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Correio Braziliense

Brasília Country Club celebra 60 anos de história na capital federal

Com a proposta de ser um local de socialização e diversão para os primeiros moradores, o Brasília Country Club nasceu antes mesmo de a capital do país surgir. Diretoria relembra histórias e comemora os 60 anos da agremiação


postado em 04/04/2018 06:00 / atualizado em 04/04/2018 20:29

(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)


Influenciado por clubes campestres internacionais, o Brasília Country Club nasceu antes mesmo de a capital do país ser inaugurada. As histórias do espaço remontam ao ano de 1958, quando foi criado. De lá para cá, a área recebeu personalidades como Juscelino Kubitschek, Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Os dois compositores teriam se inspirado em uma nascente na região para compor a canção Água de Beber. Histórias como essa e outras vividas ao longo dos 60 anos de existência da agremiação são relembradas pela diretoria do clube para celebrar o aniversário, comemorado no próximo dia 26. A data será marcada por um baile para os sócios.

Desde que foi inaugurado, o Brasília Country Club — ou “BCC”, como também é chamado — se manteve na mesma localidade: ao lado do Catetinho. A criação do clube girou em torno da proposta de oferecer espaço de lazer e coletividade aos primeiros moradores e visitantes do que viria a ser a capital do país. A cidade sequer havia sido erguida: não havia Congresso Nacional, Palácio da Alvorada ou mesmo o Lago Paranoá. O BCC funcionava como uma alternativa para reunir quem estava em uma cidade tomada por barracões de madeira e canteiros de obras.

As fotos da primeira vez em que Juscelino Kubitschek colocou os pés na então futura capital do país, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes quando compunham
As fotos da primeira vez em que Juscelino Kubitschek colocou os pés na então futura capital do país, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes quando compunham "Água de Beber", e do então presidente da República sendo recebido na sede da agremiação fazem parte do acervo de memórias preservadas na Casa Velha. A residência, sede da fazenda onde o clube foi instalado, foi transformada em museu e tombada desde 2006 (foto: Reprodução)
Hoje, o clube campestre é um dos maiores de Brasília. Com área aproximada de 184 hectares, o equivalente a 257 campos de futebol, 100 hectares são de regiões preservadas e quatro pertencem ao Catetinho. Um dos pontos principais para visitação é a Casa Velha, antiga sede da Fazenda do Gama transformada em um pequeno museu. Pelas paredes, há centenas de fotos do dia em que, pela primeira vez, Juscelino Kubitschek colocou os pés na então futura capital.

Ele aterrissou no aeroporto de Vera Cruz, próximo à antiga Rodoferroviária, e seguiu para o Catetinho em um avião de tipo teco-teco. A pista de pouso ficava ao lado da Casa Velha, onde o ex-presidente e a comitiva foram recebidos por dona Zenaide, registrada em uma foto ao lado de JK e do grupo. A sede da fazenda passou a fazer parte das dependências do Country Club. Transformada em museu em 2006, a Casa Velha foi tombada como patrimônio histórico e cultural do Distrito Federal.

Pulmão de Brasília

À época, a área ocupada pelo clube foi doada pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). As terras, próximas ao Catetinho, foram repassadas em abril de 1958, mas o processo só foi finalizado em março de 1960, com o apoio de Israel Pinheiro, primeiro prefeito de Brasília. Ainda assim, até janeiro de 1961, a área pertencia à residência presidencial provisória, instalada dentro do perímetro onde hoje é o Country Club. Então diretor de obras da Novacap, Pery da Rocha França defendia a independência do clube, alegando que “toda metrópole precisava de um pulmão”.

Inicialmente, o Brasília Country Club era constituído por conselheiros, cuja maioria eram diretores da Novacap e empresários de construtoras. A associação começou com apenas 93 sócios, que compraram os primeiros títulos. Parte desse grupo ainda mora na capital e será homenageada em uma festa programada para 21 de abril, em comemoração ao aniversário do Country.

Hoje, o número de associados está próximo de 750. Segundo o conselheiro e ex-presidente da agremiação Rodolfo Prado, algumas das qualidades que tornam o local um reduto para muitos brasilienses é a segurança e a discrição que os sócios encontram no espaço. Para Rodolfo, pelo fato de o clube não ser muito conhecido, os frequentadores se sentem mais à vontade para aproveitá-lo. “Qualquer um que vier aqui não será aborrecido. As pessoas frequentam o Country Club com absoluta segurança e privacidade”, comenta.
 
O clube campestre é um dos maioires de Brasília. Com 184 hectares, 100 são de áreas naturais preservadas. Na foto ao lado, da esquerda para direita, estão Fernando Dias, Luiz Humberto Del Isola, Rodolfo Prado, Antônio Carlos Mota, Carlos Henrique de Paulo e Ataíde de Oliveira, alguns dos primeiros frequentadores do local(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
O clube campestre é um dos maioires de Brasília. Com 184 hectares, 100 são de áreas naturais preservadas. Na foto ao lado, da esquerda para direita, estão Fernando Dias, Luiz Humberto Del Isola, Rodolfo Prado, Antônio Carlos Mota, Carlos Henrique de Paulo e Ataíde de Oliveira, alguns dos primeiros frequentadores do local (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
 
Ponto de encontro

Nascido em Uberlândia (MG), o servidor público aposentado Luiz Humberto Del Isola, 70 anos, veio para Brasília entre 1959 e 1960 e se tornou sócio do clube em 1962. Ele conta que a ideia era que o espaço funcionasse como um ponto de encontro para as pessoas que vinham conhecer a cidade, trabalhar ou morar em Brasília. “Não havia nada em 1958. O Lago Paranoá ainda não existia. Como você poderia fazer o enraizamento e a socialização de todo o pessoal daqui? Era preciso um ponto de congregação que, à época, era o Country Club”, relembra.

Ele também conta que Tom Jobim e Vinicius de Moraes estavam aqui para compor a sinfonia de Brasília. "Quando estavam na residência presidencial, viram a nascente e dela surgiu o ‘água de beber camará’. Essa fonte nasce na nossa divisa com o Catetinho. Hoje, ela cai em uma bica no Country Club”, conta o aposentado.

Estrutura

Com oito quadras de tênis, três campos de futebol, cinco piscinas, pista hípica, trilha, além de dezenas de espaços para atividades ao ar livre, o espaço conta com arquitetura predominantemente colonial, projetada por João Luiz Batelli, que privilegiou estruturas construídas em alvenaria e telhados de tijolos. A ênfase do clube campestre é oferecer atividades esportivas aos sócios, principalmente na categoria hípica. Além da sede em Brasília, o clube conta com uma filial em Paracatu (MG). O espaço possui alojamentos, como casas e conjuntos de apartamentos, para hospedagem dos sócios. A sucursal mineira fica a 260km do Distrito Federal.

O presidente em exercício, Carlos Henrique de Paulo, afirma que, até 2020, quando deixa o cargo, a proposta é modernizar a pista hípica do clube. “Aqui ocorrem importantes eventos, como a Copa JK Quality de Hipismo para o campeonato Sul-americano. Recebemos gente do Brasil inteiro. Temos parcerias em andamento e a proposta é que a nossa pista seja a melhor do Centro-Oeste”, afirma o presidente.

Para visitar
Interessados em conhecer o Brasília Country Club podem agendar visita pelo telefone (61) 98184-1422.

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