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Correio Braziliense

Polícia deve concluir inquérito sobre desvio do DFTrans semana que vem

Inquérito deve ser concluído na próxima semana; após a prisão dos líderes da quadrilha, polícia estuda como organização criminosa agia para fraudar sistema de bilhetagem do DFTrans e assim chegar aos idealizadores do crime


postado em 17/03/2018 08:00 / atualizado em 06/04/2018 17:47

Dinheiro encontrado na casa de um dos suspeitos investigados (foto: Reprodução/WhatsApp )
Dinheiro encontrado na casa de um dos suspeitos investigados (foto: Reprodução/WhatsApp )

 

O inquérito sobre o esquema que pode ter desviado cifras na casa do bilhão de reais dos cofres do DFTrans deve ser concluído na próxima semana. Com os líderes da organização criminosa presos temporariamente, a Polícia Civil do DF se debruça sobre as informações levantadas durante as diligências da Operação Trickster, deflagrada quinta-feira no Distrito Federal, Entorno, Pernambuco e Paraíba, para entender como a quadrilha agia para fraudar o Sistema de Bilhetagem Automática (SBA) e quem são os responsáveis pela articulação criminosa.

Entre os 34 presos, está Pedro Jorge Oliveira Brasil, 47 anos. Ele foi detido em casa, no Gama, e é apontado como um dos mentores do grupo. O auditor-fiscal de atividades urbanas é ex-servidor do DFTrans e estava, atualmente, lotado na Subsecretaria de Fiscalização Auditoria e Controle (Sufisa), vinculada a Secretaria de Mobilidade (Semob). Ele portava uma senha que o permitia inserir informações falsas no SBA, como cadastrar empresas de fachada e funcionários fantasmas para receber o ressarcimento de vales-transporte de passagens que nunca aconteceram.

Segundo a investigação, para manter o esquema funcionando, Pedro Jorge contava com a ajuda de quatro comparsas que também eram determinantes para o sucesso das fraudes. Os investigadores prenderam quinta-feira, em João Pessoa (PB), os advogados Vinicius Volpon Quantio, André Vidal Vasconcelos e Rodrigo José Silva Pinto. Os três desembarcavam com frequência em Brasília para se reunir com o líder do bando e ostentavam uma vida de luxo na região metropolitana da capital paraibana. Com eles, foi apreendido dinheiro em espécie, joias e celulares. Também fazia parte do comando da quadrilha o técnico em informática Renato Melo Alves. Ele foi preso em Brasília.

Uma das linhas de investigações é que eles lavavam o dinheiro do esquema comprando imóveis em João Pessoa. “Diligências foram desenvolvidas na cidade de João Pessoa e já foram colhidos indícios, por exemplo, de aplicação de alguns milhares de reais em investimentos no mercado imobiliário”, apontou o delegado-chefe da Coordenação de Combate ao Crime Organizado, contra a Administração Pública e contra a Ordem Tributária (Cecor), Fernando Cesar Costa.  Todos estão detidos no Departamento de Polícia Especializada (DPE) e serão interrogados nos próximos dias.

Funções definidas

Vinicius Volpon Quantio, 38, é considerado braço direito de Pedro Jorge e atuava diretamente na organização das atividades do grupo. As investigações apontam que Pedro Jorge compartilhava com ele a senha que possibilitava inserir informações no sistema. Por meio de conversas de WhatsApp, os dois planejavam os golpes. Em uma troca de mensagens, Quantio cobra de Pedro Jorge a quitação de dívida feita com a compra de equipamentos. “Bom dia Pedro, quero que seja franco comigo, sempre joguei limpo com vc, só desta última vez agora gastei mais de 30 mil por vc, somando validadores, POS, cartão” (sic).

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão no escritório de advocacia de Rodrigo José Silva Pinto, 36, e André Vidal Vasconcelos, 42, em João Pessoa. Eles são sócios da VP Investimentos e Consultoria. A empresa foi a primeira a receber os valores desviados de vale-transporte inseridos pela senha de Pedro Jorge no sistema do DFTrans e a única utilizada no esquema que possuía CNPJ verdadeiro, de acordo com o inquérito. O grupo teria usado a VP Investimentos como teste para verificar se o plano daria certo. Na primeira operação, eles faturaram R$ 250. Depois de conseguir debitar o valor, a organização criminosa passou a cadastrar empresas fictícias e aumentar o valor das transações.

Rodrigo José Silva Pinto foi preso em sua casa de praia no litoral paraibano. Ele ainda tem um imóvel no centro de João Pessoa. Em conversa com Pedro Jorge, Pinto comemora a ação da quadrilha. “Agora em janeiro isso acaba. Pode ficar tranquilo. Vamos ganhar dinheiro”. Assim como Rodrigo, André Vidal Vasconcelos Silva tinha a missão de organizar as finanças, segundo indicam as investigações. Ele chegou a abrir conta da empresa VP em Brasília, para facilitar as operações financeiras.

No alto escalão da organização, também estava Renato de Melo Alves, 30. O técnico em informática é ex-funcionário da empresa Defender Conservação e Limpeza Ltda., contratada pelo DFTrans em janeiro de 2016 para prestar serviços de apoio operacional no SBA. Segundo as investigações, ele orientava Pedro Jorge sobre como acessar o sistema e que senhas usar. Ele também era responsável por adulterar os relógios e datas dos validadores para permitir descarregar cartões que possuíam limites diários para uso. Eles vão responder por estelionato majorado, peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.



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