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Correio Braziliense

Bispo acusado de desviar dinheiro de fiéis é cidadão honorário de Brasília

Preso em operação do MPGO nesta segunda, dom José Ronaldo foi pároco em Sobradinho entre 1985 e 2007 e recebeu o titulo de Cidadão Honorário de Brasília


postado em 19/03/2018 14:50 / atualizado em 19/03/2018 19:08

Em novembro de 2014, dom José Ronaldo foi transferido para ser bispo em Formosa(foto: Diocese de Formosa/Divulgação - 7/11/07)
Em novembro de 2014, dom José Ronaldo foi transferido para ser bispo em Formosa (foto: Diocese de Formosa/Divulgação - 7/11/07)
O bispo dom José Ronaldo, preso, nesta segunda-feira (19/3), acusado de desviar recursos da Diocese da Igreja Católica de Formosa, estudou filosofia e teologia no Seminário Maior Nossa Senhora de Fátima, no Lago Sul, e foi pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Sobradinho, entre 1985 e 2007.

O religioso é mineiro de Uberaba (MG). Antes de Formosa, ele foi bispo de Janaúba, onde o nome dele também esteve envolvido em denúncias de irregularidades na movimentação de recursos da Igreja Católica. Em Sobradinho, não há registros de denúncias.

No Distrito Federal, Dom José Ronaldo recebeu o titulo de Cidadão Honorário de Brasília (2002) e Cidadão Destaque de Sobradinho (2005), em ambos casos pela Câmara Legislativa. Ele também recebeu a premiação de Amigo da Academia Nacional de Polícia, do Departamento de Polícia Federal.
 

Denúncias em Janaúba

Dom José Ronaldo assumiu a Diocese de Janaúba em agosto de 2007, logo depois de ser nomeado bispo pelo papa Bento XVI. Em 2010, após ele ter nomeado um irmão para a gerência de Finanças da Diocese de Janaúba, surgiram denúncias de irregularidades na movimentação de recursos da Igreja Católica na cidade.

Na época, o bispo negou a acusação de desvios, que atribuiu a "algumas pessoas" que, segundo ele, agiam de "maneira orquestrada como forma de desestabilizar" a sua gestão frente à igreja. As suspeitas não chegaram a ser investigadas nem houve abertura inquérito.

Na sequência, surgiram denúncias sobre furtos a fiéis dentro da igreja, que seriam cometidos por jovens que moravam com dom José Ronaldo na Residência Diocesana. Os rapazes tinham sido levados de Brasília para Janaúba pelo bispo. O líder religioso voltou a negar as acusações, mas filmagens dos furtos durante as missas levaram à abertura de inquérito pela Polícia Civil.
 

Operação Caifás


Em novembro de 2014, dom José Ronaldo foi transferido para ser bispo em Formosa e, segundo denúncias de fiéis, começou a desviar recursos da igreja em 2015. Foras essas denúncias que levaram as polícias Militar e Civil de Goiás cumprirem, nesta segunda-feira, 13 mandados de prisão e 10 de busca e apreensão contra líderes religiosos do Entorno, entre eles dom José.
 
A Operação Caifás, do Ministério Público de Goiás, mira desvios de recursos da Diocese da Igreja Católica de Formosa e de paróquias ligadas a ela. De acordo com o MPGO, foram desviados recursos arrecadados com dízimos, doações, taxas de batismo, casamento e outros serviços, e arrecadações festivas realizadas com apoio de fiéis. O total desviado é estimado em R$ 2 milhões.
 
 
 
A assessoria de imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disse à reportagem que aguardava informações completas da assessoria jurídica para se pronunciar sobre a operação que levou à prisão dos religiosos.
 
Segundo documento da 1ª Promotoria de Justiça de Formosa, a lista de investigados, para os quais foram solicitados mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva, é formada por 11 suspeitos: Epitácio Cardozo Pereira; padre Waldson José de Melo; padre Moacyr Santana; padre Mário Vieira de Brito; Darcivan da Conceição Serracena; José Ronaldo Ribeiro; Duílio Rodrigues Menezes; Guilherme Frederico Magalhães; Antônio Rubens Ferreira; Pedro Henrique Costa Augusto; Edimundo da Silva Borges Junior.
 
Desses, Edimundo da Silva, Darcivan da Conceição e Duílio Rodrigues não foram presos, segundo o Ministério Público.
 

Com informações do Estado de Minas
 
* Estagiário sob supervisão de Humberto Rezende 

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