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Correio Braziliense

IBGE indica queda no preço de peixes, mas brasilienses não veem diferença

Segundo o instituto, o valor dos pescados, por exemplo, sofreu uma redução de 2,54% em comparação ao mesmo período do ano passado


postado em 30/03/2018 07:40 / atualizado em 30/03/2018 10:33

Demanda mais fraca pode ter causado queda no preço do animal(foto: Crédito: Minervino Junior/CB/D.A. Press)
Demanda mais fraca pode ter causado queda no preço do animal (foto: Crédito: Minervino Junior/CB/D.A. Press)


A dois dias da Páscoa, alguns brasilienses ainda correm para garantir um peixe ou um chocolate para festejar o feriado cristão. Neste ano, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os produtos mais vendidos na data estão mais baratos. Os preços dos pescados, por exemplo, sofreram uma redução de 2,54% em comparação ao mesmo período do ano passado. 
 
Apesar disso, os consumidores que deixaram para comprar peixe na última hora não perceberam diminuição nos preços. Foi assim com o empresário José Carlos de Souza, 45 anos. Apenas ontem ele conseguiu tempo para ir à Feira do Guará e comprar tucunaré para a ceia de hoje à noite. Em relação ao feriado do último ano, José Carlos levou para casa uma quantidade bem menor do peixe. 
 
“O aumento do preço em comparação ao ano passado foi muito grande. Fiquei decepcionado. Em 2017, comprei 12kg de tucunaré, com o quilo custando R$ 18. Desta vez, com o quilo a R$ 32, comprei apenas 3kg. Acredito que essa quantidade de peixe só vai servir para a ceia de hoje. No último ano, teve peixe durante toda a Semana Santa”, lamentou.
 
Com o aposentado Valdir Passos, 70, a situação foi parecida. Ele sempre compra filé de tilápia para a Páscoa, e mesmo pesquisando valores em diferentes supermercados, ele não conseguiu encontrar um lugar com o preço que pagou no ano passado. “No último feriado, o quilo do filé de tilápia estava a R$ 13. Até agora, não consegui achar nenhum lugar em que ele esteja menos de R$ 24. Mas vou ter que aceitar e comprar, porque na minha casa são cinco pessoas. Só um quilo não é o suficiente”, admitiu.
 
Os peixes vendidos em supermercados estão mais baratos do que os comercializados em feiras. Mesmo assim, os consumidores não abrem mão de pagar um pouco mais para adquirir um produto com melhor qualidade. A aposentada Madalena Bonfim, 80, por exemplo, pagou R$ 36,90 no quilo do filé de tilápia na Feira do Guará. Em um mercado do Cruzeiro, o quilo do mesmo tipo de peixe estava custando R$ 23,99. 

"Percebi que os preços estão mais salgados. Comprei menos do que o habitual. A ceia vai ser menos farta este ano%u201D (foto: Crédito: Minervino Junior/CB/D.A. Press)

 
“Fui à feira e ao mercado, e decidi comprar na feira porque aqui o peixe é mais fresco. No mercado, os peixes são muito congelados. Vem mais gelo do que o próprio peixe”, explicou. De qualquer forma, ela não gastou muito. “Infelizmente, percebi que os preços estão mais salgados. Comprei menos do que o habitual. Vou ser obrigada a economizar. A ceia vai ser menos farta este ano”, comentou.

Chocolates


Os números do IBGE também mostraram que os preços de chocolates em barra e bombons sofreram baixa de 3,45% em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, de acordo com dados do Sindivarejista, o valor dos ovos de Páscoa reduziram em 31% para o feriado deste ano. Entretanto, os preços mais atrativos não foram percebidos pelos consumidores. 
 
Para esta Páscoa, o economista Rafael Torino, 44, comprou a mesma quantidade de chocolates de sempre. “Não tenho o costume de presentear muitas pessoas, somente a minha esposa. Gastei praticamente a mesma coisa do ano passado. Os preços não estão tão convidativos assim”, afirmou. A única mudança que ele fez foi em relação ao sabor. “Sempre tento mudar. Mas nada exagerado. Procuro escolher algo que ela goste, e nada mais do que isso”, completou.
 
Assim como Rafael, a servidora pública Isadora Moreira, 38, já escolheu os chocolates que vai dar para a sua mãe. Sem extrapolar na hora das compras, ela comprou o que acredita ser suficiente para o feriado. “Toda Páscoa é assim. Não teria porque ser diferente desta vez. Como eu sei qual é a preferência da minha mãe, é melhor levar algo que ela gosta do que tentar inventar”, disse.
 
Já o lojista Anderson Aguilera, 50, manteve o costume de não comprar ovos de Páscoa. “É um produto muito caro para o que oferece. É muito mais vantajoso comprar duas caixas de bombons ou três barras de chocolate. Além de gastar menos, a quantidade de chocolate é maior”, explicou.

Comércio


O cenário para os comerciantes também não é dos mais animadores. “Os resultados que atingimos nos anos anteriores ainda não foram alcançados. A nossa expectativa é de que o movimento no mercado aumente neste fim de semana. Acredito que como o comércio está fechado hoje, as pessoas vão comparecer em peso no sábado e no domingo”, comentou o sub-gerente de um supermercado do Cruzeiro, Francisco Hugo Leite.
 
Por enquanto, a procura por ovos de Páscoa no seu supermercado tem sido menor do que a por chocolates em barra e bombons. “Foi preciso baixar o preço de alguns ovos, para atrair a atenção dos consumidores. Mesmo assim, conseguimos comercializar apenas 20% daquilo que colocamos à venda. Por outro lado, vendemos muitas caixas de bombons e chocolates em barra. A cada duas horas temos que repor as prateleiras. Acredito que as pessoas estão tentando economizar cada vez mais, e por isso levam os produtos mais baratos”, analisou.
 
Proprietário de uma peixaria na Feira do Guará, Gustavo Oliveira teve de aumentar os preços dos pescados. “Para manter a nossa loja, os custos ficaram maiores. Isso refletiu no valor dos peixes”, explicou. Por conta disso, ele não percebeu mudanças positivas em relação a 2017. “Nos últimos dias, tivemos um aumento na quantidade de clientes, mas isso já era esperado. O movimento é sempre maior na véspera do feriado. Mas muitos consumidores estão comprando em menor quantidade”, admitiu.

Consumidores correram às peixarias na última hora (foto: Crédito: Minervino Junior/CB/D.A. Press)
Consumidores correram às peixarias na última hora (foto: Crédito: Minervino Junior/CB/D.A. Press)

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