Publicidade

Correio Braziliense

Projeto que usa esporte contra drogas e violência certifica jovens no DF

Vamos Nessa impactou cerca de 400 crianças e jovens de vários Centros Olímpicos e Paralímpicos do Distrito Federal


postado em 02/04/2018 19:41 / atualizado em 02/04/2018 19:54

Alunos e professores dos Centros Olímpicos e Paralímpicos do Distrito Federal formam o primeiro grupo do mundo a ser certificado pelo projeto global Vamos nessa, do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC)(foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)
Alunos e professores dos Centros Olímpicos e Paralímpicos do Distrito Federal formam o primeiro grupo do mundo a ser certificado pelo projeto global Vamos nessa, do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) (foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)

Não há dúvidas de que as experiências que marcam a memória são a melhor forma de fixar aprendizados. De um jeito lúdico envolvendo jogos esportivos, cerca de 400 crianças e jovens de 11 Centros Olímpicos e Paralímpicos do Distrito Federal formaram o primeiro grupo certificado no mundo pelo projeto global Vamos nessa, do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC). A cerimônia foi realizada ontem no Centro de Convenções.

O trabalho foi desenvolvido em parceria com a Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do DF e apoio da Fundação Assis Chateaubriand (FAC) e Instituto para o Desenvolvimento da Criança e do Adolescente pela Cultura e Esporte (Idecace). Desde o ano passado, já foram treinados 70 professores e impactados mais de 600 crianças e jovens em Brasília e no Rio de Janeiro. “Nossa proposta foi sair um pouco da palestra, da sala de aula e utilizar o esporte como uma ferramenta para que os jovens, entre eles, tirem suas próprias conclusões a partir de algumas dinâmicas desenvolvemos com foco nos fatores de proteção e de risco, que levam as pessoas a experimentarem drogas, a se envolverem com episódios de violência e dinâmicas criminais. Muitas vezes é uma incapacidade de dizer não, é uma insegurança que as pessoas têm ao lidar com emoções, e a gente vai trabalhando várias habilidades para a vida, no contexto desses jogos, no sentido de que os jovens, a partir de suas próprias capacidades, possam encontrar respostas e saídas para esses problemas”, explica Nívio Nascimento, coordenador do projeto Vamos Nessa pelo UNODC Brasil.

Os Centros Olímpicos de Ceilândia (Parque da Vaquejada e Setor O), Estrutural, Samambaia, São Sebastião e Santa Maria foram os que receberam maior ênfase do projeto. Uma das professoras que mais se destacou na iniciativa e foi convidada para ir ao Rio de Janeiro no ano passado para compartilhar experiências com educadores de outros países atendidos pelo UNODC foi Juliana Lucena, que integra a equipe pedagógica da Fundação Assis Chateaubriand na unidade do Setor O.

Segundo ela, o intercâmbio foi muito positivo e trouxe novas ideias para aperfeiçoar o trabalho. “Temos alunos que vivem em situação de risco. No decorrer da aplicação do projeto Vamos nessa, descobrimos casos de alunos sendo violentados, vivendo em risco dentro de casa, alunos que são usuários de drogas muito pesadas e que, com esse projeto, a gente conseguiu identifica-los e fazer um trabalho diferenciado com ajuda de psicólogos e assistentes sociais que o Centro Olímpico oferece”, observou Juliana.


Esporte vai além do rendimento


Para Leila Barros, secretária de Esporte, Turismo e Lazer do DF, o mais importante dessa parceria foi a mobilização da juventude dentro dos Centros Olímpicos. “Esse público costuma ser o mais assediado quando o assunto é drogas e violência. Eles são as maiores vítimas. As pessoas focam muito no esporte como rendimento, mas a gente sabe que o esporte é educação, são valores, formação e pode ser um aliado nessa prevenção. Esse é o intuito da parceria. Fico muito feliz de vermos hoje os primeiros frutos e perceber como todo mundo abraçou esse projeto e ele está aí, se consolidando com os primeiros certificados.”

O pequeno Saul Olifer de Melo, 13 anos, aluno do Centro Olímpico e Paralímpico de Samambaia, conta que as atividades trouxeram bastante experiência. “Foi muito bom no sentido de colaborar com as amizades, respeito mútuo e solidariedade. As drogas são um vício da própria cabeça. As pessoas que não conseguem distinguir a vontade e a necessidade não sabem parar. A mente pode ser fraca, pode faltar ajuda dos pais, dos irmãos, dos familiares”, ressalta o jovem.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade