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Correio Braziliense

Lama, poeira e alagamentos: população de Valparaíso pede socorro

Comerciantes e moradores reclamam da infraestrutura da cidade. Constantes inundações são a principal preocupação de quem passa pelo município goiano


postado em 21/03/2018 14:48 / atualizado em 21/03/2018 14:49

Buracos, poeira e alagamentos são problemas constantes na região(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Buracos, poeira e alagamentos são problemas constantes na região (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

A rotina para quem transita pela Rua 1 do bairro Morada Nobre, avenida marginal à BR-040, em Valparaíso de Goiás, tem sido marcada por muitos transtornos. Independentemente das condições climáticas, quem trabalha ou mora perto da via tem de enfrentar diferentes adversidades praticamente todos os dias. Com o tempo seco, o intenso trânsito de carros faz com que as lojas da rua sejam invadidas por poeira. Com as chuvas, a pista fica completamente alagada e o prejuízo é certo. 
 
Na tarde de terça-feira (20/3), uma chuva forte no local provocou uma correnteza de lama e água, tão forte que arrastou carros e pessoas precisaram ser resgatadas de dentro dos veículos por um guincho. Vídeos obtidos pelo Correio mostram o drama da população. Apesar da gravidade, não há informações de feridos. 
 
 
A situação não é inédita e, à espera de mudanças, as pessoas que são afetadas ficam preocupadas. “Eu não consigo manter a loja limpa. É ruim, porque as pessoas querem sentar ou deitar nos colchões. Quando elas chegam, e veem que está sujo, se afastam. Já perdi colchões por causa da poeira. É um grande prejuízo”, lamentou o proprietário de uma loja de colchões, Bráulio Rodrigues, 34 anos. Segundo ele, os alagamentos na via não são novidade. Contudo, a situação piorou desde que a Rua 6, interligada à Rua 1, passou por mudanças.
 
Proprietário de uma loja de colchões, Bráulio Rodrigues reclama da infraestrutura da região(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Proprietário de uma loja de colchões, Bráulio Rodrigues reclama da infraestrutura da região (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

“A enxurrada alaga a avenida inteira. Como arrancaram o asfalto da Rua 6 para trocar por outro, a terra que vem de lá é o que mais incomoda agora. Começaram a obra, mas não terminaram”, explicou Bráulio. Além disso, os comerciantes do local reclamam dos buracos na via e das bocas de lobo. “A Prefeitura tapa os buracos, mas não faz do jeito certo. Na primeira chuva forte, está tudo esburacado de novo. As bocas de lobo não suportam tanta água, e quase sempre entopem. Além da lama, a água carrega cascalhos e pedras grandes. Isso vai acumulando e a situação piora a cada dia”, comentou a vendedora de uma loja de pisos e revestimentos, Elisângela Farias, 39.
 
Elisângela Farias reclama da infraestrutura do local e relata diversos prejuízos(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Elisângela Farias reclama da infraestrutura do local e relata diversos prejuízos (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Os transtornos na pista refletem no comércio. Quem trabalha no local, conta que precisa limpar a loja mais de uma vez por dia. “Antigamente, eu limpava somente na parte da manhã. Agora, tenho que limpar toda hora. Por dia, no mínimo cinco vezes. Mesmo assim, quando os clientes chegam, às vezes ainda está sujo. Eu fico preocupado, porque o fluxo de pessoas está diminuindo. Elas olham a loja com indiferença, mas a culpa não é nossa”, disse Bráulio.
 

Prejuízo no comércio

Para os comerciantes, a saída é resolver os contratempos com as próprias mãos. “Já precisei contratar um caminhão pipa e um trator para limpar os arredores da loja. Com a lama proveniente da Rua 6, a avenida fica intransitável. Eu preciso fazer isso, caso contrário, os clientes não aparecem na loja”, desabafou o proprietário de uma madeireira Israel Castro, 34.
 
Proprietário de uma madeireira, Israel Castro precisa tomar medidas próprias para não perder clientes(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Proprietário de uma madeireira, Israel Castro precisa tomar medidas próprias para não perder clientes (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

No caso de Elisângela, o seu estabelecimento já foi inundado diversas vezes. Os banheiros e o depósito sempre são os lugares mais afetados. Quando chove, ela precisa fechar uma das portas da loja. “No tempo livre, aproveitamos para limpar alguma coisa. Cada vendedor, inclusive, tem um espanador. Todas as vezes que a loja inunda, ficamos a manhã inteira para organizar. Infelizmente, já tivemos que jogar produtos fora, porque estragaram. Quando tem uma chuva forte à noite, já sei que vou precisar limpar tudo na manhã seguinte”, criticou.
 
Fortes chuvas atingiram loja de Elisângela(foto: Arquivo pessoal)
Fortes chuvas atingiram loja de Elisângela (foto: Arquivo pessoal)

O fato de esse ser um problema que acontece há muitos anos deixa os trabalhadores ainda mais decepcionados. “Os transtornos não começaram ontem. Viver em uma situação dessas é um desrespeito. Essa é a porta da nossa cidade. É o primeiro cartão de visitas para quem vem aqui. Se ela não é bem cuidada, imagina o restante da casa. Todo o nosso investimento é feito pensando na cidade, e em troca, recebemos isso. Fico frustrado”, completou Israel.
 
Em nota, a Prefeitura Municipal de Valparaíso de Goiás reconheceu que a situação da Rua 1 se justifica por conta das obras na Rua 6, mas informou que isso é algo recente. Segundo a gestão municipal, as reformas estão paradas por conta das chuvas, e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Infraestrutura Urbana aguarda um período de estiagem para reiniciar os reparos. Como alternativa para os constantes alagamentos, a Prefeitura planeja a construção de um trevo no cruzamento das Ruas 1 e 6. Para isso, aguarda uma autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres.
 
A gestão municipal esclareceu que, em janeiro, equipes tapa-buraco fizeram reparos na Rua 1, e que uma nova manutenção e limpeza da área deve acontecer ainda nesse mês. Também em janeiro, a Secretaria limpou e desobstruiu todas as bocas de lobo da via, mas ressaltou que elas não comportam a água que desce desde Santa Maria para o município do entorno. Dessa forma, a Prefeitura solicitou que o Governo do Distrito Federal providencie a captação de águas pluviais de Santa Maria para minimizar o problema.
 
O administrador da região administrativa, Hugo Gutemberg, informou que um projeto para reestruturação da rede de águas pluviais do Polo de Desenvolvimento Juscelino Kubistchek, que pertence à Santa Maria e faz fronteira com Valparaíso, já está em curso, e deve ser concluído até dezembro. Ele acredita que a medida pode auxiliar a cidade goiana, mas destaca que esse não é o fator principal para os problemas do município.
 
“Santa Maria e Valparaíso são separados por uma rodovia, e temos noção de que o escoamento das águas causa alguns reflexos. As novas redes vão mitigar a situação, mas vão ter um impacto irrisório se comparado à responsabilidade do governo municipal. A infraestrutura da cidade não acompanhou o crescimento da população local”, frisou.
 
Colaborou Bruna Lima - Especial para o Correio 

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