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Correio Braziliense

Alvos da Operação Trickster são personagens recorrentes em casos de fraudes

Saiba quem são Pedro Jorge Oliveira Brasil e Valdir Luiz de França, acusados de desviar recursos por meio da bilhetagem automática do DFTrans


postado em 16/03/2018 05:45 / atualizado em 16/03/2018 05:34

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

Dois personagens recorrentes em investigações sobre fraudes no transporte público do DF foram alvo da Operação Trickster, deflagrada nessa quinta-feira (15/3) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do DF, para apurar o esquema de desvios de recursos por meio da bilhetagem automática do DFTrans. Saiba mais sobre eles.

 

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

Pedro Jorge Oliveira Brasil: de linha-dura a indiciado 

Piratas começaram a tomar as ruas do Distrito Federal no fim dos anos 1990. Com eles, surgiram denúncias de corrupção no sistema de transporte público. Fiscais eram acusados de fazer jogo duplo. Receberiam propina das cooperativas dos clandestinos para ignorar a pirataria, e das empresas de ônibus, para aumentar o cerco à pirataria. Ganhando dos dois lados, fariam operações esporádicas para mostrar serviço. A Polícia Civil não apurou as denúncias. Em pouco tempo, havia na capital mais vans e ônibus irregulares levando passageiros do que ônibus regular.

Pedro Jorge Oliveira Brasil trabalhava no Departamento Metropolitano de Transportes Urbanos (DMTU), que passaria a se chamar DFTrans. Pedro era apontado como integrante de um trio de fiscais linha-dura. Grupo odiado pelos piratas. Chegaram a receber ameaças de morte e, mais de uma vez, tiveram de ser resgatados por policiais em operações contra os clandestinos. Ele e os colegas andavam de coletes parecidos com os da Polícia Civil (foto). Reivindicam o direito à posse de arma de fogo. Alegavam exercer uma profissão de risco. Era época do terceiro governo de Joaquim Roriz. O então peemedebista tinha como bandeira legalizar as vans piratas. Criou o Sistema de Transporte Público Alternativo, mas a Justiça considerou a medida ilegal.

A era Roriz chegou ao fim, mas o auditor-fiscal de atividades urbanas Pedro Jorge Oliveira Brasil, servidor público de carreira, continuou na área de transporte público. Desde 2014, Pedro Jorge está lotado em uma área de controle interno, a Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle (Sufisa) vinculada à Secretaria de Mobilidade do DF.

Em 2017, o antigo fiscal durão foi preso em casa, na Operação Check List, acusado de cobrar propina na liberação de ônibus para transporte rural sem vistoria. Pedro Jorge, que se tornou réu em denúncia do Ministério Público do DF, recebeu a visita da polícia novamente na manhã de ontem. Dessa vez, entrou no camburão com a mulher, Hedvane Ferreira de Souza Brasil. Eles são acusados de montar um esquema de fraudes para arrecadar R$ 500 mil por semana com a inclusão de empresas fictícias e passageiros fantasmas no sistema de bilhetagem automática do DFTrans.
 
Valdir Luiz de França ao lado do ex-governador José Roberto Arruda(foto: José Varella/CB/D.A Press)
Valdir Luiz de França ao lado do ex-governador José Roberto Arruda (foto: José Varella/CB/D.A Press)
 

Valdir Luiz de França: cabo eleitoral valentão

Entre os presos na Operação Trickster, ontem, um é famoso na política brasiliense. Valdir Luiz de França, o Valdirzão, é cabo eleitoral profissional. Fez-se conhecido nas campanhas do ex-governador Joaquim Roriz. Costumava carregá-lo nas costas em comícios. Também era conhecido por ameaçar e intimidar adversários dos seus clientes. Agrediu políticos e jornalistas.

Mas fidelidade e ideologia partidária nunca foram o forte de Valdirzão. O que importa é o dinheiro. Quem paga ganha em troca os serviços variados. Em entrevista ao Correio em 2006 — quando levou nos braços o então candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, que se viu na saia justa de ser carregado por um homem acusado de crimes —, Valdirzão disse ter feito campanhas para o PT nas eleições de 1988, quando Luíza Erundina foi eleita prefeita de São Paulo, e, em 1989, para Lula. No DF, sua imagem é ligada ao grupo de Roriz, mas atuou nas campanhas de José Roberto Arruda (ex-DEM) e de Agnelo Queiroz (PT).

Formado em pedagogia, Valdirzão policial militar, salva-vidas e líder dos motoristas de transporte pirata, no DF e no Entorno. Em 2005, o Ministério Público Federal o denunciou à Justiça por participação na máfia dos concursos. Ele seria encarregado de recrutar candidatos interessados em receber os resultados das provas. Na época, negou fazer parte da quadrilha, mas assumiu ter passado no exame após receber informações privilegiadas, negando ter pagado por isso.

Do alto de seus 1,92m e 47 anos, Valdirzão acabou na delegacia algumas vezes por causa de agressões. Um ano após ser detido por suposta participação na máfia dos concursos, foi acusado de agressão pelo então candidato a distrital pelo PSL Aílton Leão e o irmão dele, Ricardo Aguiar. A confusão aconteceu na Feira de Planaltina, quando militantes de Maria de Lourdes Abadia (PSDB) e de José Roberto Arruda disputavam território. Um grupo de 30 pessoas liderado por Valdirzão teria provocado o desentendimento ao exigir a saída dos militantes.

Em 2015, policiais goianos prenderam Valdirzão sob acusação de fraudes em licitação do transporte público e escolar de Planaltina de Goiás. Outra nove pessoas foram indiciadas, incluindo o ex-prefeito da cidade José Olinto Neto, o filho dele Eduardo Olinto e vereadora Stella Maris Galvão Lombardi. Segundo a investigação do Ministério Público de Goiás, o grupo teria fraudado ao menos R$ 5 milhões nos processos licitatórios. Os desvios teriam ocorrido entre 2009 e 2012, durante o mandato de Olinto. (RA)

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