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Correio Braziliense

A vez dos bebês: peças para crianças de até 3 anos estreiam na cidade

Espetáculos são oportunidades para ampliar o relacionamento entre mãe e bebê com atividades lúdicas


postado em 16/03/2018 05:49 / atualizado em 16/03/2018 05:38

Cena da peça Amana - Dança para bebês: a ideia é fortalecer o vínculo com a criança(foto: Arthur Monteiro/Divulgação)
Cena da peça Amana - Dança para bebês: a ideia é fortalecer o vínculo com a criança (foto: Arthur Monteiro/Divulgação)
Em tempos de tecnologia digital, muitos pais recorrem a vídeos voltados a crianças para mantê-las entretidas, sem levar em consideração a possibilidade de outras formas de conteúdo e de estímulo tátil. Para atender esse público não atendido por boa parte das produções artísticas, mesmo as infantis, os bebês brasilienses serão contemplados com dois espetáculos este mês: as peças teatrais Relicário e Amana — Dança para bebês estreiam na capital.

Com medo de a criança começar a chorar, muitas mães evitam frequentar teatros. Outras fazem malabarismo para que o bebê pare de chorar ou saem do recinto. No Amana, que estreia amanhã, a coisa é diferente: mães têm oportunidade de fortalecer vínculo com o filho sem se preocupar com o chororô. Toque e afeto são as principais ferramentas do espetáculo recheado de música ao vivo e danças inspiradas nos movimentos da água.

A apresentação feita para crianças de até 3 anos foi idealizada pelo grupo teatral Psoas e Pssoinhas, composto por Julia Ferrari, Julieta Zarza, Katine Negrão e Susana Prado. A peça surgiu depois de as integrantes irem a um workshop voltado a músicas para bebês.

A partir daí, as artistas passaram produzir para esse público. A estreia da montagem será amanhã, no Espaço Cena, como parte do 1º Encontro Internacional de Práticas Somáticas e Dança e, no dia seguinte, irá para Ceilândia. Depois da capital federal, a temporada partirá para Pirenópolis e seguirá  para São Paulo.
 
Letícia Verdi com o pequeno Heitor:
Letícia Verdi com o pequeno Heitor: "O difícil é impedi-lo de subir ao palco para participar" (foto: Arthur Monteiro/Divulgação)
 
 
Amana possui três fases: primeiro, as mães e bebês são recebidos e orientados a não se preocuparem com choro, além de serem avisadas de que podem amamentar e trocar fralda enquanto estão lá. No momento seguinte, começa a apresentação de dança inspirada em elementos da natureza, sobretudo, na água, com movimentos fluidos que têm início no chão, à altura do bebê. Por fim, começa o “baby jam”, em que todos se soltam com danças improvisadas.

“É um espetáculo contemplativo, em que as crianças observam a arte. A partir daí, vamos fortalecendo vínculo com os bebês e ganhando confiança conforme nos comunicamos com eles ao longo do espetáculo. Depois os convidamos para participar”, esclarece Susana Prado, uma das dançarinas. 

Mãe de Heitor, de 2 anos e 8 meses, Letícia Verdi, 40 anos, está acostumada a levá-lo a espetáculos infantis. “O difícil é impedi-lo de subir ao palco para participar”, brinca. “Ele quer imitar o que as atrizes fazem e adora dançar”, conta ela, que levou o filho para o Amana — Dança para bebês. Letícia vê um crescimento nesse tipo de produção para bebês em Brasília. “Esse movimento é muito bem-vindo, por causa da relevância em apresentar para as crianças desde bebês o teatro, a música, a cena e a beleza dos espetáculos”, observa.

Relicário: montagem com Gabriel Guirá e Hyandra Ello(foto: Carol Resende/Divulgação)
Relicário: montagem com Gabriel Guirá e Hyandra Ello (foto: Carol Resende/Divulgação)


Creches

A peça Relicário foi concebida pelos atores e diretores Gabriel Guirá e Hyandra Ello, em 2016, de forma independente. Depois que conseguiram apoio do FAC (Fundo de Apoio à Cultura), o teatro para bebês circulará por creches públicas e privadas do Distrito Federal. O ponto de partida serão creches do Guará, a partir do dia 21. Depois, o espetáculo segue para o Areal e, por fim, Taguatinga.

Com foco na primeira infância, Relicário é baseada em um conto do correalizador Gabriel. “Agimos como se tudo em cena fosse novidade, e a cada momento atribuindo um novo significado para os objetos em cena”, explica Hyandra Ello.

“Elaboramos um espetáculo para bebês pela vontade de experimentar esse público”, conta Hyandra, que acredita numa defasagem para produções voltadas para esse segmento. “Tem muita coisa para crianças maiores ou pré-adolescentes, agora, para bebês, é uma área pouco explorada no Brasil.” Depois de passar por creches, a peça Relicário ganhará apresentação aberta ao público na Funarte em junho.

Para Ângela Uchoa, professora no do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento da Universidade de Brasília (PED/UnB), os estímulos sensoriais que espetáculos infantis podem promover são muito importantes. “O ser humano, desde os primeiros momentos, é muito sensível à estimulação ambiental, que deve ser dada na dose certa e ajuda a desenvolver habilidades e capacidades corporais e cognitivas.”

A especialista alerta para cuidados especiais a que os realizadores culturais devem se atentar ao produzir para bebês. “Seja qual for o espetáculo, ele tem que ser adaptado ao nível de desenvolvimento e compreensão da criança. Além de que devem evitar a superestimulação, como barulheira, que pode causar irritação”, avisa.

Amana —  Dança para bebês

Plano Piloto
Amanhã 
» Local: apresentação como convidadas do evento I Encontro Internacional de Práticas Somáticas e Dança, realização IFB
» Hora: às 16h
» Local: Espaço Cena (SCN 205, Asa Norte)
» Entrada: gratuita
» Lotação: 25
» Faixa etária: até 3 anos

Ceilândia
Domingo
» Local: Teatro Newton Rossi Sesc Ceilândia (QNN 27 Área Especial lote B, Ceilândia Norte)
» Hora: às 11h e às 16h
» Entrada: gratuita com distribuição de senhas 30 min antes no local
» Duração: 30 min
» Faixa etária: 0 a 3 anos
» Acessibilidade: libras
 
* Estagiário sob supervisão de José Carlos Vieira 

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