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Correio Braziliense

Estado de saúde de girafa preocupa administração do Zoo de Brasília

O jovem animal acordou indisposto e passou o dia sem comer. Alerta foi aceso porque há a suspeita de envenenamento do elefante Badu, morto em 7 de janeiro na mesma unidade de conservação


postado em 23/03/2018 06:00

Evelise ainda pequena: filha de Leo e Yaza, ela nasceu no zoo, há 7 anos(foto: Carlos Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Evelise ainda pequena: filha de Leo e Yaza, ela nasceu no zoo, há 7 anos (foto: Carlos Vieira/Esp. CB/D.A Press)

Nascida e criada no Zoológico de Brasília, a girafa Evelise, 7 anos, passou a noite em observação. Ela acordou quieta, sentada e com a cabeça baixa, ontem. Não quis comer em momento algum. A apatia do animal preocupou os cuidadores. Veterinários fizeram exames na manhã e aguardam a conclusão dos resultados para hoje. Levaram o animal para uma área de manejo, dentro do recinto.


Apesar da indisposição de Evelise, a superintendente de Conservação e Pesquisa do Zoológico, Ana Raquel Gomes Faria, contou que ela não apresentou vômito, diarreia nem desmaio. No entanto, chamou a atenção as condições da girafa porque a rotina de alimentação dela não se alterou.

Mesmo assim, Ana Raquel ressaltou que os sintomas de Evelise são diferentes dos apresentados pelo elefante Babu, morto em 7 de janeiro após uma parada cardiorrespiratória. Pouco mais de um mês depois, em 20 de fevereiro, o Zoológico anunciou que ele poderia ter sido vítima de envenenamento. “O Babu acordou no chão e de lá não levantou mais. A Evelise estava sentada e, quando as girafas se deitam, é normal encostarem a cabeça no chão. Mas ela foi estimulada e se levantou. Está andando e se movimentando”, garantiu Ana Raquel, no fim do dia. No entanto, a reportagem não foi autorizada a vê-la, sob a justificativa de que o animal poderia apresentar ansiedade.

Ana Raquel explicou que as girafas se alimentam de três a quatro vezes por dia de capim, folhas de acácia, de amora e de hibiscos, além de hortifruti, leguminosas e uma quantidade de ração. “Como o acesso oral dela (de Evelise) está dificultado, ela está sendo estimulada a ingerir água para melhorar o sistema digestivo e está em uma área de manejo, que é um ambiente mais contido, para facilitar a recuperação”, comentou.

Equipes aguardam como o animal vai reagir para analisar se será necessária a manipulação de algum tipo de medicamento. Em média, fora do cativeiro, uma girafa vive de 10 a 15 anos. “Elas têm a característica de serem mais tranquilas, mas qualquer animal que deixa de se alimentar o tratador avisa. É um procedimento de rotina. Temos quatro veterinários que estão à disposição dia e noite”, afirmou. Evelise completou 7 anos em novembro de 2017 e é filha da girafa Leo, que morreu em 2011, aos 17 anos, e da girafa Yaza, que nasceu no Zoológico de Belo Horizonte em julho de 2003 e chegou ao Distrito Federal em agosto de 2004.

Para a presidente da Confederação Brasileira de Proteção Ambiental, Carolina Mourão o episódio da girafa acende o sinal de alerta. “Demonstra que há algo muito errado acontecendo, de forma que não fica claro para o público. Geralmente, os animais ficam desse jeito e depois morrem. Com o Babu foi a mesma coisa e, com os animais anteriores também, mas o Zoológico sempre informa que eles morrem por velhice, o que causa muito estranhamento”, reclama.

Fechamento

Aconteceria hoje um julgamento da ação popular que pede o fechamento temporário das visitações pelas condições do zoo após a morte do elefante Babu, mas a audiência de conciliação foi adiada para 9 de abril, a pedido da Procuradoria-Geral do DF.

A ação popular protocolada na Vara de Meio Ambiente é movida pela Confederação Brasileira de Proteção Animal. A entidade alega falta vigilância, o que seria um facilitador para o suposto ato criminoso de envenenamento de Babu.

O documento cita outros casos. Entre eles, o registros de estado de estresse e alimentação deficiente dos animais; a falta de monitoramento e câmeras desligadas no local; as feridas ocasionadas pelo sol em elefantes; e um casal de felinos vivendo em situação precária, sem acesso ao gramado e à luz solar.

O zoo informou que só se manifestará sobre as denúncias após ser notificado oficialmente e alegou que a instituição tem um sistema de vigilância que está sendo ampliado, com 160 câmeras novas, posicionadas em pontos estratégicos.

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