Publicidade

Correio Braziliense

Apagão atinge 128 mil consumidores no Distrito Federal

Regiões Norte e Nordeste foram as mais afetadas; falhas nas linhas de transmissão de Belo Monte teriam causado o incidente


postado em 21/03/2018 19:41 / atualizado em 21/03/2018 20:03

(foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
(foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)


A causa do apagão que afetou várias regiões do país, sobretudo o Norte e o Nordeste, nesta quarta-feira (21/3), ainda está sendo investigada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), mas o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, afirmou que, a energia deve ser reestabelecida em duas horas. "Temos informações do ONS de que algumas capitais do Nordeste já estão com 80% a 85% dos consumidores com energia. Em outras, 30% a 40%”, afirmou. no Distrito Federal, segundo a Companhia Energética de Brasília (CEB), 128 mil consumidores foram afetados. "Quatro subestações foram desligadas, automaticamente, das 15h48 às 16h08", informou a CEB.

As subestações de Planaltina (37.398 unidades consumidoras), Contagem (27.042), Brazlândia (15.819) e Gama(46.929) foram desligadas, mas a energia já foi restabelecida. Para o diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), Roberto Pereira D'Araújo, o problema do Nordeste é que a região é muito dependente das transmissões de energia do Norte. "A situação do Nordeste é estruturalmente perigosa, porque é importadora de energia e depende de projetos recém-inaugurados como Belo Monte, que ainda não está conseguindo gerar toda capacidade. E as eólicas, além de não dar conta da demanda da região, demoram a voltar a gerar", explicou.
 
Como houve um problema no sistema, automaticamente a geração foi desligada, inclusive das eólicas do Nordeste. "Se tem um curto circuito ou qualquer problema, o ONS precisa cortar a carga. Mas apenas a energia hidráulica volta a gerar imediatamente quando religada, porque é como se fosse uma torneira. Eólicas e termelétricas demoraram muito mais", comparou.
 
Para o especialista, o apagão foi de grande proporções. "Afetou mais de 20% de todo o país. Como o desequilíbrio foi grande entre geração e carga, os picos de energia foram sentidos em muitos lugares, inclusive Brasília”, disse.

De acordo com o ministro de Minas e Energia, o apagão atingiu várias regiões, mas, mais fortemente, Norte e Nordeste. “No momento do incidente, a carga (consumo mais as perdas do sistema) do país era de quase 80 mil megawatts (MW). O sistema perdeu 18 mil MW, o que representa 22,5%”, disse. O restabelecimento demora. “Como a perda foi muito grande, a recuperação total leva tempo”, reiterou Coelho Filho.


Causas


O titular do MME explicou que, apesar de o ONS ainda não ter apurado o que causou o acidente, foi em uma linha de transmissão de Belo Monte. “Essa linha foi inaugurada recentemente e vinha operando com 2 mil MW. Numa tomada para 4 mil MW, o que é completamente condizente com o porte da linha, ela saiu do sistema. Ainda não temos a informação oficial do ONS, mas eles vão fazer uma investigação”, afirmou.

Fernando Coelho Filho garantiu que o país não corre o risco de sofrer mais apagões, porque não foi um problema de abastecimento. “Foi um incidente que aconteceu em uma transmissão. Do ponto de vista do abastecimento, estamos tranquilos para enfrentar o ano de 2018”, explicou. “O que levou essa linha a sair do sistema, o ONS vai dizer em breve”, destacou.

"Por causa dessa queda, um esquema regional de alívio de carga entrou em operação, atingindo as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com corte automático de consumidores no montante de 4,2 mil MW. Os sistemas Sul, Sudeste e Centro-Oeste ficaram desconectados do Norte e Nordeste", informou o Operador. 
Às 16h15 já havia sido realizada a recomposição de praticamente toda a carga no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. "As equipes do ONS estão neste momento dedicadas à recomposição dos sistemas Norte e Nordeste, já em curso. As causas de desligamento estão sendo investigadas", declarou o ONS.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade