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Correio Braziliense

Pessoas com síndrome de Down aprendem profissões em projetos do Senac

Pessoas com síndrome de Down aprendem a ser garçons ou auxiliares de cozinha em projetos do Senac em Brasília


postado em 17/03/2018 08:00 / atualizado em 16/03/2018 22:58

Profissionais de primeira: curso de garçom melhora a autoestima dos alunos (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )
Profissionais de primeira: curso de garçom melhora a autoestima dos alunos (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )


Promover inclusão social preparando pessoas com necessidades especiais para o mercado de trabalho é o objetivo de dois projetos do Senac em Brasília. O primeiro ensina técnicas de garçom para quem tem síndrome de Down. O outro é um curso de auxiliar de cozinha, em parceria com a Apae, para indivíduos com alguma deficiência intelectual.

O primeiro grupo está em aula desde 19 de fevereiro. São oito alunos entre 18 e 45 anos que aprendem como ser garçom em restaurantes mantidos pelo Departamento Nacional do Senac em locais como o Congresso Nacional e a Confederação Nacional do Comércio.

No ano passado se formou a primeira turma deste projeto. Com duração de 504 horas, o curso acontece de segunda a sexta e tem conclusão prevista para o fim de maio. “O intuito é preparar esses alunos para se inserirem no mercado”, afirma a gerente pedagógica do Centro de Aperfeiçoamento do Departamento Nacional do Senac, Patricia Garcia, 45 anos.

A gerente ressalta que os alunos assimilam as tarefas e as executam “com excelência”. “Eles são espontâneos, alegres, quebram um pouco essa coisa de que o atendimento tem de ser mecânico. Esses alunos são genuínos.”

Os estudantes são acompanhados pela instrutora Michelle de Araújo da Anunciação, 31, que aponta o projeto como transformador. “É uma quebra de paradigma. A gente vê o amor deles no que fazem, o sorriso em cada ação, tudo o que fazem é ótimo. O aprendizado da gente com eles é constante. A percepção que tenho é a de que eles só precisam de pessoas que confiem mais neles.”
 

Integração

Mais do que ensinar uma profissão, o curso tem sido importante para o bem-estar do aluno e a relação dele com as pessoas com quem convive. Os pais relatam que a atividade tem contribuído para a autoestima de seus filhos.

Mãe do aluno Marcelo Gama, 34, a psicóloga Helenice Gama, 74, diz que o filho se fechou para o mundo com o passar dos anos, por se enxergar diferente das outras pessoas. “Ele viu a irmã gêmea e o irmão se formarem, se casarem, e ele não. Por isso ele se apagou, se fechou no mundo dele. Esse projeto abriu as portas de um novo mundo. Ele está se sentindo muito bem”, comemora Helenice.

Mesmo tímido e falando pouco, Marcelo se diz feliz por aprender a ser garçom. “Aqui é muito bom.” Quem o acompanha fala que ele capta as orientações com facilidade e que executa as ações com destreza.

Para a servidora aposentada Marilia de Aguiar Barozzi, 64, o filho, Lucas de Aguiar Barozzi, 22,  apresentou mais “noções de limite e disciplina” e está até conversando mais em casa desde o início das aulas. O aluno Alysson Mayer Nunes da Costa, 27, também se diz mais feliz com o curso. Segundo a mãe, a dona de casa Maria do Carmo Nunes da Costa, 53, o envolvimento com a atividade o ajudou até mesmo a perder a vergonha de se comunicar. “É o terceiro curso de garçom que ele faz, mas o primeiro só com pessoas com Down. Eu vejo que ele está se dando muito bem, cada vez fala mais.”

A aluna Victória Anthero Marques, caçula da turma, com 18 anos, é uma das mais participativas durante as aulas. Em casa, ela sempre quer mostrar como é o dia a dia na sala de aula. “Ela está gostando muito, está motivada, está fazendo coisas que não sabia. E ela quer mostrar pra gente o tempo todo o que está aprendendo, está mais dinâmica”, declara o pai, o servidor aposentado Gilberto Marques, 57.

"Eles são espontâneos, alegres, quebram um pouco essa coisa
de que o atendimento tem de ser mecânico. Esses alunos são genuínos”


Patrícia Garcia, gerente pedagógica do Senac

 
 

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