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Correio Braziliense

Caso de mulher morta em casa em Ceilândia será tratado como feminicídio

Mary Stella pediu socorro aos vizinhos ao perceber que o marido Júlio César dos Santos estava armado. Ele atirou contra ela pelo menos quatro vezes antes de cometer suicídio. Polícia encontrou oito cartuchos intactos de munição no carro do agressor


postado em 17/03/2018 13:26 / atualizado em 17/03/2018 13:27

"Socorro, ele está armado", teria sido as últimas palavras da vítima, antes de ser morta com cerca de quatro tiros, segundo depoimento um vizinho (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

O mais recente caso de violência contra a mulher no Distrito Federal será investigado como feminicídio pela Polícia Civil. Na tarde de sexta-feira (16/3), o piloto do Metrô Júlio César dos Santos, 38, matou a mulher, Mary Stella Maris Gomes Rodrigues dos Santos, 32, na casa do casal, em Ceilândia, e tirou a própria vida, na frente do filho mais novo do casal, de apenas 2 anos

  

Correio teve acesso com exclusividade ao depoimento de testemunhas do caso. Elas relataram que Mary Stella pediu socorro ao perceber que o companheiro estava armado. "Socorro, ele está armado!", gritou a vítima, pedindo ajuda aos vizinhos, momentos antes de ser atingida por quatro disparos, segundo depoimento um vizinho que presenciou o crime.

 

Júlio e Mary Stella eram casados havia 12 anos. O casal estava em processo de separação e ele a teria convencido a reatar o relacionamento há poucos dias. De acordo com o delegado-chefe da 23ª Delegacia de Polícia, Victor Dan, responsável pelo caso, os investigadores não identificaram porque Júlio a matou.

 

Também não se confirmou se Júlio tinha porte porte de arma — ele usou um revólver calibre 38 para cometer o assassinato. Em depoimento, um vizinho disse que desde cedo, pela manhã, era possível ouvir as discussões do casal. "À tarde, ouvi gritos de socorro vindos da casa e, assim que saí na rua, vi que Mary Stella apareceu no portão e insistiu por ajuda. Júlio Cesar sacou uma arma de fogo, tipo revólver, e disparou cerca de quatro vezes contra ela", continua o relato.

 

O filho mais novo do casal presenciou a cena. O segundo o sargento do 11º Batalhão de Polícia Militar Edson Tavares, vizinho do casal que também testemunhou o crime, não conseguiu chegar a tempo de evitar as mortes. "Quando ouvi os disparos, fui para frente do portão. Tivemos que arrombá-lo e, assim que entrei, vi os dois caídos no chão e o filho deles muito assustado, em cima dos corpos. Ele dizia 'sai daqui, sai daqui', com medo. Foi quando eu disse que estava ali para ajudar a mãe dele. Só assim ele se acalmou e veio para o meu colo", detalhou o militar, em entrevista ao Correio.

 

No Boletim de Ocorrência consta que dentro da casa do casal foram encontrados quatro cofres. Os investigadores aguardam a perícia abrí-los. "Dentro do carro do Júlio César, encontramos mais munição", informou o delegado. Os oito cartuchos intactos foram apreendido pela Polícia Civil e passarão por perícia, assim como os celulares dele e de Mary Stella, que estavam na garagem — onde o crime aconteceu. 

 

O Conselho Tutelar de Ceilândia foi acionado para verificar a situação dos filhos do casal, de 10 e 2 anos de idade. O mais velho estava na escola no momento do crime. Os meninos ficarão sob a custódia de parentes. 

 

44 mortes em dois anos 

 

Em 9 de março de 2015, o feminicídio passou a fazer parte das qualificações de homicídio dispostas no Código Penal. A Lei nº 13.104 alterou o texto do conjunto de normas, que passou a classificar esse tipo de crime como prática “contra a mulher por razões da condição de sexo feminino”.

 

Segundo o texto, as razões consideradas como “condição de sexo feminino” incluem violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A pena pode variar de 12 a 30 anos de reclusão.

 

Desde a criação da lei, a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social divulga dados anuais sobre a quantidade de feminicídios registrados no DF. Entre 2015 e 2017, 44 mulheres foram vítimas de feminicídio.  

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