Publicidade

Correio Braziliense

Páscoa deste ano será recheada de lucro e sabor para o comércio do DF

Expectativa do comércio é de que as vendas de chocolates representem um aumento de 3% no faturamento do segmento. Previsão é vender 1,6 milhão de ovos até o feriado de 1º de abril. Produção artesanal também entra na disputa pelo cliente


postado em 17/03/2018 08:00 / atualizado em 22/03/2018 10:03

Vendedora Márcia Assunção está entusiasmada com a proximidade da data e acredita que metas serão ultrapassadas com facilidade (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Vendedora Márcia Assunção está entusiasmada com a proximidade da data e acredita que metas serão ultrapassadas com facilidade (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
 
A exatos 15 dias para a Páscoa, o comércio do Distrito Federal está preparado para lucrar com o feriado mais doce do ano. Para 2018, as perspectivas são positivas, e o volume de vendas pode superar o registrado no ano passado, de acordo com o Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista).

No último ano, aproximadamente 1,4 milhão de ovos foram vendidos. Para 2018, a expectativa é comercializar 1,6 milhão de unidades. “A redução dos juros e das taxas de inflação permitem cenário otimista entre os lojistas. Por ano, as unidades vendidas crescem cerca de 15% em relação à data anterior e continuamos com essa projeção”, disse o presidente do Sindivarejista, Edson de Castro.

Os comerciantes também se mostram otimistas para a festividade que se aproxima. Proprietário de uma loja de chocolates, Rogers Romano prevê que o volume de vendas cresça, no mínimo, 10%. “Vendemos cerca de 4 mil itens na última Páscoa. Praticamente todos os produtos que trouxemos para a loja foram comercializados. A nossa filosofia é comprar na quantidade certa para não sobrar nem faltar. Não podemos ficar em cima do muro. Neste ano, vamos continuar assim”, explicou.

Além disso, segundo Romano, a perspectiva é boa por conta dos resultados atingidos pela loja nos últimos meses. “Desde o Natal, estamos com bons resultados. Para a próxima data festiva, com certeza acontecerá o mesmo. Como os meses anteriores foram muito bons, não tem por que a época em que mais se vende chocolates ser diferente”, comemorou. Para atingir a meta, a loja que comanda tem uma estratégia. “Projetamos 18 novos tipos de ovos para serem comercializados no fim de semana do feriado. Como os consumidores buscam novidades, certamente eles vão se sentir mais atraídos por um produto que tenha a caixa, recheio ou modelagem diferente”, prevê.

Vendedora em outra loja de chocolates, Márcia Assunção também espera uma Páscoa mais lucrativa do que a de 2017. “A expectativa é grande. Desde o início do ano, conseguimos ultrapassar as metas mensais. Está dando tudo certo até aqui e o pensamento é o mesmo para a data que se aproxima”, frisou. De acordo com ela, a loja está se adaptando ao feriado. “Hoje, cerca de 70% dos produtos à venda estão relacionados à data. E como atendemos público diversificado, teremos lançamentos voltados a cada tipo de consumidor, como para crianças e para namorados”, ressaltou.
 

Animação

De acordo com dados do Outdoor Social, negócio que leva publicidade às comunidades e gera renda para os moradores, o crescimento deve ser percebido principalmente nas periferias. “Em 2017, as classes populares obtiveram potencial de consumo de R$ 26,3 milhões e a estimativa para 2018 é de que chegue a R$ 27,7 milhões,  tanto pela recuperação da economia quanto pela oferta de produtos mais acessíveis”, destacou a fundadora do projeto, Emília Rabello.

O feriado cristão na casa do funcionário público Josimar Bochine, 38 anos, deve ser melhor em relação a 2017. “Ano passado, fiquei receoso em gastar muito. Felizmente, este ano está mais tranquilo. Pude me preparar melhor. Vai ser uma Páscoa mais recheada”, garantiu. O único problema, segundo ele, será escolher os produtos certos. “As crianças sempre preferem aqueles que têm brinquedo ou brinde, enquanto os adultos priorizam sabores específicos. Vou precisar escolher”, comentou.

Até quem não tem o costume de comprar chocolate para a data pensa em presentear alguém. É o caso da estudante Maria Elisa Pauly, 24. “É muito difícil eu comprar algum ovo, mas desta vez estou considerando presentear um amigo”, respondeu. “Vou começar a pesquisar os preços”, animou-se a estudante.
 

Cautela

Ainda preocupada com gastos elevados, a servidora pública Luciane Renault, 44, organizou uma lista enxuta para o marido e os filhos. “Apesar de tudo o que se fala, eu não posso gastar mais do que o habitual. Estamos passando por um período de incertezas. O meu salário é o mesmo há anos. Pode ser que compre menos do que antes”, avaliou.

A administradora Simone Lima, 31, colocou no papel o quanto pretende gastar. “Em 2017, reservei R$ 60. Para este ano, vou me basear por esse valor”, garantiu. A administradora disse que vai comprar no máximo dois ovos, mas pensou em uma maneira de fazer o dinheiro render. “A ideia é ir atrás de promoções”, assegurou.

O planejamento feito por Simone está de acordo com o que defende o professor de finanças da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Piscitelli. Os consumidores não podem se deixar levar pelas perspectivas do comércio, mesmo com a redução dos juros e da inflação, ressaltou. “O sentimento positivo do comércio pode estimular as pessoas a consumirem, mas a situação ainda não é propícia. Pesquisar preços, escolher chocolates mais baratos e não assumir compromissos a longo prazo é imprescindível”, aconselhou.
 

Alternativas

No comércio, os preços dos ovos vão de R$ 5 e R$ 650. Contudo, esses não são os únicos lugares em que os consumidores podem comprar chocolates. Uma opção rentável são os ovos artesanais, como os feitos para comer de colher. “É uma forma que muitos encontram para ter renda extra. Entre 6 mil e 8 mil consumidores devem optar por esses produtos. É um período favorável para o surgimento de microempreendedores”, destacou Edson de Castro, do Sindivarejista.

Desde janeiro, a servidora pública Mayara Dias, 25, se prepara para o feriado. “No início, achei que não iria dar certo. Mas fiz testes, degustações e o produto foi bem aceito. Por dia, acredito que vou fabricar até 50 ovos”, calcula.

A doceira faz ovos de 150g, 250g, 350g e 500g, que custam de R$ 14 a R$ 50. Ela defende que, além do preço acessível, a qualidade dos ovos é melhor. “Os ovos das fábricas são produzidos em série. Geralmente começam a ser feitos no ano anterior e, por isso mesmo, recebem conservantes e estabilizantes. Assim, duram cerca de seis meses. Os ovos caseiros são feitos individualmente. Duram até sete dias, respeitando o tempo dos recheios”, detalhou.

Gerente Rogers Romano aposta em novos sabores a cada ano na Páscoa (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Gerente Rogers Romano aposta em novos sabores a cada ano na Páscoa (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )


Compra certa

» Dê preferência a chocolates puros, evite produtos hidrogenados;
»  Não é necessário exagerar no tamanho. Um ovo de 250g é suficiente;
»  Evite comer o ovo de Páscoa todo de uma vez. Divida em quatro pedaços e coma ¼ a cada dia;
»  Escolha chocolates que possuam pelo menos 70% de cacau em sua composição.

Fonte: Nutricionista Clayton Camargos

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade