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Correio Braziliense

Coletivo Cosmologia Preta canta a representatividade negra nos dias atuais

Todos os componentes, músicos e compositores, se conheceram por meio das atividades culturais nas respectivas cidades do DF


postado em 23/03/2018 19:25 / atualizado em 23/03/2018 19:28

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
O coletivo Cosmologia Preta revela o talento de sete jovens artistas de diferentes cidades do Distrito Federal e Entorno. O grupo nasceu com o objetivo de fortalecer a cultura negra através da música. Todos os componentes se conheceram por meio das atividades culturais das respectivas cidades. Pedro Cardoso, conhecido como Preto, é morador do Riacho Fundo II, bem como Pedro Henrique e Isadora Santos. Tarcisio Reis mora em São Sebastião. Prethaís, Ceilândia. Julia Nara reside em Samambaia, enquanto Michael Gracie é o representante do Entorno do DF: Valparaíso de Goiás.

Preto, 23 anos, foi o responsável por juntar toda essa galera. O primeiro a se unir ao "primogênito" foi Tarcísio Reis, 30. Vindo do Maranhão, ele foi convidado por Preto a se hospedar em sua casa, para tocarem juntos. Com o tempo, a pegada black foi chegando e deu a identidade do grupo: dar voz à cultura negra, valorizando a ancestralidade. "Nos fazia falta saber da onde viemos", contou o cantor, poeta e violonista Pedro Henrique, de 21 anos.  

Antes do coletivo, cada um da trupe tinha seu trabalho solo, que envolvia música e poesia. Todos já se apresentavam em saraus e projetos culturais feitos pela própria comunidade de suas cidades. "Decidimos unir tudo isso, mas não fazer uma banda em que cada um perdesse sua identidade. A ideia era cada um levando suas composições e fortalecendo o trabalho um do outro”, explica Tarcísio Reis, percussionista do grupo. 

As ideias compartilhadas entre eles são muitas. "Todos nós trazemos a música negra como referência, respeitando nossa ancestralidade e pluralidade expressas em variados ritmos nascidos no continente africano ou nas diásporas africanas”, explica Preto. As referências pessoais e musicais vão desde Malcolm X a Martin Luther King, passando pelas artistas Martinha do Coco, Nina Simone, entre outros.
 
 
 
Atualmente, os artistas vivem do que chamam de "mangueio", um termo usado para quem leva sua arte para as ruas em troca de dinheiro. O famoso "passar o chapéu". Através de suas apresentações pelas cidades, em transportes públicos e pontos turísticos, os artistas conquistam o sustento do próprio lar.


Trajetória


A música entrou na vida de Prethaís, 20, desde muito cedo, por meio de poesias. Influenciada pela mãe, que também escreve, Prethaís encontrou na caneta e no papel o refúgio que precisava para desabafar as dificuldades de sua vivência negra, baiana, lésbica e periférica. "A periferia tem muita necessidade de falar das coisas que acontecem com a gente, e a música chega na quebrada como uma coisa muito distante. Fica muito difícil musicar essas letras que não estão muito dentro das normas ortográficas, então eu não conseguia reconhecer as minhas letras como música"destaca a poetisa e cantora. 

Michael Gracie, mais conhecido na praça como Mikebass, tem 24 anos completa 10 carreira em 2018. O músico já participou de bandas de sertanejos famosos, como do cantor Gabriel Gava, mas reclama. "Mesmo assim, a falta de valorização de artistas independentes é a maior dificuldade que tenho de transpor diariamente", desabafa.

Isadora Santos e Pedro Henrique se conheceram em oficinas culturais e de comunicação comunitária de Ceilândia, o Jovem de Expressão. Isadora estudou percussão no projeto e começou a se envolver com a música a partir daí. Já Pedro Henrique, assim como Prethaís, começou com suas letras na poesia, até que se descobriu compositora. "A partir disso estudei violão e comecei a compor músicas e no Jovem de Expressão pude construir essas relações e conhecer o Cosmologia”, afirmou. 
 

Confira a entrevista na íntegra: 

 
 
* Estagiária sob supervisão de Anderson Costolli

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