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Correio Braziliense

"Ficamos sete horas presos", conta turista ilhada em cachoeira na Chapada

Grupo de 30 pessoas ficou ilhado na Cachoeira Veredas, em Cavalcante (GO). Os visitantes são de São Paulo, Fortaleza, Goiás e Brasília. Ninguém se feriu


postado em 02/04/2018 14:11 / atualizado em 02/04/2018 16:46

Turistas de São Paulo, Fortaleza, Goiás e Brasília só conseguiram deixar o local à noite(foto: Reprodução Facebook/ Ney Manzan )
Turistas de São Paulo, Fortaleza, Goiás e Brasília só conseguiram deixar o local à noite (foto: Reprodução Facebook/ Ney Manzan )

 
O resgate de um grupo de 30 turistas que ficou ilhado na Cachoeira Veredas, em Cavalcante (GO), na Chapada dos Veadeiros, distante 230km de Brasília, durou cerca sete horas. O Corpo de Bombeiros de Goiás considera essa uma das maiores operações do tipo já registradas na região. 

Os turistas atravessaram o rio na manhã do último sábado (31/3) para chegar até a cachoeira. Quando eles tentaram voltar, no entanto, foram pegos de surpresa pelo aumento do volume da água, provocada por uma tempestade na cabeceira do aquífero.

Os visitantes são de São Paulo, Fortaleza, Goiás e Brasília. Não havia crianças e idosos no local. A gestora de talentos Valéria Blanco, 47 anos, estava no grupo que ficou preso. A moradora do Jardim Botânico contou ao Correio como foi o resgate. Ela chegou ao local na quinta-feira para passar o feriado de Páscoa. 

"Ficamos presos no alto do cânion. Não tinha risco para a gente, mas assistíamos a água subir. Nossa preocupação era se teríamos de passar a noite ali", contou. Segundo ela, a tromba d'água ocorreu repentinamente. "Ficamos ilhados em menos de cinco minutos."

Até o momento do acidente, não havia chovido com intensidade na região. Valéria passou a maior parte do tempo na pousada. A ideia dela era retornar ao DF no sábado mesmo. "Escolhi a trilha e a cachoeira mais curtas por isso", relatou.

Valéria ressaltou que não havia muitas informações sobre o grau de dificuldade da trilha e sobre os riscos de tromba d'água. "Disseram que não é comum acontecer, mas sempre tem a primeira vez. Como é uma área privada, não há agentes públicos controlando o acesso", ponderou. 

Os turistas enfrentaram muito frio. "Estávamos molhados, poucas pessoas estavam de tênis e a temperatura começou a cair bastante. Tínhamos água para beber e alguns lanches. Nossa preocupação era sair dali ainda com o dia claro", detalhou a gestora de talentos. 
 
Bombeiros levaram duas horas para conseguirem alcançar turistas (foto: Reprodução Facebook/ Ney Manzan )
Bombeiros levaram duas horas para conseguirem alcançar turistas (foto: Reprodução Facebook/ Ney Manzan )
 

O grupo ficou preso por volta de 13h. Somente ás 15h os bombeiros conseguiram alcançar as pessoas. "Um das meninas ficou presa numa presa mais embaixo e a correnteza estava subindo. Um rapaz desceu e puxou ela", conta a turista. Eles deixaram o local às 19h30. 

Resgate trabalhoso

O tenente Álvaro Dias, do Corpo de Bombeiros de Goiás, participou dos trabalhos de salvamento. Ele conta que o regaste foi trabalhoso por ser uma região acidentada e o numero de pessoas ser grande. Além disso, havia o risco de haver um uma nova tromba d'água. 

"Não é comum esse tipo de ocorrência. Normalmente, uma pessoas desaparece ou se acidenta. Um fator que colaborou para o sucesso foi que não tinha idosos e crianças. Isso facilita o atendimento", avaliou.

O militar orientou, ainda, para que a área seja evitada no período das chuvas. 
"A orientação é não frequentar a região quando está chovendo. A água sobe rapidamente e a velocidade da correnteza é grande", frisou. 

Para realizar o resgate, os militares utilizaram cabos, coletes e um equipamento que flutua, conhecido como life belt, uma espécie de boia. Todas as vítimas foram resgatadas sem ferimentos.

A Cachoeira Veredas fica a 5km de distância da cidade de Cavalcante (GO), na região norte da Chapada dos Veaderios. Formada dentro de um cânion, a queda d'água tem 90m de altura e um grande poço.

A região é muito procurada por turistas. Lá, existem ao menos sete cachoeiras, além de pousadas, área de camping, piscinas e restaurantes. Além de passeios ecológicos, o local oferece experiências esotéricas e místicas. 

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