41 / atualizado em 15/03/2018 21:05

"Tudo passa, fora o amor", disse ao Correio Braziliense em 29 de julho do ano passado (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 

Morreu, na tarde desta quinta-feira (15/3), o padre Armando Brédice. Ele completaria 101 anos em 22 de agosto e era o mais velho sacerdote da igreja católica de Brasília. O religioso deixa uma mensagem de amor aos fiéis, e será lembrado por sua sabedoria. "Tudo passa, fora o amor", disse ao Correio em 29 de julho do ano passado. Brédice celebrou sua última missa em 1º de março e foi internado no dia seguinte, no Hospital Santa Luzia, com pneumonia e sinusite. Conseguiu vencer as doenças, mas teve complicações e sofreu uma falência múltipla dos órgãos às 17h23.

O sacerdote nasceu em 22 de agosto de 1917, em San Marco La Catola, na Itália, e veio para o Distrito Federal há cerca de 35 anos, sendo um dos fundadores  da Paróquia Santa Terezinha, no Cruzeiro Novo, onde era vigário. “Viver aqui por todos estes anos só me faz sentir amor no coração por tudo que fiz”, declarou ao Correio ao falar sobre a própria trajetória. O padre sequer havia escolhido se mudar para Brasília, cidade pela qual veio se apaixonar - chegou a ser nomeado cidadão honorário. Ele pretendia ir em missão para a África.

Porém, por ordens dos superiores, acabou vindo para o Brasil. Chegou ao país em 1954. “Estarei neste trabalho até quando Deus quiser, porque dei a minha vida a Cristo e, até meu último momento e respiração, me dedicarei a Ele”, garantiu.  Ele fazia parte da Congregação dos Servos da Caridade, que se dedica ao cuidado e a evangelização dos menos favorecidos. É comum que integrantes da congregação deixam os países de origem em nome do evangelho e do trabalho com pobres e doentes.

Querido pelos fiéis, era conhecido, principalmente, na comunidade católica do Cruzeiro, do Sudoeste e da Octogonal. Fiéis sempre o descreveram como uma pessoa ativa, que passa “confiança, esperança e amor” tanto nas palavras quanto nos atos. Isso porque, antes de tudo, foi uma pessoa comum, e compreendia os cristãos. Sabia o que estavam passando. Antes de seguir o sacerdócio, teve uma companheira, com quem dividiu a juventude. Só se tornou padre aos 36 anos, após lutar na 2ª Guerra Mundial. Mesmo assim, não perdeu o contato com a ex-companheira, com quem falava uma vez por mês até que, em meados de 2006, em um telefonema, soube que a amiga havia morrido.

Pesar

Por meio de nota, a Arquidiocese de Brasília lamentou a morte o padre Armando Brédice. “Segundo Henrique Cavalheiro, da Pastoral de Comunicação Paroquial, o padre recebeu todos os sacramentos e até o último momento esteve sereno e tranquilo”, informa o texto. O velório começa hoje, a partir de 23h, na Paróquia Santa Terezinha, na Shces, Quadra 801, Lote 2, Cruzeiro Novo. O sepultamento será no sábado pela manhã, no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul.

Em conversa por telefone, Henrique lamentou a morte do religioso, e disse que, mesmo na paróquia, o padre era acompanhado constantemente por cuidadoras. Várias pessoas postaram mensagens de adeus ao padre no Facebook. Na página do Correio Braziliense, leitores se despediram comovidos. "Descanse na paz de Deus, querido padre Armando!", postou a internauta Vanessa Pedroza. "Linda alma! Deus está feliz em receber Padre Armando!", declarou Elayne Pereira. "Que Deus o tenha e o premie pelo trabalho apostólico feito em vida", lamentou Thales Carvalho.

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