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Correio Braziliense

"Se o Zoo não fosse 100% legalizado, não estaria funcionando", diz diretor

Justiça deve decidir se audiência de conciliação apresentada contra instalações na instituição será substituída por verificação das condições do local, depois da segunda morte de animal em pouco mais de dois meses


postado em 27/03/2018 06:00 / atualizado em 26/03/2018 23:01

Com 380 recintos, Zoo recebe 2,5 mil pessoas por dia e é monitorado por apenas 12 câmeras. Intenção é colocar 160 novos equipamentos(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Com 380 recintos, Zoo recebe 2,5 mil pessoas por dia e é monitorado por apenas 12 câmeras. Intenção é colocar 160 novos equipamentos (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
 
Um dia após o adiamento da audiência de conciliação que poderia ter determinado o fechamento temporário do Zoológico de Brasília, a morte de mais um animal, a segunda desde janeiro, trouxe preocupação sobre as condições de funcionamento da instituição. Depois de perder o elefante Babu, em 7 de janeiro, no sábado, a girafa Yvelise morreu devido à necrose no cólon maior.

A audiência de conciliação havia sido marcada após ação popular movida pela Confederação Brasileira de Proteção Animal (CBPA), alegando que o zoológico não tem capacidade de garantir segurança e tratamento adequado aos animais e visitantes. Como o diretor-presidente do zoológico, Gerson de Oliveira, não poderia comparecer na data marcada, a Procuradoria-Geral (PGDF) adiou o encontro para 9 de abril.

Porém, com a morte da girafa, no domingo, a própria procuradoria sugeriu ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT)  substituir a audiência por uma verificação in loco das questões denunciadas pela CBPA. Segundo a PGDF, isso possibilitaria a “obtenção de melhor resultado” das condições do local. A petição ainda aguarda despacho do juiz responsável pelo caso, Carlos Frederico Maroja de Medeiros, da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do DF. Caso o pedido seja aceito, o zoológico pretende divulgar o laudo definitivo sobre a morte do elefante Babu, suspeito de envenenamento, na data da vistoria.

Ciente das alegações feitas pela CBPA, Gerson adianta que o zoológico vai aceitar as decisões estabelecidas na audiência de conciliação, mas comentou que a instituição não opera de forma irregular. “Se o zoo não fosse 100% legalizado, não estaríamos funcionando. Mas vamos responder item por item. O pano de fundo sempre vai ser o bem-estar animal”, destacou.

Ele defendeu que, desde que assumiu a gestão da instituição, em 2016, foram realizadas melhorias, como a reforma dos recintos dos animais. O administrador assegura que os 242 funcionários recebem os treinamentos necessários. “Todos são instruídos para observar qualquer comportamento atípico, seja dos animais ou dos visitantes”, disse.

Segundo Gerson, o caso de Yvelise não tem nenhuma relação com a morte de Babu. “O que aconteceu com o elefante foi algo inusitado e raro. Um ato criminoso. No dia 6 de janeiro, ele estava se movimentando bem e agindo normalmente. No dia seguinte, estava morto. Com a girafa, assim que percebemos uma mudança de atitude, nós fizemos o que precisava ser feito. Foi uma fatalidade. Se a equipe não entrasse no tempo certo, o animal morreria sem atendimento prévio”, frisou.

Conforme informações do Tribunal de Contas do Distrito Federal, não há auditoria específica sobre o operacional da instituição, ou seja, os cuidados com animais e a segurança dos frequentadores, por exemplo. A fiscalização em curso é regular e verifica a execução de contratos, os termos de cessão de uso e os controles adotados pelo zoológico para prevenir perdas de receitas próprias e gerir o seu plantel.

Problemas


Uma das principais denúncias da CBPA diz respeito à falta de segurança no local. “A segurança do local precisa ser reforçada. Um lugar que recebe 2,5 mil pessoas por dia necessita de mais vigilantes e câmeras. São 380 recintos na instituição e apenas 12 câmeras de monitoramento. Isso é insuficiente”, criticou a presidente da CBPA, Carolina Mourão.

De acordo com Carolina, os recentes casos de mortes de animais evidenciam a necessidade de uma mudança de gestão do zoológico. “O nosso pedido principal é o fechamento temporário para visitação. É uma época de reflexão para os gestores da instituição. Eles não têm porque resistir. O nosso pedido não é nenhuma ofensa ou ataque. Em meio a esses acontecimentos ruins, é hora de repensar estratégias para oferecer uma vida mais digna a esses animais, mesmo eles estando confinados”, defendeu. O zoológico informou que, desde o ano passado, está ampliando o sistema de vigilância. Segundo a instituição, o processo de licitação está em andamento e os 160 novos equipamentos serão colocados em posições estratégicas.

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