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Correio Braziliense

Resultado do julgamento do Lula vai ditar futuro do PT na disputa ao Buriti

Sem nomes definidos, dirigentes do partido esperam um cenário mais claro para as articulações na capital após o resultado do julgamento do habeas corpus de Lula. Mas eles admitem que incerteza deixou legenda mais fragilizada e isolada


postado em 04/04/2018 06:00 / atualizado em 04/04/2018 08:25

Militantes em Brasília: sigla busca alianças com PCdoB, PPL e PDT(foto: Monique Renne/Esp. CB/D.A Press )
Militantes em Brasília: sigla busca alianças com PCdoB, PPL e PDT (foto: Monique Renne/Esp. CB/D.A Press )

 

Olhos vidrados no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) hoje. O resultado do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a 12 anos e um mês de prisão no caso do triplex do Guarujá, vai ditar, para além do futuro da principal figura petista, os rumos do partido em todo o país.

Com a incerteza sobre a presença do ex-chefe do Planalto nos palanques, poucos foram os correligionários de expressão que se colocaram na disputa pelos governos estaduais, e os movimentos para formação de coligações acabaram limitados. Em Brasília, enquanto a grande maioria das legendas lançou nomes ao Palácio do Buriti ou barganha vagas nas chapas majoritárias, o PT não tem um representante de peso para entrar no páreo e corre o risco de concorrer numa chapa puro-sangue pela segunda vez na história.

Nos últimos meses, caciques do partido na capital evitaram dar um tiro no escuro. Nos bastidores, petistas calculam que, se Lula responder em liberdade e participar dos comícios em Brasília, o cabeça de chapa poderia captar de 20% a 25% dos votos e, por conta da miscelânea de candidaturas, teria chances de chegar ao segundo turno. Caso contrário, o apoio do eleitorado cairia de forma considerável, ficando entre 10% e 15%. De olho na condição e por motivos diversos, como o desejo de retorno à política ou obtenção de foro privilegiado, correligionários do alto escalão preferiram apostar num cargo proporcional — deputado distrital ou federal — e descartaram concorrer ao Executivo local.

Na capital, desde o início das eleições diretas, a centro-direita, capitaneada por Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, saiu vitoriosa na maior parte das vezes, enquanto o PT emplacou dois governadores: Cristovam Buarque e Agnelo Queiroz. Assim, petistas consideram essencial a presença de um puxador de votos no palanque. Ex-ministro de Lula, Agnelo teve o ex-presidente em diversos comícios em 2010, quando venceu Weslian Roriz, esposa de Joaquim Roriz. Quatro anos depois, recebeu o mesmo apoio, mas, devido à má avaliação da gestão, não se reelegeu.

Após o julgamento de hoje, com a definição da condição de Lula e dos próximos passos da legenda na disputa presidencial, dirigentes partidários preveem um cenário mais claro para as articulações na capital. Com base no cronograma nacional, planejado de olho nas possibilidades do ex-presidente, a Executiva local estendeu o prazo de inscrição para as prévias até 11 de maio — inicialmente, a data-limite era o último dia 31. A ideia é encontrar, até lá, um nome de peso para o Buriti.

À disposição
Apesar de não ser unanimidade no PT-DF, a diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) Rosilene Corrêa reunia apoio de boa parte das alas da legenda, as quais acreditavam que a pré-candidata poderia crescer no período eleitoral, devido ao bom trânsito em categoriais da educação e ao discurso afiado sobre uma das áreas prioritárias de toda gestão.

A sindicalista, porém, oficializou a decisão de continuar à frente da entidade e ficar de fora do jogo eleitoral em carta aberta. No texto, divulgado no último sábado, afirmou que “a decisão, nesse momento de tamanha complexidade política, apesar de difícil, é a mais coerente”. “O Sinpro-DF é um patrimônio de nossa categoria, mas, também, um patrimônio da cidade. A força de nosso sindicato se torna ainda mais indispensável neste momento em que temos que resistir aos atentados aos nossos direitos”, argumentou.

Por ora, a única opção petista ao GDF é o militante e bancário aposentado Afonso Magalhães. Mas ele enfrenta resistência na sigla por conta da baixa densidade eleitoral e da inexperiência política. Para correligionários, é hora de encontrar um nome que consiga defender com firmeza o legado do ex-presidente Lula, reafirmar a necessidade do retorno da esquerda ao poder e driblar as críticas à gestão de Agnelo.

Ex-vice-governadora e pré-candidata a distrital, Arlete Sampaio minimiza o quadro de indefinição do partido no DF. “Não há coligações firmadas ou candidatos concretos. Teremos um candidato. Isso está certo”, disse. A próxima reunião da Executiva local petista será no dia 15, quando as possibilidades e o programa do partido serão discutidos.


Coligações

O PT-DF corre o risco de disputar os cargos majoritários do DF em uma chapa puro-sangue. A sigla busca consolidar alianças com PCdoB e PPL, que integraram a chapa de 2014, e PDT. As três legendas, no entanto, estão mais próximas de outras frentes. Pedetistas pretendem alavancar o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), na disputa pelo Executivo local. O discurso dele servirá como palanque eleitoral para o presidenciável Ciro Gomes.

Se o cenário se confirmar, o PT ficará isolado. Para o distrital Chico Vigilante, a condição não impediria a eleição da maioria dos correligionários que entrarão na disputa. “Temos um bom quadro para distritais, federais e majoritários. O nosso partido nunca teve medo. Nascemos para a luta!”

No quadro de interessados na Câmara Legislativa, o partido conta com Arlete Sampaio, o ex-deputado federal Geraldo Magela, o ex-distrital Patrício, além de Chico Vigilante e Ricardo Vale, que tentarão a reeleição. À Câmara dos Deputados devem concorrer Erika Kokay e Agnelo Queiroz caso o ex-governador consiga reverter a inelegibilidade. Para o Senado, são considerados quatro nomes: o distrital Wasny de Roure, o integrante do Conselho Federal de Economia Júlio Miragaya, o sindicalista Chico Machado e Márcio, liderança de Taguatinga.


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