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Correio Braziliense

Com ajuda de amante, mulher torturou e matou ex-marido, diz polícia

Elizângela Almeida de Miranda Souza e José Willamy de Mélo Raiol, que está foragido, torturaram, roubaram e mataram com um tiro na cabeça o servidor aposentado do TRT Valdeci Carlos de Sousa, de 63 anos, segundo a polícia. Defesa alega coação e diz que a acusada foi agredida fisicamente pelo real criminoso


postado em 26/03/2018 10:10 / atualizado em 27/03/2018 16:33

Presa na sexta-feira (23/3), a autônoma Elizângela Almeida de Miranda Souza, de 41 anos, é apontada pela polícia como a responsável pelo assassinato do marido, Valdeci Carlos de Sousa, de 63 anos. De acordo com a investigação, a mulher contou com a ajuda do amante José Willamy de Mélo Raiol, 26 anos, para torturar e roubar a vítima, morta com um tiro na cabeça. Imagens de câmeras de segurança da região flagraram o momento em que o servidor aposentando do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) chegou à casa dela. José Willamy de Mélo, apontado como o autor do disparo, ainda está foragido. Elizângela alega que foi coagida por ele durante a ação criminosa.

 

Segundo a polícia, o crime ocorreu entre as 22h de domingo (18/3) e a 1h de segunda-feira (19/3). Elizângela Almeida e Valdeci Carlos continuavam casados no papel, mas estavam separados há cerca de 6 meses. No dia do crime, ela o atraiu para a residência onde vivia com a filha do casal, na QNM 17, em Ceilândia. O delegado-chefe da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), Joás Rosa de Sousa, afirmou que a desculpa usada por ela para que o servidor fosse até lá seria a de que queria reatar o relacionamento.

 

Para a polícia, este fator indica que o crime foi premeditado. "A vítima foi até o local com a melhor das intenções, onde a mulher e o amante o aguardavam. Na casa, eles o imobilizaram e colocaram Valdeci na caminhonete (uma Nissan Frontier). Como o veículo tinha marcas de sangue, acreditamos que ele tenha sido torturado, para que ele desse informações aos acusados", afirmou o delegado-chefe. Os dois devem responder à Justiça por latrocínio, que é o roubo seguido de morte.

 

Nas imagens das câmeras de segurança é possível ver o momento em que Valdeci Carlos chega à residência. Depois que ele entra, a mulher é vista entrando no carro dele e estacionando na garagem. "Toda a ação foi para não haver testemunhas", explicou Joás Rosa. 

 

 

Tortura e morte em rodovia

 

Após cometer o crime, o amante de Elizângela Almeida, José Willam, teria levado objetos pessoais, dinheiro, celular e uma arma de fogo de Valdeci — que teria sido a usada no crime. O delegado Joás Rosa disse que, em depoimento, a mulher e a filha do casal afirmaram que a arma era da vítima, mas não souberam informar se ele tinha porte ou se o artefato era ilegal.

 

Segundo o delegado, o homem não foi morto dentro da caminhonete. Ele foi levado até a DF-001, entre o Núcleo Bandeirante e Santa Maria, onde levou um tiro na cabeça. O corpo de Valdeci foi encontrado no local, com marcas de tortura pelo corpo. O resultado da perícia ainda não foi divulgado.

 

Depois de cometer o latrocínio, Elizângela chegou a ir até a 17ª DP, onde comunicou o desaparecimento de Valdeci, na segunda-feira (19/3), para dissimular sua participação no crime. O delegado afirma que a Polícia Militar encontrou o veículo da vítima e informou à mulher a localização. Foi Elizângela Almeida quem pegou o carro com a PM e o encaminhou para a perícia, numa tentativa de tirar dela qualquer suspeita sobre a participação no assassinato do servidor, de acordo com a investigação da polícia.

O delegado chegou a criticar a postura da Polícia Militar, de entregar o carro à mulher, sendo que havia marcas de sangue o veículo, o que comprometeu a investigação.

  

A atitude dela e os depoimentos, no entanto, fizeram com que os agentes suspeitassem das primeiras versões prestadas por Elizângela. "Ela até chegou a dizer que foi coagida pelo amante, mas as imagens das câmeras de segurança mostram que ela estava muito calma na hora da ação. Então, não restou dúvidas da intenção dela e do amante", finalizou o delegado-chefe. O casal pode pegar até 30 anos de prisão.

 

A defesa de Elizângela contesta a versão da polícia e diz que as investigações iniciais têm "falhas grotescas", como a afirmação de que a mulher torturou a vítima com o intuito de obter senhas bancárias. De acordo com os defensores, "a esposa possuía amplo acesso às contas bancárias do então marido". "Não há que se falar em con%uFB01ssão, tendo em vista que, em nenhum momento, em seu depoimento, a indiciada confessou o crime, pelo contrário, relatou ser tão vítima quanto seu ex-marido", acrescentaram, em nota.

 

Os advogados reiteraram ainda a versão apresentada pela vítima, de coação. "Durante o crime estava sob ameaça arma de fogo e faca, sendo, na mesma ocasião, coagida e agredida %uFB01sicamente pelo real criminoso".

  

 

Confira a íntegra da nota da defesa:

 

"A defesa recebeu com perplexidade a informação de que a Sra. Elizângela Almeida de Miranda está sendo indiciada pelo crime de latrocínio. Destaca-se que as investigações iniciais contêm falhas grotescas, a começar pela a%uFB01rmação que a esposa teria torturado a vítima com o intuito de obter senhas bancárias. O que, por si só, con%uFB01gura uma assertiva completamente infundada, eis que a esposa possuía amplo acesso às contas bancárias do então marido; inclusive , era responsável de gerenciar as contas do casal.


Não há que se falar em con%uFB01ssão, tendo em vista que, em nenhum momento, em seu depoimento, a indiciada confessou o crime, pelo contrário, relatou ser tão vítima quanto seu ex-marido.


No que tange à prisão, trata-se de prisão temporária, a qual possui natureza cautelar, e, portanto, aplicável no âmbito das investigações. Por %uFB01m, cumpre destacar que a Sra. Elizângela Almeida de Miranda é vítima nesse caso, pois durante o crime estava sob ameaça arma de fogo e faca, sendo, na mesma ocasião, coagida e agredida %uFB01sicamente pelo real criminoso.


Quanto à ocorrência de desaparecimento, essa foi registrada em razão do real criminoso ameaçar a vida da Sra. Elizangela e de sua família, caso ela não cumprisse as determinações.


Registre-se, por oportuno, a tamanha a desproporcionalidade da prisão e do indiciamento, eis que o real criminoso ainda está solto, enquanto uma das vítimas encontra-se detida pela Polícia Civil.


Em assim sendo, a Sra. Elizângela Almeida de Miranda e seus advogados anseiam que o real criminoso seja preso pela Polícia Civil na maior brevidade possível, e, de igual modo, que os fatos sejam completamente esclarecidos."

 

 

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