Jornal Correio Braziliense

Cidades

A vez dos bebês: peças para crianças de até 3 anos estreiam na cidade

Espetáculos são oportunidades para ampliar o relacionamento entre mãe e bebê com atividades lúdicas

Em tempos de tecnologia digital, muitos pais recorrem a vídeos voltados a crianças para mantê-las entretidas, sem levar em consideração a possibilidade de outras formas de conteúdo e de estímulo tátil. Para atender esse público não atendido por boa parte das produções artísticas, mesmo as infantis, os bebês brasilienses serão contemplados com dois espetáculos este mês: as peças teatrais Relicário e Amana ; Dança para bebês estreiam na capital.

Com medo de a criança começar a chorar, muitas mães evitam frequentar teatros. Outras fazem malabarismo para que o bebê pare de chorar ou saem do recinto. No Amana, que estreia amanhã, a coisa é diferente: mães têm oportunidade de fortalecer vínculo com o filho sem se preocupar com o chororô. Toque e afeto são as principais ferramentas do espetáculo recheado de música ao vivo e danças inspiradas nos movimentos da água.

A apresentação feita para crianças de até 3 anos foi idealizada pelo grupo teatral Psoas e Pssoinhas, composto por Julia Ferrari, Julieta Zarza, Katine Negrão e Susana Prado. A peça surgiu depois de as integrantes irem a um workshop voltado a músicas para bebês.

A partir daí, as artistas passaram produzir para esse público. A estreia da montagem será amanhã, no Espaço Cena, como parte do 1; Encontro Internacional de Práticas Somáticas e Dança e, no dia seguinte, irá para Ceilândia. Depois da capital federal, a temporada partirá para Pirenópolis e seguirá para São Paulo.
Amana possui três fases: primeiro, as mães e bebês são recebidos e orientados a não se preocuparem com choro, além de serem avisadas de que podem amamentar e trocar fralda enquanto estão lá. No momento seguinte, começa a apresentação de dança inspirada em elementos da natureza, sobretudo, na água, com movimentos fluidos que têm início no chão, à altura do bebê. Por fim, começa o ;baby jam;, em que todos se soltam com danças improvisadas.

;É um espetáculo contemplativo, em que as crianças observam a arte. A partir daí, vamos fortalecendo vínculo com os bebês e ganhando confiança conforme nos comunicamos com eles ao longo do espetáculo. Depois os convidamos para participar;, esclarece Susana Prado, uma das dançarinas.

Mãe de Heitor, de 2 anos e 8 meses, Letícia Verdi, 40 anos, está acostumada a levá-lo a espetáculos infantis. ;O difícil é impedi-lo de subir ao palco para participar;, brinca. ;Ele quer imitar o que as atrizes fazem e adora dançar;, conta ela, que levou o filho para o Amana ; Dança para bebês. Letícia vê um crescimento nesse tipo de produção para bebês em Brasília. ;Esse movimento é muito bem-vindo, por causa da relevância em apresentar para as crianças desde bebês o teatro, a música, a cena e a beleza dos espetáculos;, observa.



Creches

A peça Relicário foi concebida pelos atores e diretores Gabriel Guirá e Hyandra Ello, em 2016, de forma independente. Depois que conseguiram apoio do FAC (Fundo de Apoio à Cultura), o teatro para bebês circulará por creches públicas e privadas do Distrito Federal. O ponto de partida serão creches do Guará, a partir do dia 21. Depois, o espetáculo segue para o Areal e, por fim, Taguatinga.

Com foco na primeira infância, Relicário é baseada em um conto do correalizador Gabriel. ;Agimos como se tudo em cena fosse novidade, e a cada momento atribuindo um novo significado para os objetos em cena;, explica Hyandra Ello.

;Elaboramos um espetáculo para bebês pela vontade de experimentar esse público;, conta Hyandra, que acredita numa defasagem para produções voltadas para esse segmento. ;Tem muita coisa para crianças maiores ou pré-adolescentes, agora, para bebês, é uma área pouco explorada no Brasil.; Depois de passar por creches, a peça Relicário ganhará apresentação aberta ao público na Funarte em junho.

Para Ângela Uchoa, professora no do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento da Universidade de Brasília (PED/UnB), os estímulos sensoriais que espetáculos infantis podem promover são muito importantes. ;O ser humano, desde os primeiros momentos, é muito sensível à estimulação ambiental, que deve ser dada na dose certa e ajuda a desenvolver habilidades e capacidades corporais e cognitivas.;

A especialista alerta para cuidados especiais a que os realizadores culturais devem se atentar ao produzir para bebês. ;Seja qual for o espetáculo, ele tem que ser adaptado ao nível de desenvolvimento e compreensão da criança. Além de que devem evitar a superestimulação, como barulheira, que pode causar irritação;, avisa.

Amana ; Dança para bebês

Plano Piloto
Amanhã
; Local: apresentação como convidadas do evento I Encontro Internacional de Práticas Somáticas e Dança, realização IFB
; Hora: às 16h
; Local: Espaço Cena (SCN 205, Asa Norte)
; Entrada: gratuita
; Lotação: 25
; Faixa etária: até 3 anos

Ceilândia
Domingo
; Local: Teatro Newton Rossi Sesc Ceilândia (QNN 27 Área Especial lote B, Ceilândia Norte)
; Hora: às 11h e às 16h
; Entrada: gratuita com distribuição de senhas 30 min antes no local
; Duração: 30 min
; Faixa etária: 0 a 3 anos
; Acessibilidade: libras
* Estagiário sob supervisão de José Carlos Vieira