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Correio Braziliense

'A Igreja é santa e pecadora', diz arcebispo que assume diocese de Formosa

Dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba, chega hoje a Formosa. Ao Correio, ele admite que a Igreja Católica é falha, "por ser formada por pessoas que têm seus limites e suas fraquezas"


postado em 22/03/2018 13:51 / atualizado em 22/03/2018 14:57

"Minha disposição é dar àquele povo de Formosa mais esperança, mais confiança na sua prática cristã", disse o arcebispo (foto: Arquidiocese de Uberaba/Divulgação)
Nomeado pelo papa Francisco como administrador apostólico da Diocese de Formosa (GO), o arcebispo de Uberaba (MG), dom Paulo Mendes Peixoto, chegou a Brasília por volta das 12h desta quinta-feira (22/3). Na agenda do "bispo interventor", como tem sido chamado, estão uma série de reuniões na Nunciatura Apostólica e na Conferência Nacional dos Bispos. A chegada ao município goiano está prevista para as 15h.

Indicado para administrar a diocese após a prisão do bispo dom José Ronaldo Ribeiro, acusado com outras oito pessoas de desviar dinheiro da Igreja, dom Paulo disse ao Correio que sua missão é ajudar a comunidade católica de Formosa e que Francisco tem cobrado transparência dos bispos. 

"O papa Francisco está preocupado com essa situação. Não tem sentido evangelizar, anunciar os princípios da palavra de Deus, dando um mau testemunho. O papa escreveu uma carta forte aos bispos, dizendo que temos que ser exigentes nesse momento de escândalo nas dioceses", afirmou. "Há, até, o perigo de um bispo ser afastado de seu ofício se não assumir uma posição ao ver alguém do seu clero dando mal testemunho", completou o religioso, que é especialista em direito canônico pelo Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro.

Para os fiéis de Formosa, que se mostram muito decepcionados com o escândalo, dom Paulo espera levar "segurança". "Chego para falar menos e ouvir mais, e chegar a conclusões maduras sobre o que precisa ser feito. Chego para dar essa segurança para aquele povo. Vou com alegria. A força de Deus está sempre com a gente. Temos que contar com a presença do Espírito de Deus. Quando dizemos que a Igreja é santa e pecadora, é porque tem a presença do Espírito de Deus, apesar de ser formada por pessoas que têm seus limites e suas fraquezas. E temos que ter força e coragem para superar as nossas fraquezas. Há uma expectativa muito grande e queremos ajudar a somar", afirmou.

Mensagem gravada aos fiéis 

Antes de viajar a Brasília, o administrador enviou uma mensagem de áudio aos fiéis de Formosa (GO). Na gravação, ele se diz preocupado com os "desafios que enfrentará", mas também se mostra otimista e diz que espera levar "esperança e confiança" para os fiéis.
 
"Nesse dia 21 de março, o Papa Francisco me nomeou administrador apostólico da Diocese de Formosa, no estado de Goiás. Fico feliz pela confiança, mas, ao mesmo tempo, preocupado com os desafios que, certamente, terei que enfrentar naquela diocese. Ainda não conheço nada daquela realidade, a não ser o que tem sido transmitido pelos meios de comunicação", afirmou. 
 
A mensagem prossegue: "A igreja está preocupada com a realidade dessa Diocese, que estava, até o dia de ontem, sem um administrador, já que o bispo, também o vigário geral, o ecônomo da diocese, ambos estão presos. Por isso, começa, agora, um novo caminhar com esta nomeação, com a minha presença, até que seja nomeado um novo bispo da Diocese de Formosa. Continuo, logicamente, arcebispo de Uberaba. O fato de eu estar ajudando lá, não significa que eu deixe de ser arcebispo de Uberaba. Vou continuar, auxiliado, logicamente, pelos assessores, o vigário-geral e assim por diante. Minha disposição é dar àquele povo de Formosa, até o momento, muito abalado, a gente sente, mais esperança, mais confiança na sua prática cristã".
 

Investigação 

Além de dom José Ronaldo, foram presos na segunda-feira (19/3) o monsenhor Epitácio Cardozo, vigário-geral da diocese e segundo no comando, o pároco da Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição e outros três padres, sendo dois de paróquias filiadas à Diocese e um, Thiago Wenceslau, de São Paulo, chamado pelo bispo, segundo o MPGO, para intimidar sacerdotes contrários ao esquema de lavagem de dinheiro. 
 

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